segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Via Carolina, uma tentativa de escalada no PNI

Por Leandro do Carmo

Paredão Carolina, uma tentativa de escalada no PNI

Data: 23/07/2026
Local: Parque Nacional de Itatiaia – Itatiaia  – RJ
Participantes: Leandro do Carmo, Alice Carvalho e Marcos Lima

Paredão Carolina, Parque Nacional de Itatiaia

Um pouco sobre o Parque Nacional de Itatiaia

O Parque Nacional de Itatiaia, criado em 1937, foi o primeiro parque nacional do Brasil e ocupa uma posição de destaque na história do montanhismo nacional. Localizado na Serra da Mantiqueira, entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, o parque protege algumas das montanhas mais emblemáticas do país e é considerado um dos principais berços das atividades de escalada e exploração de montanha no Brasil.

A Parte Alta do parque concentra os principais atrativos para montanhistas, entre eles o Pico das Agulhas Negras (2.791 m), as Prateleiras, a Pedra do Altar e a Pedra do Couto. A paisagem é marcada por campos de altitude, grandes maciços rochosos e extensos mirantes naturais, proporcionando algumas das vistas mais impressionantes da Serra da Mantiqueira. Suas trilhas variam de caminhadas contemplativas a ascensões que exigem técnicas de escalada e escalaminhada.

Além da beleza cênica, Itatiaia possui enorme importância histórica para o desenvolvimento do montanhismo brasileiro. Diversas gerações de excursionistas, escaladores e alpinistas passaram por suas trilhas e paredões, transformando a região em uma verdadeira escola de montanha ao ar livre. Com sua combinação de altitude, clima de montanha e formações rochosas únicas, o parque permanece como um dos destinos mais desejados pelos amantes do montanhismo e da natureza no Brasil.

Como chegar à Parte Alta do PNI

O acesso à Parte Alta é feito pela portaria localizada no município de Itamonte (MG). Para quem vem do Rio de Janeiro ou de São Paulo, o trajeto principal é pela Rodovia Presidente Dutra (BR-116) até o distrito de Engenheiro Passos, seguindo depois pela BR-354 em direção à Garganta do Registro. A partir desse ponto, uma estrada de montanha leva até o Posto Marcão e ao Abrigo Rebouças, principal ponto de partida das trilhas da região.

Vídeo da escalada na Via Carolina

Relato da escalada

Um dia, cheguei em casa e vi Alice assistindo a um vídeo de um youtuber de que ela gosta, lá em Itatiaia, caminhando até o Abrigo Rebouças. Não perdi a oportunidade e mostrei para ela alguns vídeos que havia feito na última vez em que estive lá, em 2022. Fazia quatro anos! Ela ficou bem empolgada e combinamos que, nas férias de julho, eu a levaria até lá. Minha ideia era ficar no Abrigo Rebouças, pois assim seria mais tranquilo. Julho é um mês de bastante frio, e ficar acampado exigiria uma logística melhor.

Nas semanas anteriores, comecei a acompanhar a disponibilidade de vagas no abrigo e percebi que não teria problema. Defini a data: chegaria numa quarta-feira e iria embora no sábado, depois do almoço. Seria tempo suficiente para fazer bastante coisa por lá. Na semana anterior, havia feito -11°C na parte alta do parque, a menor temperatura registrada no Brasil. Uma pena: logo na semana anterior. Dificilmente faria essa temperatura novamente nos dias em que estivéssemos lá. Mas isso não foi um problema. Meu irmão e o Velhinho também resolveram ir. O Velhinho chegaria na quinta-feira, e meu irmão, na sexta. Tínhamos vontade de fazer a via Bira na sexta.

