quarta-feira, 8 de julho de 2026

Regata Transararuama 2026

Por Leandro do Carmo

Regata TransAraruama 2026

Data: 02/05/2026
Local: São Pedro da Aldeia – RJ
Participantes: Leandro do Carmo e Marcelo de Barros

Regata Transararuama 2026



Histórico da Regata TransAraruama

A Regata TransAraruama é o maior evento de vela da Região dos Lagos (RJ), realizado anualmente na Laguna de Araruama — a maior lagoa hipersalina do mundo. A competição reúne centenas de velejadores profissionais e amadores em um cenário privilegiado entre os municípios de São Pedro da Aldeia e Araruama, consolidando-se como referência no turismo esportivo e náutico da região.

A regata carrega uma trajetória de mais de 30 edições históricas, originalmente promovidas pelo Camping Clube do Brasil (CCB), cuja chegada acontecia na antiga sede do clube em Ponte dos Leites, hoje desativada. Essa longa tradição evidencia a vocação náutica antiga da Laguna de Araruama.Em maio de 2024, o evento ganhou uma nova era ao ser retomado oficialmente pela AVELA – Associação dos Velejadores da Lagoa de Araruama, que assumiu a organização e o transformou em um evento anual de domínio público, estando na sua terceira edição.

A largada acontece Praia da Praça das Águas (Praça Hermógenes Freire da Costa), no centro de São Pedro da Aldeia, escolhida pela excelente infraestrutura — tendas, cercados para guarda dos barcos, banheiros e segurança. A chegada é na Praia das Virtudes, em Praia Seca (Araruama), local livre de pedras e bancos de areia, com ampla área para atracação segura e suporte da Escola de Vela UPWIND 1.

Vídeo da Regata Transararuama

Relato da Regata Transararuama

Eu acompanhei a criação da AVELA e os trabalhos para reativar a Transararuama e tinha uma vontade muito grande em participar dessa regata. A primeira regata do que eles apelidaram da “era moderna” foi em 2024 e eu não tinha experiência para poder participar. A de 2025, não consegui ajustar a logística. Não poderia deixar passar esse ano. A opção que tinha para esse ano era ficar na casa da minha avó em Figueira e partir dali, visto que o final da regata era em Praia Seca, bem ao lado. Meu irmão topou ajudar na logística, me levando até São Pedro da Aldeia e retornando com o carro. Assim, combinei com a família de aproveitar o feriado lá na região.

Primeira parte da logística foi ajustada. Faltava agora resolver se eu iria sozinho no meu Europa ou se conseguiria levar algum Dingue para correr com alguém. Confesso que estava bem na dúvida, pois a regata do ano passado foi muito dura por conta do forte vento. Não sabia se estava preparado. O tempo foi passando e conversando com o Marcelo, ele topou de participar. Com uma pessoa mais experiente, ficaria mais fácil. Com tudo resolvido, era preparar tudo e escolher o barco na qual iríamos.

O Marcelo acabara de reformar um Ipanema que ele havia adquirido e ele sugeriu que fôssemos nele. Aceitei de primeira e começamos a nos organizar. Primeiro, sugeri que ele fizesse um reforço no ponto os estais eram presos no mastro. Outro ponto, foi a reforma da parte elétrica do reboque, que tive que ajustar. Foi tudo muito corrido, mas conseguimos resolver os pequenos problemas.

Combinamos de viajar na sexta-feira e passaríamos no Prevela para pegar o barco. Mas lembra quando falei que foi tudo corrido? Pois é... Na sexta, meu pai conseguiu um eletricista para fazer a parte elétrica e deixou os cabos montados nas lanternas, eu precisava só colocar no reboque. Só que quando fui fazer isso na quinta a noite, os fios eram pequenos e tive que aumentar tudo e tome cortar fio, descascar fio, emendar fio, parafusar lanterna.... Como tudo pode piorar... Estava escuro e usava uma lanterna de cabeça para conseguir enxergar, até que começou a chover. Aí foi derrota. Ter que ficar lá na chuva, não foi fácil. Mas ao final, deu tudo certo.

Na sexta de manhã, acordei cedo e seguimos para o Prevela. Lá amarramos o barco e pegamos todo o equipamento que levaríamos. Tinha bastante coisa. Ainda bem que o carro é grande. Seguimos viagem e logo após o Cafubá, um caminhão da CLIN, saiu sem sinalizar. Freei mais forte e um carro que vinha atrás deu uma leve batida, ainda bem não amassou nada... Primeira ocorrência... Já estávamos em Praia Seca, quando o carro da frente parou e na hora que pisei no freio, o carro não parou. Bati na traseira do carro da frente... Nada demais, porém o carro da frente amassou a tampa do porta-malas e eu fiquei com o capô levemente empenado. Segunda ocorrência... Pensei: “Pronto, vai dar tudo errado!”

