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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos

Por Leandro do Carmo

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos

Dia: 02/08/2026
Local: São Fidélis/Campo - RJ
Participantes: Leandro do Carmo, Jefferson Figueiredo e Markley Santos

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos




Estatísticas da remada:


Trecho total remado: 55 km
Tempo: 7h 45min

Trecho remado:


Veja também os outros trechos do projeto:

São Fidelis x Campos
Campos x São João da Barra (previsão para março 2027)

O Rio Paraíba do Sul

O Rio Paraíba do Sul é um rio extenso sendo recurso extremante importante para três estados do sudeste brasileiro: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Nasce na serra da Bocaina em São Paulo e desemboca na praia de Atafona em São João da Barra - RJ possuindo 1.340 km de extensão abrangendo 150 cidades e 20 milhões de pessoas.  

Ao longo de seu trecho o rio adquire várias formas e tem características bem específicas: ora estreito, ora largo, ora turbulento, ora calmo, às vezes represa e volta a ser rio, ora poluído, ora preservado, sim é isso mesmo, preservado e com mata ciliar e vegetação exuberante e é esse rio Paraíba do Sul que pouca gente conhece.  

No Médio Paraíba, mais especificamente do trecho de Além Paraíba-MG a São Fidelis-RJ, o rio Paraíba do Sul possui águas turbulentas com corredeiras e cachoeiras, predominância de ilhas, é largo e com uma vegetação ciliar ainda bem preservada. Famoso pela piscosidade e referência na pesca esportiva de dourado e robalo. Em uma grande extensão não existe cidades em suas margens, o que contribuí para renovação de suas águas, além da própria oxigenação causada pelas corredeiras. Ele também recebe as águas de vários afluentes. Fonte:  ACAI

Vídeo da Remada São Fidelis x Campos

 

Relato da Remada São Fidelis x Campos

Essa foi a terceira etapa do nosso projeto de remar de Porto Velho do Cunha até a foz do Rio Paraíba do Sul, no balneário de Atafona, em São João da Barra. Já havíamos vencido os dois primeiros trechos — Porto Velho do Cunha a Itaocara, com 58,6 km, e Itaocara a São Fidélis, com 55 km. A última remada tinha sido em 2024 e, por uma sequência de desencontros, não conseguimos manter a ideia inicial de fazer uma etapa por ano. Estávamos atrasados. Dessa vez, no entanto, a remada tinha que sair.

Antes de qualquer coisa, era preciso conciliar o período em que o Markley não estivesse embarcado. Resolvido isso, veio a parte mais trabalhosa: a logística. São Fidélis fica a 310 km de Niterói, e nada seria exatamente simples. Meu irmão se prontificou a me levar até São Fidélis e me resgatar em Campos. O Jefferson, vindo de Itaocara, combinou sua logística com o Markley, que mora em Campos.

Para facilitar um pouco, resolvi ir para Rio das Ostras na sexta-feira. Assim poderia descansar mais e ainda encurtar a distância até São Fidélis. Chegamos a cogitar dormir por lá no sábado, mas acabamos decidindo acordar cedo no domingo e seguir direto para o ponto de partida. A viagem até Rio das Ostras foi tranquila. No sábado, preparei a comida e separei tudo o que precisava levar. Ficou combinado: sairíamos na madrugada de domingo, às 3h15min.

Como previsto, acordamos ainda no escuro e pegamos a estrada. No caminho até Campos, não se via quase nada; a noite ainda dominava a paisagem. Só na RJ-158, já em direção a São Fidélis, começamos a enxergar melhor o contorno das montanhas ao fundo. No mirante do Morro do Gambá, a vista foi um anúncio generoso do que nos esperava naquele dia. Às 6h20min chegamos a São Fidélis. A cidade ainda despertava lentamente, com ruas vazias e comércio fechado.

Peguei a localização do ponto de encontro e seguimos até lá. Chegamos praticamente juntos. Separamos o material e descemos para a casa da família do Fabinho, morador de São Fidélis, que gentilmente nos recebeu e deu esse apoio logístico. Ali tomamos café da manhã e nos preparamos para o desafio.

Nós nos despedimos do Fabinho e colocamos os caiaques na água. A manhã estava bonita e agradável. Ao tocar o remo na água, comecei a deslizar suavemente, como se a superfície da água fosse veludo. Aos poucos, a ansiedade foi cedendo espaço à realidade: estávamos finalmente no Paraíba do Sul, passando por baixo de uma das pontes de São Fidélis, com o Fabinho acenando ao longe e nos desejando boa sorte.

