Essa seria a segunda regata do Ranking da Flotilha Ventania,
do Praia Clube São Francisco. Quando saiu a Instrução de Regata, fiquei
animado, pois as duas possibilidades percurso eram interessantes. Uma largava
no PCSF, seguia até boia da Maria Theresa, após a Ilha do Boa Viagem, depois
seguia para a boia verde em frente ao Prevela, montava a boia encarnada do ICI,
voltava na boia verde e terminava entre a Torre do PCSF e uma boia laranja. O
outro percurso largava no PCSF, seguia para a boia de Perigo isolado em
Jurujuba, montava a boia verde em frente ao Prevela, montava a boia encarnada
do ICI, voltava na boia verde e terminava entre a Torre do PCSF e uma boia
laranja. Agora era esperar e verificar no dia, qual seria o percurso.
Chegamos cedo ao Prevela e começamos a montar os barcos.
Como tínhamos tempo, pudemos fazer tudo com calma. Mas, mesmo assim, sempre
temos algum contratempo na saída. Dessa vez, conseguimos levar 7 dingues e só
não levamos mais porque não tinha timoneiro. Saímos com um vento fraco e
chegamos ao PCSF por volta das 13h 20min. Verifiquei na comissão de regata que
o percurso seria o da boia da Maria Theresa, o mais longo. O vento não estava
dos melhores, mas as condições eram boas.
Foi dado o sinal de 5 minutos e tratei de identificar a
melhor estratégia para a largada. Dessa vez conseguimos largar bem e mantivemos
um bom ritmo durante esse primeiro trecho da regata e mantendo boa distância
para os que vinham atrás. O vento foi aumentando a medida que nos aproximávamos
da Ilha da Boa Viagem. Assim que a ilha estava a nosso boreste, entramos numa
empopada até montar a boia. Acho que abrimos muito e perdemos um pouco da
distância que tínhamos para os barcos de trás.
O vento melhorou consideravelmente e seguimos para a boia.
Estávamos disputando o terceiro e quarto lugares, mas perdi duas posições nessa
perna, montando a boia verde em quarto lugar. Dali segui firme na quarta
posição e fiz minha melhor manobra, montando a boia. Só que a decisão de mudar
o bordo, não foi feliz e acabei perdendo a quarta posição. Segui em quinto até
o final da regata. Apesar dessa última tomada de decisão não ter sido a melhor,
fiquei bem satisfeito com o desempenho. Aos poucos vamos melhorando.
Fizemos uma parda no PCSF e aguardamos a premiação, indo
embora em seguida. Aí é aquele trabalho de sempre, desmonta barco, arruma tudo,
carrega barco....
Terminamos tudo eram quase 19h. Um dia longo!
Aguardando ansioso a próxima regata.
A Regata TransAraruama é o maior evento de vela da Região dos
Lagos (RJ), realizado anualmente na Laguna de Araruama — a maior lagoa
hipersalina do mundo. A competição reúne centenas de velejadores profissionais
e amadores em um cenário privilegiado entre os municípios de São Pedro da
Aldeia e Araruama, consolidando-se como referência no turismo
esportivo e náutico da região.
A regata carrega uma trajetória de mais de 30 edições históricas,
originalmente promovidas pelo Camping Clube do Brasil (CCB), cuja
chegada acontecia na antiga sede do clube em Ponte dos Leites, hoje desativada.
Essa longa tradição evidencia a vocação náutica antiga da Laguna de Araruama.Em
maio de 2024, o evento ganhou uma nova era ao ser retomado oficialmente
pela AVELA – Associação dos Velejadores da Lagoa de Araruama, que
assumiu a organização e o transformou em um evento anual de domínio público,
estando na sua terceira edição.
A largada acontece Praia da Praça das Águas (Praça Hermógenes
Freire da Costa), no centro de São Pedro da Aldeia, escolhida pela excelente
infraestrutura — tendas, cercados para guarda dos barcos, banheiros e
segurança. A chegada é na Praia das Virtudes, em Praia Seca (Araruama), local
livre de pedras e bancos de areia, com ampla área para atracação segura e
suporte da Escola de Vela UPWIND 1.
Vídeo da Regata Transararuama
Relato da Regata Transararuama
Eu acompanhei a criação da AVELA e os trabalhos para reativar a
Transararuama e tinha uma vontade muito grande em participar dessa regata. A
primeira regata do que eles apelidaram da “era moderna” foi em 2024 e eu não
tinha experiência para poder participar. A de 2025, não consegui ajustar a
logística. Não poderia deixar passar esse ano. A opção que tinha para esse ano
era ficar na casa da minha avó em Figueira e partir dali, visto que o final da
regata era em Praia Seca, bem ao lado. Meu irmão topou ajudar na logística, me
levando até São Pedro da Aldeia e retornando com o carro. Assim, combinei com a
família de aproveitar o feriado lá na região.