Chegamos à casa da minha avó e aproveitei para dar um pulo na lagoa e tomar um banho. Não era sal grosso, mas do jeito que a lagoa de Araruama é salgada, achei que daria o mesmo resultado. Almoçamos e começamos a fazer os ajustes finais no barco. O que não foi fácil, terminamos por volta das 22h, porém tudo resolvido e prontos para a Transararuama.

Acordamos cedo e seguimos para São Pedro da Aldeia. Fizemos uma vigem rápida, fui bem devagar, já sabendo do problema no freio do carro. Chegamos cedo e conseguimos um excelente lugar para estacionar. Já tinha bastante barco e aos poucos mais barcos foram chegando. Montamos o nosso e aproveitei para regularizar a inscrição do Marcelo, para podermos conectar no aplicativo que seria utilizado para monitoramento durante a regata. Encontramos alguns amigos e o clima era bem agradável. Participamos da reunião de comandantes, que deu as orientações finais para a regata. Agora era só esperar o momento da largada.

Pelo cronograma, seríamos o segundo grupo a largar. E o procedimento para essa largada era ficar com o barco na água e após o sinal, subir no barco e partir. Fizemos os últimos ajustes e fomos para a água. Aguardamos o primeiro grupo sair e nos posicionamos, a espera da nossa vez. Largamos e seguimos em direção ao nosso destino. O Vento estava bem fraco e a velejada rendia pouco. Velejamos boa parte desse início acompanhando dois barcos da classe snipe. Começamos bem e bem ao fundo podíamos ver os outros barcos que largaram depois que a gente. Mantínhamos a distância.

Seguíamos velejando e em alguns pontos estava bem raso e era possível ver o fundo da lagoa. Dadas as condições e direção do vento, resolvemos levantar a vela balão. Eu nunca havia velejado com esse tipo de vela e sempre achava bem bonito. É claro que nosso barco não se comparava aos oceânicos, onde a vela balão se destaca, mas tem seu charme. Nesse momento assumi o leme e o Marcelo seguiu mareando a vela. Foi bem estressante e difícil, mas conseguimos seguir com um bom rendimento. Estávamos aproados à ponta da Acaíra, evitando ao máximo entrar nas enseadas. Em dados momentos, ficava numa posição bem desconfortável.

O vento foi aumentando e precisávamos acertar o rumo do ponto onde deveríamos montar a boia. A vela balão já não rendia tanto e decidimos descê-la. Mas não foi tão fácil quanto eu pensava. Mesmo tendo testado algumas vezes em terra, me enrolei um pouco e perdemos um pouco de tempo. Ajustamos tudo e continuamos em direção à boia. O vento foi melhorando e pelo arquivo do tracklog, atingimos a maior velocidade nesse trecho. Alguns barcos passavam bem distantes, outros mais próximos. Perto de montar a boia, vimos que alguns barcos se afastavam muito e resolvemos mudar a estratégia e em vez de montar a boia e voltar, seguimos mais e aí sim alteramos o bordo. Consegui descansar um pouco, estava exausto. E assim fomos seguindo até cruzar a linha de chegada.

Passando pelo barco da comissão, perguntamos em qual posição havíamos chegado e nos falaram que éramos os primeiros da nossa categoria. Bom, era esperar para ver. Já estava exausto. Procuramos um local para poder chegar com o barco e meus filhos me viram de longe e começaram a acenar. Seguimos até lá.

Não foi fácil, mas a missão estava cumprida. Foram 5 horas de velejada, percorrendo, aproximadamente, 28 km. Descansei um pouco e começamos a desmontar o barco e arrumar tudo. Meu irmão e meu tio nos ajudaram. Aproveitei para comer algo e dar uma volta para curtir o evento. O Marcelo confirmou que havíamos chegado em primeiro lugar na nossa categoria. E, particularmente, não estava muito confiante, mas a ficha só caiu quando chamaram meu nome e o Marcelo na hora da premiação. Nos dirigimos ao palco e levamos a bandeira do Prevela. Foi um orgulho subir ao pódio.

Para quem queria apenas participar da Transararuama, chegar em primeiro foi muito mais do que eu havia pensado. Que venham mais!


Regata Transararuama

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