Daquele ponto em diante, o foco era o destino. Fiz questão de registrar aqueles primeiros momentos. A água do Paraíba estava clara, deixando ver algumas pedras no fundo. O rio nos recebia com calma, e aquela tranquilidade inicial ajudava a transformar a expectativa em movimento.

Entrávamos em um trecho bem diferente dos anteriores. Não enfrentaríamos mais corredeiras. Não por acaso, já no fim do século XIX e início do século XX, essa parte do rio era navegada por embarcações a vapor. Havia linhas regulares entre São João da Barra, Campos e São Fidélis, transportando passageiros, café, açúcar e mercadorias diversas.

Eu acreditava que seria um trecho mais fácil. As corredeiras dos trechos anteriores ajudavam o caiaque a descer o rio, mas também exigiam força constante para manter o rumo. No fim, consumiam muita energia, principalmente quando o cansaço começava a pesar. Agora, a promessa era outra: um rio mais lento, mais aberto, talvez mais silencioso.

O sol apareceu de frente, mas o dia seguia agradável. Por enquanto, isso não era problema. O rio permanecia quase como um espelho, refletindo muito mais do que as margens: refletia também meus pensamentos. Comecei a lembrar de toda a logística necessária para chegar até ali. Não foi simples. Talvez seja justamente esse caminho invisível, feito de combinações, deslocamentos e ajustes, que impeça muita gente de repetir aventuras como essa.

De volta ao que importava, segui remando. Minhas referências eram as serras e os morros que acompanhavam o curso do rio. A primeira grande marca na paisagem foi a Serra do Sapateiro. O rio corria devagar, e precisávamos desviar de vários bancos de areia. Nessa época do ano, a vazão está bem baixa. Como nos trechos anteriores, havia poucas construções nas margens, mas também poucas árvores. A história da ocupação da região ajuda a explicar essa paisagem: fazendas de café, criação de gado e, mais adiante, a força da produção açucareira moldaram por muito tempo as margens do Paraíba.

Passamos por algumas casas, poucos pontos de parada e, sem perceber, já estávamos passando pela Serra do Sapateiro. Logo depois, alcançamos o Morro do Gambá, onde fica um mirante na qual passamos pela estrada. Lembrei da vista lá de cima e me imaginei como um ponto minúsculo no meio daquela imensidão de água.

Assim que o morro ficou para trás, fizemos a primeira parada. Já havíamos remado 22 km, e era hora de descansar e comer algo mais consistente. Dessa vez, preparei melhor minha alimentação e fui consumindo pequenas porções ao longo da remada. Isso fez diferença. Paramos em um dos muitos bancos de areia do caminho, fizemos algumas fotos e aproveitei para alongar as costas, que começavam a incomodar. Ao fundo, havia um povoado — o segundo com alguma relevância desde o início da remada. Depois do descanso, voltamos aos caiaques e seguimos rio abaixo.

Nossa estratégia era remar perto da margem, onde o rio corria um pouco mais rápido e podíamos aproveitar sua força. Pelo tracklog, dá para ver que seguimos bem colados à margem direita. Depois de mais uns 10 km, os morros começaram a diminuir, e a paisagem foi se abrindo. À medida que o rio se aproxima de Campos dos Goytacazes, o vale se transforma em uma extensa planície. Foi essa paisagem que ajudou a fazer de Campos um dos principais centros produtores de açúcar do Brasil Imperial. O Paraíba do Sul oferecia água, fertilidade e caminho para sustentar engenhos, usinas e o movimento econômico da região.

A mudança no cenário ficou cada vez mais evidente. As margens foram se transformando em barrancos, e as balsas de extração de areia passaram a aparecer com mais frequência. A paisagem já não tinha o mesmo encanto. Se antes a mudança era percebida aos poucos, agora ela se impunha de forma clara — e, sinceramente, menos agradável. Já tínhamos passado da metade da remada, segundo meus cálculos. Os bancos de areia se tornavam mais constantes, e continuávamos avançando junto à margem direita.

Passamos pelo distrito de Santa Cruz com cerca de 45 km remados. Eu estava relativamente bem, sobretudo quando comparava meu estado às remadas anteriores. Depois de aproximadamente duas horas, fizemos mais uma parada em outro banco de areia. Era um descanso merecido. Comi mais um bom lanche e tentei recuperar energia. Dali em diante, entraríamos no trecho final.