Primeira parte da logística foi ajustada. Faltava agora resolver se eu
iria sozinho no meu Europa ou se conseguiria levar algum Dingue para correr com
alguém. Confesso que estava bem na dúvida, pois a regata do ano passado foi
muito dura por conta do forte vento. Não sabia se estava preparado. O tempo foi
passando e conversando com o Marcelo, ele topou de participar. Com uma pessoa
mais experiente, ficaria mais fácil. Com tudo resolvido, era preparar tudo e
escolher o barco na qual iríamos.
O Marcelo acabara de reformar um Ipanema que ele havia adquirido e ele
sugeriu que fôssemos nele. Aceitei de primeira e começamos a nos organizar.
Primeiro, sugeri que ele fizesse um reforço no ponto os estais eram presos no
mastro. Outro ponto, foi a reforma da parte elétrica do reboque, que tive que
ajustar. Foi tudo muito corrido, mas conseguimos resolver os pequenos
problemas.
Combinamos de viajar na sexta-feira e passaríamos no Prevela para pegar
o barco. Mas lembra quando falei que foi tudo corrido? Pois é... Na sexta, meu
pai conseguiu um eletricista para fazer a parte elétrica e deixou os cabos
montados nas lanternas, eu precisava só colocar no reboque. Só que quando fui
fazer isso na quinta a noite, os fios eram pequenos e tive que aumentar tudo e
tome cortar fio, descascar fio, emendar fio, parafusar lanterna.... Como tudo
pode piorar... Estava escuro e usava uma lanterna de cabeça para conseguir
enxergar, até que começou a chover. Aí foi derrota. Ter que ficar lá na chuva,
não foi fácil. Mas ao final, deu tudo certo.
Na sexta de manhã, acordei cedo e seguimos para o Prevela. Lá amarramos
o barco e pegamos todo o equipamento que levaríamos. Tinha bastante coisa.
Ainda bem que o carro é grande. Seguimos viagem e logo após o Cafubá, um
caminhão da CLIN, saiu sem sinalizar. Freei mais forte e um carro que vinha
atrás deu uma leve batida, ainda bem não amassou nada... Primeira ocorrência...
Já estávamos em Praia Seca, quando o carro da frente parou e na hora que pisei
no freio, o carro não parou. Bati na traseira do carro da frente... Nada
demais, porém o carro da frente amassou a tampa do porta-malas e eu fiquei com
o capô levemente empenado. Segunda ocorrência... Pensei: “Pronto, vai dar tudo
errado!”
Chegamos à casa da minha avó e aproveitei para dar um pulo na lagoa e
tomar um banho. Não era sal grosso, mas do jeito que a lagoa de Araruama é
salgada, achei que daria o mesmo resultado. Almoçamos e começamos a fazer os
ajustes finais no barco. O que não foi fácil, terminamos por volta das 22h,
porém tudo resolvido e prontos para a Transararuama.
Acordamos cedo e seguimos para São Pedro da Aldeia. Fizemos uma vigem
rápida, fui bem devagar, já sabendo do problema no freio do carro. Chegamos
cedo e conseguimos um excelente lugar para estacionar. Já tinha bastante barco
e aos poucos mais barcos foram chegando. Montamos o nosso e aproveitei para
regularizar a inscrição do Marcelo, para podermos conectar no aplicativo que
seria utilizado para monitoramento durante a regata. Encontramos alguns amigos
e o clima era bem agradável. Participamos da reunião de comandantes, que deu as
orientações finais para a regata. Agora era só esperar o momento da largada.
Pelo cronograma, seríamos o segundo grupo a largar. E o procedimento
para essa largada era ficar com o barco na água e após o sinal, subir no barco
e partir. Fizemos os últimos ajustes e fomos para a água. Aguardamos o primeiro
grupo sair e nos posicionamos, a espera da nossa vez. Largamos e seguimos em
direção ao nosso destino. O Vento estava bem fraco e a velejada rendia pouco.
Velejamos boa parte desse início acompanhando dois barcos da classe snipe.
Começamos bem e bem ao fundo podíamos ver os outros barcos que largaram depois
que a gente. Mantínhamos a distância.
Seguíamos velejando e em alguns pontos estava bem raso e era possível
ver o fundo da lagoa. Dadas as condições e direção do vento, resolvemos
levantar a vela balão. Eu nunca havia velejado com esse tipo de vela e sempre
achava bem bonito. É claro que nosso barco não se comparava aos oceânicos, onde
a vela balão se destaca, mas tem seu charme. Nesse momento assumi o leme e o
Marcelo seguiu mareando a vela. Foi bem estressante e difícil, mas conseguimos
seguir com um bom rendimento. Estávamos aproados à ponta da Acaíra, evitando ao
máximo entrar nas enseadas. Em dados momentos, ficava numa posição bem
desconfortável.
