Regata TransAraruama 2026
Histórico da Regata TransAraruama
A Regata TransAraruama é o maior evento de vela da Região dos
Lagos (RJ), realizado anualmente na Laguna de Araruama — a maior lagoa
hipersalina do mundo. A competição reúne centenas de velejadores profissionais
e amadores em um cenário privilegiado entre os municípios de São Pedro da
Aldeia e Araruama, consolidando-se como referência no turismo
esportivo e náutico da região.
A regata carrega uma trajetória de mais de 30 edições históricas,
originalmente promovidas pelo Camping Clube do Brasil (CCB), cuja
chegada acontecia na antiga sede do clube em Ponte dos Leites, hoje desativada.
Essa longa tradição evidencia a vocação náutica antiga da Laguna de Araruama.Em
maio de 2024, o evento ganhou uma nova era ao ser retomado oficialmente
pela AVELA – Associação dos Velejadores da Lagoa de Araruama, que
assumiu a organização e o transformou em um evento anual de domínio público,
estando na sua terceira edição.
A largada acontece Praia da Praça das Águas (Praça Hermógenes
Freire da Costa), no centro de São Pedro da Aldeia, escolhida pela excelente
infraestrutura — tendas, cercados para guarda dos barcos, banheiros e
segurança. A chegada é na Praia das Virtudes, em Praia Seca (Araruama), local
livre de pedras e bancos de areia, com ampla área para atracação segura e
suporte da Escola de Vela UPWIND 1.
Vídeo da Regata Transararuama
Relato da Regata Transararuama
Eu acompanhei a criação da AVELA e os trabalhos para reativar a
Transararuama e tinha uma vontade muito grande em participar dessa regata. A
primeira regata do que eles apelidaram da “era moderna” foi em 2024 e eu não
tinha experiência para poder participar. A de 2025, não consegui ajustar a
logística. Não poderia deixar passar esse ano. A opção que tinha para esse ano
era ficar na casa da minha avó em Figueira e partir dali, visto que o final da
regata era em Praia Seca, bem ao lado. Meu irmão topou ajudar na logística, me
levando até São Pedro da Aldeia e retornando com o carro. Assim, combinei com a
família de aproveitar o feriado lá na região.
Primeira parte da logística foi ajustada. Faltava agora resolver se eu
iria sozinho no meu Europa ou se conseguiria levar algum Dingue para correr com
alguém. Confesso que estava bem na dúvida, pois a regata do ano passado foi
muito dura por conta do forte vento. Não sabia se estava preparado. O tempo foi
passando e conversando com o Marcelo, ele topou de participar. Com uma pessoa
mais experiente, ficaria mais fácil. Com tudo resolvido, era preparar tudo e
escolher o barco na qual iríamos.
O Marcelo acabara de reformar um Ipanema que ele havia adquirido e ele
sugeriu que fôssemos nele. Aceitei de primeira e começamos a nos organizar.
Primeiro, sugeri que ele fizesse um reforço no ponto os estais eram presos no
mastro. Outro ponto, foi a reforma da parte elétrica do reboque, que tive que
ajustar. Foi tudo muito corrido, mas conseguimos resolver os pequenos
problemas.
Combinamos de viajar na sexta-feira e passaríamos no Prevela para pegar
o barco. Mas lembra quando falei que foi tudo corrido? Pois é... Na sexta, meu
pai conseguiu um eletricista para fazer a parte elétrica e deixou os cabos
montados nas lanternas, eu precisava só colocar no reboque. Só que quando fui
fazer isso na quinta a noite, os fios eram pequenos e tive que aumentar tudo e
tome cortar fio, descascar fio, emendar fio, parafusar lanterna.... Como tudo
pode piorar... Estava escuro e usava uma lanterna de cabeça para conseguir
enxergar, até que começou a chover. Aí foi derrota. Ter que ficar lá na chuva,
não foi fácil. Mas ao final, deu tudo certo.
Na sexta de manhã, acordei cedo e seguimos para o Prevela. Lá amarramos
o barco e pegamos todo o equipamento que levaríamos. Tinha bastante coisa.
Ainda bem que o carro é grande. Seguimos viagem e logo após o Cafubá, um
caminhão da CLIN, saiu sem sinalizar. Freei mais forte e um carro que vinha
atrás deu uma leve batida, ainda bem não amassou nada... Primeira ocorrência...
Já estávamos em Praia Seca, quando o carro da frente parou e na hora que pisei
no freio, o carro não parou. Bati na traseira do carro da frente... Nada
demais, porém o carro da frente amassou a tampa do porta-malas e eu fiquei com
o capô levemente empenado. Segunda ocorrência... Pensei: “Pronto, vai dar tudo
errado!”