Até aquele momento, as condições eram quase perfeitas: dia fresco e vento a favor. Quando fechamos a data, comecei a acompanhar a previsão do vento na região. Não era a melhor época do ano, mas também não era a pior. Nos dias anteriores, ventos fortes castigavam a área, especialmente à tarde, quando costumavam ficar contra o sentido da remada. Isso poderia complicar bastante. Mas a previsão para aquele domingo era favorável. Sorte? Muita. Cabia a nós aproveitar.

Como a hora da possível mudança do vento se aproximava, voltamos logo para o rio. Aproveitei para aumentar o ritmo. O trecho era mais monótono e, se comparado ao que já havíamos visto, bem menos bonito. A água estava mais turva. As margens, erodidas, exibiam barrancos, árvores caídas e várias balsas de retirada de areia. Era um cenário desolador.

Mesmo assim, eu seguia em bom ritmo. O Jefferson e o Markley brincaram dizendo que era efeito do Todynho que eu tinha tomado. Apertei ainda mais a remada, já pensando no vento contra que poderíamos encontrar. Naquele momento ele entrava de lado, mas aumentava aos poucos. Ao fundo, os primeiros prédios começaram a aparecer. Era o sinal de que o fim estava próximo.

Ao passar pelo Rio Muriaé, até o cheiro da água mudou. Estávamos definitivamente entrando na área urbana. Foi inevitável sentir certa tristeza ao perceber essa transformação da paisagem. O vento entrou como previsto: mais forte e contra. Mas já estávamos na reta final. De tempos em tempos, uma rajada mais intensa vinha pela frente. Assim que cruzamos a primeira ponte, conseguimos ver o ponto de chegada. Seguimos juntos e, já próximos do Cais da Lapa, nos reunimos para comemorar. A terceira etapa estava concluída.

Dessa vez, cheguei mais inteiro do que nas duas etapas anteriores. Arrumamos tudo. Jefferson e Markley retornaram para São Fidélis. Eu segui para Rio das Ostras. E foi aí que começou a segunda etapa da aventura — aquela que ninguém costuma imaginar quando vê apenas as fotos bonitas.

Pegamos a estrada no fim de um dia bonito. Deixamos Campos para trás e seguimos em direção a Rio das Ostras. Depois de passar a segunda entrada para Conceição de Macabu, já com quase uma hora e meia de viagem, uma fumaça estranha começou a sair do carro. Paramos no acostamento. O radiador estava sem água. Não havia como continuar.

Acionamos a concessionária da rodovia e, depois de uma boa espera, o reboque chegou e nos levou até um posto próximo. Por sorte, havia um restaurante. Liguei para o seguro, pedi outro reboque para levar o carro e também um táxi para nos buscar.

O reboque veio relativamente rápido, mas o táxi demorou. O restaurante fechou, e ficamos do lado de fora. Estava frio, a noite avançava, e o sinal de celular era ruim. Não foi fácil manter contato com a seguradora. Resolvi então pedir um carro por aplicativo. Por sorte, um motorista aceitou a corrida. Quando chegou, explicamos a situação. No início ele hesitou em nos levar, afinal estávamos em cinco, no meio da estrada, sem sinal e com o posto prestes a fechar. Mas, ao perceber a situação, acabou aceitando.

Chegando a Rio das Ostras, deu tempo apenas de tomar um banho e seguir para casa. Meu irmão nos deixou em Niterói e depois ainda seguiu para Guapimirim. No fim das contas, havíamos saído às 3h da madrugada de domingo, e eu só cheguei em casa às 3h da madrugada de segunda. Três horas depois, às seis da manhã, já estava de pé para ir trabalhar.

Quando olhamos as fotos bonitas de uma aventura, quase nunca imaginamos tudo o que existe por trás delas: os quilômetros de estrada, os imprevistos, o cansaço acumulado, o frio no acostamento, a logística improvável e a teimosia de continuar. Mas talvez seja justamente isso que dê sentido à história. Afinal, o que não fazemos por uma aventura?

E assim, estava concluída mais uma etapa. Rio Paraíba do Sul, vivo! 

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos


Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos


Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos


Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos



quinta-feira, 12 de março de 2026

Travessia das Lagoas de Maricá de Caiaque

Por Leandro do Carmo

Data: 17/01/2026
Local: Maricá – RJ
Participantes: Leandro do Carmo, Leonardo Carmo, Leandro Conrado e Ricardo Bemvindo


Travessia das lagoas de maricá de caiaque




Histórico e Curiosidades

O sistema lagunar de Maricá é composto por um complexo de quatro lagoas principais interligadas, que se estendem paralelamente ao litoral. 