A previsão do tempo para a semana não era das melhores: havia probabilidade de chuva nos dias em que estaríamos lá, mas eu já havia reservado o abrigo e comprado as entradas. Havia tirado cinco dias de férias e, se eu não fosse dessa vez, demoraria um pouco para conseguir outra data. Então seguimos para Itatiaia. Saímos cedo de casa, às 5 horas da manhã, e nem pegamos trânsito. Paramos naquele posto perto da entrada de Seropédica e encontramos o Velhinho. Se tivéssemos marcado, não teria dado certo. Acabamos nos encontrando novamente na Garganta do Registro. De lá, subimos a estrada até a portaria do parque, onde resolvemos a burocracia da entrada.

Com tudo acertado, seguimos para o Rebouças, onde arrumamos as coisas, e aproveitei para almoçar com a Alice. O tempo estava firme, mas a previsão para o dia seguinte era muito ruim. Enquanto almoçávamos, escolhemos o que iríamos fazer à tarde. O Velhinho falou com um amigo dele e resolvemos fazer o Paredão Carolina, um 2º III, excelente opção para a primeira via de montanha da Alice. Arrumamos os equipamentos e seguimos para a base da via, que fica no início da trilha para as Prateleiras. Foi uma caminhada rápida e logo estávamos subindo até a base. Nunca tínhamos feito a via e eu nem sabia exatamente onde era. Pelas fotos e pela indicação do croqui, era por ali onde estávamos.

Segui subindo e achei algumas chapeletas. Pela descrição e pela posição no croqui, era ali. Nós nos arrumamos e comecei a escalar. Era um trecho vertical e com boas agarras. Costurei as três primeiras chapeletas e segui reto para cima, pois haveria uma proteção acima. Quando cheguei lá, não vi nada. Continuei subindo e não encontrei nada. Estiquei quase 60 metros de corda num costão e nada. Com certeza, não era por ali. Tentei falar com o Velhinho, mas ele estava muito longe. Vi umas chapeletas bem à esquerda e segui para lá, desescalando um bom trecho. Ventava bastante e agradeci por estar sol. Na chapeleta, montei a parada e estiquei bem a corda, gritando que eles poderiam escalar.

Aí começaram os problemas. À medida que eles iam subindo, eu ia esticando a corda. Só que, como estava em diagonal, eles não conseguiam subir reto e fazer o mesmo caminho que eu havia feito. Eu havia esquecido que tinha descido e parado em uma diagonal. O Velhinho e a Alice acabaram indo um pouco mais para a direita, ficando em um platô e montando uma parada em uma proteção. Eu não conseguia escutar o que eles falavam por causa do vento. Eles tentaram subir, mas não conseguiram. Num momento em que o vento deu uma acalmada, consegui ouvi-los gritando que não dava para subir. Avisei que iria rapelar de onde estava. Soltei uma corda e montei o rapel com a outra, descendo até onde eles estavam. Foi aí que entendi o que havia acontecido.

Dali, montamos o rapel e descemos até a base onde estávamos. Aproveitamos para fazer um lanche. Apesar de não termos conseguido escalar, a experiência valeu demais. Não foi dessa vez. Pegamos o caminho de volta e logo estávamos novamente no Abrigo. Aproveitei para tomar um banho, dessa vez quente! Agora o Abrigo conta com um sistema de banho quente, no qual se insere uma ficha que recebemos no momento da entrada e que dura cinco minutos. Um alívio, pois já tive que tomar banho frio ali, e foi duro! Andamos no entorno do Abrigo e fizemos mais algumas caminhadas curtas. Curtimos um agradável e frio fim de dia.

Aqui fica a lição de que temos que saber a hora de voltar... 


Paredão Carolina, Parque Nacional de Itatiaia

Paredão Carolina, Parque Nacional de Itatiaia
Paredão Carolina, Parque Nacional de Itatiaia
Paredão Carolina, Parque Nacional de Itatiaia

Paredão Carolina, Parque Nacional de Itatiaia

Paredão Carolina, Parque Nacional de Itatiaia
Paredão Carolina, Parque Nacional de Itatiaia
Paredão Carolina, Parque Nacional de Itatiaia


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente aqui.