Escalada na Verruga do Frade
Vídeo da Escalada na Verruga do Frade
Relato da Escalada na Verruga do Frade
Tem escaladas que marcam. A Verruga do Frade foi uma delas. Coisas do tipo que só que faz vai entender. O motivo, nem sempre tem uma lógica, talvez pelo momento, talvez pelo desafio, talvez pelas pessoas que estavam presentes, ou tudo isso junto... O que eu sei é que ela tem um significado especial para mim. Tive a oportunidade de subi-la em duas oportunidades. Já fazia um tempo que queria voltar, mas nas outras oportunidades que havia marcado, o tempo não ajudou. Mas dessa vez foi diferente. As condições estavam perfeitas. Então vamos ver como foi.
Já havia combinado com o Velhinho de escalar a Verruga na ATM do Parque Nacional da Serra dos Órgãos - PARNASO, porém, na semana anterior ao evento, ele disse que não poderia ir. Como já havia aberto a escalada na grade de atividades do Clube Niteroiense de Montanhismo, precisava de alguém que pudesse me ajudar nessa empreitada. Lembrei do João, pois já havíamos tentado ir uma vez, mas as condições do tempo não permitiram. Durante a semana, algumas pessoas desistiram e outras confirmaram e assim fechamos e combinamos tudo para o dia.
Saímos de Niterói as 5h. No carro fomos eu, Igor e João. Paramos na estrada para tomar um café da manhã e de lá seguimos para a sede do Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Até que estava vazio, já peguei dias mais complicados. Encontramos o Léo e a Sarah, que iriam conosco. Preenchemos o termo e de lá, seguimos para o estacionamento, onde deixamos os carros e iniciamos a caminhada.
Estava uma manhã relativamente fresca, se comparada à outras vezes que havia ido ao PARNASO. Antes de começar a trilha após a barragem, já havia tirado a segunda pele. Caminhamos rápidos e fizemos uma pequena parada no local do Abrigo 1. Dali seguimos direto até ao ponto onde ficava o Abrigo 2, o início da trilha de acesso. Aproveitei para pegar água, mesmo com o Jorge falando que tinha água lá embaixo. Porém, não tinha certeza se encontraria água nos pequenos córregos mais abaixo, preferi não arriscar e enchi as duas garrafas.
Começamos a caminhar e de cara já deu para perceber que estaria bem fechada. Num ponto, fiquei na dúvida se estaria certo, foi preciso olhar com calma para poder confirmar o caminho. Seguimos descendo e no ponto onde poderíamos pegar água, estava praticamente seco. Daria muito trabalho para conseguir água ali. Ainda bem que peguei água lá em cima.
Continuamos no trecho bem fechado e já ligou o alerta para a volta, tínhamos que passar naquele trecho ainda com luz do dia. A caminho abriu, e já estávamos próximo da pior subida. Assim que entramos nela, havia uma árvore caída que dificultou bastante. Ainda passamos por alguns trechos ruins, até que havíamos chegado à crista. Ali melhorou e seguimos subindo sem problemas. Mais acima, pegamos um trecho com forte erosão e tivemos que literalmente fazer uma escalada em barranco, até brinquei que essa modalidade não havia sido abordada no Curso Básico.
Enfim, havíamos chegado ao “Paredão Roi Roi”, um pequeno trecho de escalada. Para agilizar o João Pedro subiu e fixou uma corda e seguimos por ela. Fomos bem rápidos. Algumas nuvens encobriram o Nariz do Frade, mas foi só avançarmos um pouco que ele apareceu e aí pudemos ter noção exata de sua dimensão. Já estávamos quase na base e precisamos de poucos minutos para estarmos de frente para a grande chaminé. Aproveitamos para descansar, comer algo e nos preparar para a escalada.
Como já havia guiado essa chaminé, o João tomou a dianteira e para adiantar, deixaríamos duas cordas fixas para os participantes. O João optou por subir mais para dentro, justamente na parte mais estreita. E não foi fácil. De baixo vi que estava duro, mas ele seguiu firme. Depois que chegou ao platô, comecei a subir e optei em começar bem por fora, onde a chaminé é mais larga. Como ele optou por costurar o segundo grampo, isso dificultou um pouco, mas logo que cheguei lá, tirei a costura e voltei para a parte de fora.