Principais Lagoas e Localizações

  1. Lagoa de Guarapina: Fica na extremidade leste do complexo, banhando os bairros de Ponta Negra, Bambuí e Cordeirinho. É conectada ao mar pelo Canal de Ponta Negra.
  2. Lagoa do Padre: Uma lagoa menor situada entre a Lagoa da Barra e a de Guarapina, próxima ao bairro de Cordeirinho.
  3. Lagoa de Jacaroá: Embora tecnicamente um braço ou enseada da Lagoa de Maricá, é frequentemente tratada de forma individual devido à sua fama pelo fenômeno da bioluminescência (águas que brilham no escuro), observado recentemente em 2025 e 2026. 
  4. Lagoa de Maricá: É a maior do sistema, banhando o distrito-sede e bairros como Araçatiba (onde fica a famosa orla de lazer), Itapeba, São José do Imbassaí e Marine.
O Complexo Lagunar de Maricá é um dos mais importantes sistemas lagunares costeiros do estado do Rio de Janeiro. Localizado no município de Maricá, na Região Metropolitana Leste Fluminense, o conjunto de lagoas se estende paralelamente ao litoral, entre o Oceano Atlântico e a Serra da Tiririca, formando uma paisagem singular que combina água doce, água salobra, restingas, manguezais e áreas de Mata Atlântica.

Caminho Percorrido


Caminho percorrido no Wikiloc

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Vídeo da Travessia das Lagoas de Maricá de caiaque