O vento foi aumentando e precisávamos acertar o rumo do ponto onde
deveríamos montar a boia. A vela balão já não rendia tanto e decidimos
descê-la. Mas não foi tão fácil quanto eu pensava. Mesmo tendo testado algumas
vezes em terra, me enrolei um pouco e perdemos um pouco de tempo. Ajustamos
tudo e continuamos em direção à boia. O vento foi melhorando e pelo arquivo do
tracklog, atingimos a maior velocidade nesse trecho. Alguns barcos passavam bem
distantes, outros mais próximos. Perto de montar a boia, vimos que alguns
barcos se afastavam muito e resolvemos mudar a estratégia e em vez de montar a
boia e voltar, seguimos mais e aí sim alteramos o bordo. Consegui descansar um
pouco, estava exausto. E assim fomos seguindo até cruzar a linha de chegada.
Passando pelo barco da comissão, perguntamos em qual posição havíamos
chegado e nos falaram que éramos os primeiros da nossa categoria. Bom, era
esperar para ver. Já estava exausto. Procuramos um local para poder chegar com
o barco e meus filhos me viram de longe e começaram a acenar. Seguimos até lá.
Não foi fácil, mas a missão estava cumprida. Foram 5 horas de velejada,
percorrendo, aproximadamente, 28 km. Descansei um pouco e começamos a desmontar
o barco e arrumar tudo. Meu irmão e meu tio nos ajudaram. Aproveitei para comer
algo e dar uma volta para curtir o evento. O Marcelo confirmou que havíamos
chegado em primeiro lugar na nossa categoria. E, particularmente, não estava
muito confiante, mas a ficha só caiu quando chamaram meu nome e o Marcelo na
hora da premiação. Nos dirigimos ao palco e levamos a bandeira do Prevela. Foi
um orgulho subir ao pódio.
Para quem queria apenas participar da Transararuama, chegar em primeiro
foi muito mais do que eu havia pensado. Que venham mais!
Essa foi a primeira regata do Ranking Interno da Flotilha Ventania,
do Praia Clube São Francisco, em 2026. A minha primeira participação foi em
2023, tendo participado em 2025 também. Tenho um carinho especial por essas
regatas promovidas pelo PCSF, primeiro porque foi ali que eu aprendi a velejar,
como já publiquei nos relatos anteriores e em segundo, porque o clima de
amizade e acolhimento são os melhores possíveis. Nos sentimos em casa,
literalmente!
Como sempre, chegamos cedo ao Prevela para as atividades e
organizamos tudo. Montamos os barcos, mas sempre tem atraso. Saímos em cima da
hora e com o vento fraco, fiquei com a impressão de que não chegaríamos a
tempo. Porém, à medida que avançávamos, o vento foi aumentado. Mais uma vez,
chegamos em cima da hora. Mas com tempo suficiente para entender como estavam
as condições na hora da largada. A largada sempre foi um problema para mim,
porém, o Comandante Horário ministrou algumas palestras sobre as regras e as
coisas foram ficando mais claras.
Dessa vez consegui largar bem e seguimos para a boia
localizada na ponta da Estrada Fróes. O vento havia melhorado
consideravelmente. Perdi algumas posições, mas me mantive bem no meio do grupo.
Contornamos a boia e seguimos para a próxima, que era uma colocada entre a
Praça do Rádio Amador e o Prevela. Dali seguimos na empopada até montarmos a boia
do ICI e voltamos no contravento, montamos novamente a boia e seguimos para a
última perna, cruzando a linha de chegada em 8º no geral e em 3º na categoria.
Fomos para a premiação e de lá, seguimos para o Prevela,
rebocados, pois o vento parou de vez. Aí vem todo aquele trabalho de sempre,
desmonta barco, carrega tudo para cima...
Participei da regata com o Enzo. Essa foi a primeira regata na qual Alice foi timoneando. Participou junto com o Xandão. Parabéns Alice por ter completado a regata!
Data: 12/10/2026 Local: Escola Naval - RJ Participantes: Prevela
Essa foi a primeira vez em uma das mais tradicionais regatas
do Brasil, a Regata da Escola Naval. A Regata Escola Naval é um evento náutico
tradicionalíssimo no Brasil, criado pelo Grêmio de Vela da Escola Naval
(GVEN) em 1946, como retribuição aos clubes que isentavam a EN de taxas,
tornando-se a maior regata da América Latina, um dia de festa para a Marinha e
comunidade, celebrando a vela e a cultura naval na Baía de Guanabara.
Participamos da regata no Escaler que o 90ª GEMAR nos emprestou. Um dia fantástico!