Eu havia emprestado minha joelheira para o João, e tive que pegar uma emprestada com o Igor, pois ir lá na parte estreita, detonou meu joelho. Depois que consegui puxar a joelheira e colocá-la, com muita dificuldade, a escalada fluiu melhor. Então ficam essas três dicas: Escalar por fora (parte mais larga da chaminé); não costurar o segundo grampo (esse bem para dentro e na parte estreita); e levar uma joelheira.
Já no platô, descansei um pouco e ajeitei as cordas, puxando uma para preparar a subida da próxima enfiada. Aquele lance do platô antes de entrar no buraco estava completamente seco. Dei umas dicas para o João que tocou rápido. Enquanto ele subia, a Sarah chegou e descansou um pouco. O Igor e o Léo vieram em seguida, também escalando por fora. Depois que eu tirei a costura do grampo de dentro, ficou mais fácil para quem vinha atrás.
Assim que o João chegou, passei as dicas para a Sarah e comecei a escalar. Subi rápido esse trechinho e entrei no buraco, me posicionando bem. Segui agachado, procurando os bons pés que tem ali, até chegar ao final do corredor. Ali tem algumas pedras entaladas que lembram o filme “127 Horas”. Quem já viu, vai entender... Subi e a Sarah veio em seguida. Aproveitei para descansar um pouco e comer algo. Fiquei olhando para a o trecho da Travessia da Neblina para ver se encontrava o Jorge, mas nada. O livro de cume estava fora do local e completamente enxarcado. Uma pena. Separei ele para levar, já recuperei alguns. Esse com certeza tinha jeito.
Depois de um lanche rápido, nos preparamos para subir a Verruga, um grande matacão em cima do Nariz do Frade. Passei para o João uma fita longa que ele colocou no penúltimo grampo. Fixou novamente a corda. Dali subimos direto enquanto o Igor o Léo chegavam. Lá no cume conseguimos uma visão 360º. Desde a Baía de Guanabara ao fundo até Teresópolis. Um espetáculo. O Dedo de Deus bem a nossa frente roubava a cena. Conseguíamos ver algumas pessoas no Cabeça de Peixe.
O Léo e o Igor chegaram em seguida e juntos pudemos comemorar. Uma escalada fantástica. As condições estavam perfeitas. Nesse momento o Jorge nos chamou de longe fez algumas fotos bem de longe. O tempo foi passando e o caminho de volta era longo. Estava na hora de descer. Montei o rapel, sem lembrar muito bem se com uma corda só daria para chegar ao platô. Comecei a rapelar logo vi que chegaria tranquilamente. No grande platô novamente, comecei a preparar o segundo rapel, esse com duas cordas de 60 metros, para ir direto à base.
O João chegou e me ajudou. Dali, descemos até a base e reforcei o lanche. Nos arrumamos e começamos a descer a trilha. Tinha a preocupação de pegar aquele trecho final sem luz do dia, mas de acordo com meus cálculos, daria tempo. Fizemos um rapel o “Roi Roi” sem problemas e chegamos no local do antigo Abrigo 2 com pouca luz. O suficiente. Ainda caminhei um bom trecho sem lanterna, acendendo apenas depois do antigo Abrigo 1. Aí, foi só andar...
Fui descendo na torcida de conseguir tomar um banho quente na área de camping. E não é que a torcida deu certo? Tomei um banho, que reforçou o ânimo. Passamos no evento, onde consegui comprar algo para comer e de lá seguimos viagem de volta.
Muita gente costuma pedir..., mas eu gosto sempre é de agradecer a oportunidade que eu tenho de poder estar nesses lugares e sempre bem acompanhado!


























