Relato da Travessia das Lagoas de Maricá de caiaque

Já havia tentado marcar essa remada, atravessando as Lagoas de Maricá, há um bom tempo. Mas a logística sempre foi um fator complicado. Fazer isso sozinho, era quase impossível. O tempo foi passando e nos últimos anos, com o grande processo de urbanização promovido pela prefeitura de Maricá e financiado pelos royalties do petróleo, foi ficando mais fácil conseguir montar o roteiro. Analisei as imagens de satélite e foi possível dividir o percurso em quatro partes: Ponta Negra x Bambuí, Bambuí x Guaratiba, Guaratiba x Boqueirão e Boqueirão x Amendoeiras. Todos os trechos com, aproximadamente, a mesma distância. O roteiro estava pronto, mas ainda existia a dúvida se seria possível cruzar os canais. A dúvida é se eles estariam assoreados.
Durante a Travessia da Juatinga, eu, meu irmão, Leandro Conrado e o Ricardo, combinamos de fazer essa remada. Definimos a data e acertamos toda a logística. Fez bastante calor durante a semana e optamos por chegar bem cedo e começar a remar logo, pois por volta das 9h o calor já estava insuportável. Nos encontramos no caminho e deixamos um carro no ponto onde terminaríamos a remada, assim poderíamos voltar e pegar os carros que deixaríamos no início da remada.
Atrasamos um pouco e começamos a remar às 6h 40 min. Um pouco depois do que havíamos programado. O tempo estava levemente nublado. Não ventava. Olhava e via a lagoa bem lisa, sinal de remada tranquila. Com tudo pronto, fomos para a água. Saímos bem ao lado da boca do canal. Esse primeiro trecho remaríamos pela lagoa de Guarapina, até a orla de Bambuí. Esse trecho foi tranquilo, foi remada para aquecer. Eu e meu irmão desenvolvemos bem, mas o Ricardo e o Leandro ficaram um pouco para trás, pois estavam num caiaque duplo aberto e ele não tem um desempenho tão bom.
De longo não era possível ver a entrada do canal de Bambuí, mas à medida que fomos nos aproximando, foi possível vê-lo. Logo na entrada, passamos pelo deck de Cordeirinho e seguimos pelo canal. Avançamos e entramos num trecho onde estávamos ao lado eu uma rua, já em área urbana. Cruzamos uma ponte e chegamos ao ponto onde havia marcado para fazer a primeira parada. Nem chegamos a desembarcar, pois não havia um bom local. Bebemos uma água e descansamos um pouco.
De volta a remada, entraríamos no ponto de maior dúvida da travessia: a ligação entre o canal e a Lagoa do Padre. Seguimos remando e cruzamos com alguns grupos de Flamingos, num espetáculo a parte. Nesse trecho, já chegando à Lagoa do Padre, a profundidade despenca para alguns centímetros e em alguns pontos o fundo do caiaque arrastava. Era preciso tomar cuidado e escolher o melhor caminho para não ficar preso. O fundo era de lama e quando arrastava o remo, via aquele lodo subir. Nesse trecho também percebi que havia tido alguma obra de desassoreamento, pois nas bordas, havia vários depósitos de areia. Ainda bem que tinham trabalhado no local, acho que seria bem difícil ter passado ali há um tempo. Do outro lado, mais um grupo grande de Flamingos e próximo a gente, um grande grupo de aves. Tentei me aproximar um pouco, mas o caiaque encalhou.  Voltei e continuei a remada.
Depois desse trecho, entramos na lagoa do Padre e as condições não melhoraram. Continuava um trecho raso e tínhamos dificuldade em remar. Ainda bem que foi o trecho razoavelmente mais curso, se comparado aos outros. De longe conseguíamos ver uma ponte e seguimos em direção a ela. Após passar a ponte, entramos no canal de que liga essa lagoa a de Jacaroá. Mais a frente consegui avistar vários barcos, estávamos chegando à Orla de Guaratiba, nosso segundo ponto de parada. Segui até ele e desembarquei. Esperamos o Leandro e o Ricardo chegarem. Aproveitamos para fazer um lanche e descansar. Ficamos ali durante um tempo até que voltamos para a remada, ainda falta um bom trecho.
De volta a água, continuamos no canal e entramos na lagoa de Jacaroá. Atravessamos um longo trecho. Cruzamos a Ponta da Divinéia. Estávamos no trecho mais bonito e preservado de toda a travessia. Depois de ter atravessado o pior, compensou passar aqui. À esquerda, uma bela enseada que merecia uma visita, mas ficará para uma próxima. Cruzamos com alguns pescadores e de lá, seguimos para a enseada da Lagoa do Boqueirão. Ali tem uma excelente estrutura, a melhor de toda a travessia. O Ricardo e o Leandro demoraram um pouco para chegar. Lanchamos e descansamos bem para o último e mais longo trecho da remada. Nesse, não teríamos ponto de apoio. Até agora, seria fácil parar e descansar em algum lugar, caso precisássemos. A travessia agora era direta e pelo meio da maior lagoa do complexo lagunar de Maricá.
Voltamos para a remada. Pela previsão, entraria um vento leste que estaria totalmente a favor da remada. Cruzamos a ponte do Boqueirão e entramos na Lagoa de Maricá. Começamos juntos, mas logo nos distanciamos. E a previsão acertou, o vento começou a apertar e começou as marolas. Como estava a favor, tudo tranquilo. De longe consegui avistar uma ilhota. Era uma que já queria passar por ela, desde quando havia planejado a remada. Segui até ela, mas não desembarquei. Segui remando e fui me aproximando de uma enseada, mas estava percebendo alguma coisa diferente. Quando cheguei mais perto, vi que não era a de Amendoeiras, tivemos que ajustar a rota e seguir remando.
Cruzamos um morro e logo entramos num trecho mais abrigado. O vento mais fraco no local deu um refresco. Seguimos remando até um pequeno píer. Eu e meu irmão esperamos o Leandro e Ricardo chegarem. Colocamos os caiaques na calçada, procuramos uma sombra. Aí foi esperar a logística dos carros.
Enfim havia saído a tão esperada Travessia das Lagoas de Maricá. Agora sei que é possível atravessar remando. Qual será próxima remada?
Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque


quarta-feira, 29 de outubro de 2025

XIV Encontro dos Amigos da Canoagem

Por Leandro do Carmo

XIV Encontro dos Amigos da Canoagem

Data: 27/09/2025
Local: Itaocara – RJ
Participantes: Leandro do Carmo, João Carvalho e Alice Carvalho

XIV Encontro dos Amigos da Canoagem





Vídeo do XIV Encontro dos Amigos da Canoagem




Relato da remada

Esse encontro teve um sabor especial. Foi a primeira vez que remei com o João e com a Alice. Eu havia ido a Itaocara para participar do Primeiro Passeio Ecológico – Itaocara x Portela, e o João já estava pedindo para descer o rio. Ao ver que o irmão iria, a Alice também começou a pedir. Tive que dar um jeito de agradar os dois!

Como minha mãe resolveu ir no rafting, coloquei a Alice no bote junto com ela. Consegui um duck com o Jefferson, o que facilitaria a descida com o João. Estava tudo organizado.