Chegamos à casa da minha avó e aproveitei para dar um pulo na lagoa e
tomar um banho. Não era sal grosso, mas do jeito que a lagoa de Araruama é
salgada, achei que daria o mesmo resultado. Almoçamos e começamos a fazer os
ajustes finais no barco. O que não foi fácil, terminamos por volta das 22h,
porém tudo resolvido e prontos para a Transararuama.
Acordamos cedo e seguimos para São Pedro da Aldeia. Fizemos uma vigem
rápida, fui bem devagar, já sabendo do problema no freio do carro. Chegamos
cedo e conseguimos um excelente lugar para estacionar. Já tinha bastante barco
e aos poucos mais barcos foram chegando. Montamos o nosso e aproveitei para
regularizar a inscrição do Marcelo, para podermos conectar no aplicativo que
seria utilizado para monitoramento durante a regata. Encontramos alguns amigos
e o clima era bem agradável. Participamos da reunião de comandantes, que deu as
orientações finais para a regata. Agora era só esperar o momento da largada.
Pelo cronograma, seríamos o segundo grupo a largar. E o procedimento
para essa largada era ficar com o barco na água e após o sinal, subir no barco
e partir. Fizemos os últimos ajustes e fomos para a água. Aguardamos o primeiro
grupo sair e nos posicionamos, a espera da nossa vez. Largamos e seguimos em
direção ao nosso destino. O Vento estava bem fraco e a velejada rendia pouco.
Velejamos boa parte desse início acompanhando dois barcos da classe snipe.
Começamos bem e bem ao fundo podíamos ver os outros barcos que largaram depois
que a gente. Mantínhamos a distância.
Seguíamos velejando e em alguns pontos estava bem raso e era possível
ver o fundo da lagoa. Dadas as condições e direção do vento, resolvemos
levantar a vela balão. Eu nunca havia velejado com esse tipo de vela e sempre
achava bem bonito. É claro que nosso barco não se comparava aos oceânicos, onde
a vela balão se destaca, mas tem seu charme. Nesse momento assumi o leme e o
Marcelo seguiu mareando a vela. Foi bem estressante e difícil, mas conseguimos
seguir com um bom rendimento. Estávamos aproados à ponta da Acaíra, evitando ao
máximo entrar nas enseadas. Em dados momentos, ficava numa posição bem
desconfortável.
O vento foi aumentando e precisávamos acertar o rumo do ponto onde
deveríamos montar a boia. A vela balão já não rendia tanto e decidimos
descê-la. Mas não foi tão fácil quanto eu pensava. Mesmo tendo testado algumas
vezes em terra, me enrolei um pouco e perdemos um pouco de tempo. Ajustamos
tudo e continuamos em direção à boia. O vento foi melhorando e pelo arquivo do
tracklog, atingimos a maior velocidade nesse trecho. Alguns barcos passavam bem
distantes, outros mais próximos. Perto de montar a boia, vimos que alguns
barcos se afastavam muito e resolvemos mudar a estratégia e em vez de montar a
boia e voltar, seguimos mais e aí sim alteramos o bordo. Consegui descansar um
pouco, estava exausto. E assim fomos seguindo até cruzar a linha de chegada.
Passando pelo barco da comissão, perguntamos em qual posição havíamos
chegado e nos falaram que éramos os primeiros da nossa categoria. Bom, era
esperar para ver. Já estava exausto. Procuramos um local para poder chegar com
o barco e meus filhos me viram de longe e começaram a acenar. Seguimos até lá.
Não foi fácil, mas a missão estava cumprida. Foram 5 horas de velejada,
percorrendo, aproximadamente, 28 km. Descansei um pouco e começamos a desmontar
o barco e arrumar tudo. Meu irmão e meu tio nos ajudaram. Aproveitei para comer
algo e dar uma volta para curtir o evento. O Marcelo confirmou que havíamos
chegado em primeiro lugar na nossa categoria. E, particularmente, não estava
muito confiante, mas a ficha só caiu quando chamaram meu nome e o Marcelo na
hora da premiação. Nos dirigimos ao palco e levamos a bandeira do Prevela. Foi
um orgulho subir ao pódio.
Para quem queria apenas participar da Transararuama, chegar em primeiro
foi muito mais do que eu havia pensado. Que venham mais!






















