Todo mundo foi na sexta-feira à tarde. Eu fui com o Jefferson no ônibus das 19h15. A viagem foi tranquila. Ficamos na casa do Jefferson, à beira do rio Paraíba, e ainda deu tempo de descansar um pouco. Tivemos que acordar cedo, pois o evento estava marcado para as 8h. Arrumamos tudo e seguimos até o Porto do Tuta, na Fazenda Paulo Gama, onde nos preparamos e organizamos os equipamentos para a remada. O duck estava com um furo, então sabíamos que precisaríamos parar de vez em quando para enchê-lo.

Chegou a hora de entrar na água. Entrei com o João e demos as primeiras remadas. Paramos em frente à balsa para a foto e o tradicional grito de guerra: “Rio Paraíba do Sul, vivo!”. Dali seguimos remando, aproveitando o lento fluxo do rio. A Alice parecia não estar muito satisfeita no bote, pois havia ficado no banco do meio, sem remo. Era apenas uma passageira e, ativa como é, eu sabia que ela queria remar também.

Esse primeiro trecho foi bem tranquilo, com alguns pontos onde a água corria um pouco mais forte — nada demais. Porém, para o João, que estava indo pela primeira vez, já era uma aventura. Mais à frente, já era possível perceber o início da corredeira do Urubu. Parei um pouco antes para ajeitar tudo e encher o bote. Sem perder muito tempo, preparamos tudo e começamos a remar, seguindo o fluxo do rio até entrar na corredeira.

O rio estava mais seco que o normal, formando um degrau mais alto nesse início, com uma grande onda logo à frente. Meu irmão virou com o caiaque um pouco mais adiante. Fomos até o alto e descemos com força, vencendo esse trecho. Paramos um pouco mais abaixo, num local onde era fácil encostar o duck.

Continuamos descendo e passamos por mais uma corredeira tranquila. Fomos remando num dia bem agradável, sempre interagindo com outros canoístas que passavam por nós. Mais à frente, paramos junto ao bote onde estavam a Alice e minha mãe. Descansamos um pouco e voltamos à remada. Depois de mais um trecho, resolvi trocar a Alice pelo João, para dar a ela a oportunidade de remar um pouco. Ela curtiu demais! Descemos mais algumas corredeiras e finalizamos no Porto Marinho. De lá, seguimos para o churrasco na Cabana do Peixe Frito, para a confraternização.

Enfim, depois de muito tempo, consegui colocar o João e a Alice para remar no Rio Paraíba do Sul!


XIV Encontro dos Amigos da Canoagem

XIV Encontro dos Amigos da Canoagem

XIV Encontro dos Amigos da Canoagem

XIV Encontro dos Amigos da Canoagem

XIV Encontro dos Amigos da Canoagem



domingo, 13 de abril de 2025

Remada Ilha Grande

Por Leandro do Carmo

Dia: 14/12/2024
Local: Ilha Grande - RJ
Participantes: Leandro do Carmo e Jefferson Figueiredo



Vídeo

Relato

Ilha Grande é um verdadeiro paraíso localizado na Costa Verde do Rio de Janeiro, no município de Angra dos Reis. Com uma área de 193 km², é a maior ilha do estado e a sexta maior ilha marítima do Brasil. Já fui à Ilha Grande diversas vezes, conhecendo locais fantásticos. Mas chegar à ilha remando, ainda não havia feito e estava na minha lista fazia tempo. Falta arrumar companhia. Eu já havia conversado com o Jefferson sobre essa remada e de vez em quando falávamos sobre. Em novembro, havia surgido, enfim, uma data possível.

Remar de Conceição de Jacareí até Abraão não é uma tarefa das mais complicadas. São aproximadamente 12 km. Na semana anterior, estávamos preocupados com as condições do tempo, pois o Jefferson iria com a família e ficaria alguns dias a mais. Mas a previsão melhorou e confirmamos nossa ida. Na sexta feira a noite, amarramos os caiaques em cima do meu carro. No sábado cedo pegamos a estrada e seguimos para Conceição de Jacareí. Ele chegou um pouco mais cedo e nos encontramos numa padaria próximo à estrada. Dali seguimos para o local onde estacionamos os carros.

Dali da praia, conseguia ver o Pico do Papagaio e com isso, ficava fácil identificar a vila de Abraão, nosso destino. Arrumamos tudo e levamos os caiaques para água. Era aproximadamente 9h 30min quando começamos a remar. O dia estava nublado, mas firme. Aquela condição bem agradável. Rapidamente, contornamos a Ilha da Sororoca, que fica em frente a Conceição de Jacareí. O mar estava liso, com pequenas ondulações. Uma leve brisa soprava. Remamos até chegar ao balizamento do canal entre o continente e a Ilha Grande. Foi ali que fizemos nossa primeira parada rápida. Nem sinal de navio, então era remar e cruzar logo o canal. Falo isso, pois já tive algumas experiências de ver um grande navio e achar que dá para cruzar o canal antes dele chegar. Engana bastante e num piscar de olhos ele já está em cima. Só que um grande navio não tem freio como um carro e um caiaque na água é quase imperceptível. Risco grande de um acidente.

Remamos e logo havíamos passado o outro balizamento, indicando que já estávamos fora do canal. O silêncio de vez em quando era quebrado pelas embarcações que faziam o transporte de passageiros para a Ilha Grande. Em alguns momentos nos afastávamos, mas logo estávamos juntos novamente. O ideal é estar sempre o mais próximo possível. Já próximos à entrada da enseada do Abraão, uma corrente mais forte nos obrigava a corrigir o rumo constantemente. Mais alguns minutos e estávamos em frente à praia do Abraão.

Procuramos um melhor local para desembarcar e acabamos saindo em frente ao largo onde fica à Igreja de São Sebastião. Foram cerca de 2h 30min de remada. Já na areia, descansei um pouco e levamos os caiaques para guardar no Hostel onde eu me hospedaria. Carregar aquele peso foi a parte mais difícil. Até tentamos carregar os dois juntos, mas não deu muito certo. O hostel ficava logo após a ponte e demorei um pouco para encontrá-lo. Me surpreendi com a quantidade de pessoas circulando pelas pequenas ruas e vielas de Abraão. Até barulho de carro e máquinas eu estava ouvindo. Coisa que pareceria impossível, se comparado à primeira vez que estive ali, em 2002. Esse trecho que tive que caminhar carregando o caiaque me cobrou um preço. Senti um pouco as costas, mas só sentiria mesmo no dia seguinte.

Com tudo arrumado, tomei um banho e arrumei as coisas. Dei uma volta pela vila e nos encontramos para almoçar, bem próximos de onde ficamos hospedados. Após o almoço, andei até a praia e descansei um pouco num banco em frente à praia. À noite, ainda comemos uma pizza e fui dormir cedo, pois voltaríamos no dia seguinte.

Amanheceu chovendo. Havíamos combinado de tomar café da manhã numa padaria próxima, mas resolvemos esperar mais um pouco, até que a chuva passasse. Isso atrasou um pouco nossa saída. A dor nas costas estava um pouco mais forte e estava com um hematoma na lateral do quadril, justamente onde o caiaque encostava na hora de carregar. Com isso, levamos um caiaque de cada vez do hostel até a praia. Arrumamos tudo, fizemos algumas fotos e iniciamos nosso retorno. Saímos um pouco mais pela esquerda, aproveitando um pouco mais a remada.

Remamos bem e fui tentando encontrar o balizamento do canal. Mas de longe, fica imperceptível. Mais um pouco remando e consegui avistar de longe. Nas minhas contas, metade do caminho. Seguimos no rumo da Ilha da Sororoca. As ondulações estavam um pouco maiores que no dia anterior, mas nada que preocupasse. Estávamos um pouco mais distantes. As costas incomodavam um pouco, mas estava próximo do fim.

Aos poucos a praia foi se aproximando e o fluxo de barcos aumentou consideravelmente. De longe, vi o Jefferson parada já bem próximo da ilha. Cheguei perto e parei também para dar uma descansada. Faltavam poucos metros. Comemoramos o sucesso da remada e fizemos os últimos metros bem devagar. Já na praia, levamos os caiaques para cima e arrumamos tudo. Deu um pouco de trabalho, mas não tinha jeito. Tomei um banho para relaxar e aproveitamos para almoçar um peixe frito num quiosque em frente ao estacionamento. Dali, o Jefferson seguiu para o cais, retornando para Abraão, pois iria embora somente na terça feira. Eu, peguei a estrada de volta para. Enfim, consegui chegar à Ilha Grande remando. 







sábado, 5 de abril de 2025

XIII Encontro dos Amigos da Canoagem

Por Leandro do Carmo

Dia: 28/09/2024
Local: Itaocara - RJ
Participantes: Leandro do Carmo



XIII Encontro dos Amigos da Canoagem

Relato

Nem tudo são flores... Essa foi a minha sexta participação no Encontro dos Amigos da Canoagem de Itaocara. Sempre deu tudo certo, mas sempre tive a certeza de em algum momento alguma coisa poderia sair do planejado. O importante é sempre avaliar e entender os riscos, afinal de contas, no ambiente natural, as variáveis são muitas e nem sempre conseguimos cuidar de todas, basta uma negligência e pronto...

Peguei o último ônibus para Itaocara na rodoviária de Niterói. Dormi a viagem inteira e quase passei do ponto, acordei no susto. Segui para a Pousada 20V, um pouco após o centro de Itaocara. Meus pais, meus filhos, meu tio e meu irmão já estavam lá. Inclusive, eles haviam passado em Além Paraíba para pegar um caiaque que eu havia comprado para remar o terceiro trecho, entre São Fidélis e Atafona. Já havia remado em 2023, o trecho Porto Velho do Cunha x Itaocara e em 2024, o trecho Itaocara x São Fidelis. O objetivo era fechar 2025, remando os trechos São Fidélis x Campos e Campos x Atafona. Mas para isso, precisaria de um caiaque adequado.

O dia estava clareando quando cheguei à pousada. Sentei-me no banquinho ao lado de fora e aguardei um pouco. Assim que a dona abriu a porta para ir comprar o pão para o café da manhã, eu entrei. Fui para a varanda da pousada e percebi o quanto o rio estava seco. Aos poucos todos foram acordando e logo tomei meu café da manhã. Eu e meu irmão fomos na frente, direto para o Porto do Tuta, na Fazenda Paulo Gama. Diferentemente dos anos anteriores, não pararíamos em Porto Marinho.

Aos poucos, os carros foram chegando e o local que estava vazio ficou cheio de caiaques espalhados. Nos reunimos e fizemos o já tradicional grito de guerra do evento: “Rio Paraíba do Sul, Vivo!”. Dali, seguimos para os preparativos finais antes de ir para a água.

Ajustei tudo e fomos para água. Assim que entrei, lembrei que estava sem capacete. Primeiro erro do dia. O Jefferson me lembrou disso um pouco mais a frente, mas já era tarde. Como descemos por alguns trechos com pedras, ter o equipamento de segurança é fundamental. Iniciamos a remada. Tinham menos caiaques que o ano passado, mas estava bonito.

Estava bem com o caiaque novo e fui remando tranquilo. Na primeira corredeira, fui atrás de um bote de rafting e ele atravessou bem na minha frente e acabei virando. Consegui desvirar o caiaque e levar para a margem. Tive um pouco de dificuldade para tirar a água dele, mas consegui ajuda. De volta para a água, continuei a remada e logo chegamos à Corredeira do Urubu. Dei uma parada antes e fiquei no aguardo da melhor oportunidade.

Assim que diminuiu a quantidade de caiaques, resolvi descer. Remei forte para pegar velocidade. Venci o primeiro degrau e logo na primeira onda, perdi o controle e acabei virando. Com a força da água, não consegui desvirar o caiaque que acabou enchendo de água. Com isso a proa afundou, deixando só a popa, que tem um compartimento estanque, para fora. Eu continuei descendo o rio e fui parar só mais embaixo.

De longe, vi algumas pessoas ajudando a tirar o caiaque da água e colocando em cima das pedras. Pensei: “só chegar lá, tirar a água e continuar a remada”. Mas quando eu cheguei perto, vi o estrago. A proa estava completamente destruída. Não tinha como continuar. Nem acreditava que tinha destruído o caiaque nos primeiros 30 minutos de uso!

Dali, fui carregando o caiaque pela margem, com bastante dificuldade, até chegar a uns carros que estavam parados. Ali descansei um pouco e fiquei esperando, pois só iria ter resgate depois que todos terminassem a remanda e voltassem para pegar os carros estacionados. Por sorte, os carros que estavam parados eram de pessoas que estavam acompanhando o evento e consegui levar o caiaque até Porto Marinho.

Avaliando depois, vi que tinha esquecido de colocar algumas boias por dentro para evitar que ele afundasse de proa quando entrasse água. Meu segundo erro. De qualquer forma, já estava feito o estrado. Cheguei à Porto Marinho, quase junto com o pessoal. Ali, amarrei o caiaque no carro e seguimos para o churrasco. Nesse ano, foi realizado no belíssimo sítio Cascata, em Aperibé. Mais uma excelente festa, como música ao vivo da banda Beija Flor Noturno.

Foi uma participação curta, mas fica o aprendizado: nem tudo são flores...