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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Travessia Abraão X Parnaioca - Ilha Grande RJ

Por Leandro do Carmo

Travessia Abraão x Parnaioca - Ilha Grande

Data: 15 a 17 de novembro de 2013
Participantes: Leandro do Carmo, Leonardo Carmo, Marcelo Sá, Patrícia, Ariel e Valdecir

Vídeo em HD




Dicas para a Travessia Abraão x Parnaioca: para ir à Ilha Grande, aconselho ir via Conceição de Jacareí, o tempo de travessia é menor, cerca de 50 min e o primeiro barco sai as 07:30 h; para chegar a Parnaioca pegar a estrada que leva à Dois Rios e em seguida pegar a trilha que começa do lado direito do presídio; na estrada, existe um atalho a direita, logo que começa a descida em direção à Dois Rios, cortando um bom caminho; a trilha de Parnaioca é bem definida e não há bifurcações, o que a torna fácil; tomar cuidado com alguns buracos que existem em algumas passagens estreitas; o que dificulta, é a distância, pois se for fazer a trilha com mochila cargueira terá que estar preparado; existe água durante toda a trilha (não esqueça de levar clorin para potabilizar a água); em Parnaioca existe uma estrutura mínima, tem refeição, mas deve ser avisado com antecedência; não contar com o transporte de barco, pois o mar pode virar, ficando complicado o retorno; o sinal de celular é raro e quando tem, é muito fraco; não pense em atravessar para Aventureiro, as praias do Sul e Leste, são reservas biológicas, respeite; existe número máximos de pessoas que podem estar em Parnaioca, no período do carnaval e reveillon, agendar com antecedência; não deixe de parar para conhecer a praia de Dois Rios e o antigo presídio, hoje Museu do Cárcere.

Eu levei

Equipamento: Mochila cargueira 48L, isolante, saco de dormir, anorak, poncho, calça, bermuda, 3 camisas, 1 segunda pele, boné, tênis, sandália, fogareiro*, 1 panela*, talheres, prato, 1 copo, máquina fotográfica, kit de 1º Socorros, clorin.
*No camping do Silvio, existe cozinha completa.

Alimentação: Comida liofilizada (arroz, feijão, frango desfiado e strogonoff de frango); leite em pó, café solúvel, achocolato em pó, bisnaguinha, polenguinho, suco em pó, açúcar, barras de cereal e isotônico em pó (sportdrink);

Distância percorrida: Aproximadamente 16 km (ida)
Caminho percorrido (em amarelo):






Relato - Travessia Abraão x Parnaioca

Mantendo a minha meta de visitar a Ilha Grande uma vez por ano, estava devendo a minha ida lá em 2013. No ano passado, tive no Pico do Papagaio, escalando a via Aresta do Xilindró, mas dessa vez nosso destino seria outro. Minha intenção era acampar na praia de Parnaioca. Depois de alguns contatos e desistências consegui fechar um grupo. Apesar de não conhecer todo mundo que iria, sabia que poderia confiar nas que estavam indo. Resolvido a questão da logística, comecei a preparar a mochila.

Tomei cuidado para não levar muito peso, afinal de contas, nossa caminhada seria longa. Como era num final de semana prolongado, ficamos com medo de pegar trânsito, com isso, marcamos para sair às 4:30 da manhã do dia 15, uma sexta-feira. Nossa idéia era chegar o mais cedo possível na Vila de Abraão para iniciarmos nossa caminhada.

A viagem foi bem tranqüila, não pegamos trânsito nenhum e chegamos bem antes das 7:00h em Conceição de Jacareí. Atualmente, o melhor lugar para ir até a Ilha: menor tempo de navegação, cerca de 50 minutos; barco toda hora; e estacionamento em frente ao cais.

Como chegamos bem cedo no cais, tratamos logo de garantir nossa passagem. Com o passar do tempo o cais foi enchendo e se não tivéssemos comprado os bilhetes antes, seria um problema. O barco saiu por volta de 7:40. Fizemos uma travessia bem tranqüila e aprazível. O dia estava firme e logo o sol surgiu, garantido uma boa viagem! Chegamos à Abraão e logo procuramos uma padaria para tomar um café da manhã reforçado. Procurei a padaria onde costumava tomar meu café e não encontrei, estava em obra. Aos poucos todos os estabelecimentos vão sendo reformados, acabando com aquele clima de vila de pescador, o que não existe há muito tempo. Uma café da manhã simples que custava R$ 4,00, não custa menos de R$12,00 agora. . . É o preço que pagamos!!!
Depois do café, começamos a caminhar!

Primeiro dia: Abraão X Parnaioca – 15 km

Tempo total: 6h 40 min
Abraão X Dois Rios – 2h 20min (Contando a parada na Piscina dos Soldados)
Dois Rios X Parnaioca – 2 h 30min

O começo da caminhada é feito pela estrada que liga Abraão até Dois Rios, após o campo de futebol. No começo há uma placa com as informações. Seguimos caminho num ritmo bem forte. Afinal de contas tínhamos acabado de tomar um bom café da manhã e todo mundo ainda estava descansado. Fui tão concentrado nesse começo que nem percebi o início da trilha para o Pico do Papagaio. Em alguns pontos da estrada, dava para ver como a enseada de Abraão é bonita. Depois de algum tempo de subida, começamos a descer. Avisei ao meu irmão para prestar atenção, pois há uma trilha à direita que corta caminho, saindo bem Piscina dos Soldados. A placa de início da trilha já não existe mais, quem não conhece, não percebe o seu começo. Com atenção fui olhando e logo avistei a saída.

Começamos a descer e com mochila cargueira, tivemos que muitas vezes nos abaixar para não ficar agarrado nos galhos e bambus que estavam caídos sobre a trilha. A trilha é bem fácil e definida, não tem bifurcação, sendo o melhor caminho a seguir. Fomos caminhando e em pouco tempo chegamos na Piscina dos Soldados, local onde, antigamente, os soldados e guardas que faziam essa caminhada, paravam para se refrescarem. E com a gente não seria diferente: paramos para nos refrescar! Pausa para um banho. A água estava muito gelada, mas depois de uma caminhada forte, foi um alívio para os pés e pernas. Depois de alguns minutos de descanso, voltamos a andar, agora faltava pouco.

Mais alguns minutos andando e chegamos à Dois Rios. Na chegada, fomos abordados pelos guardas que fazem o controle de acesso. Assinamos nossos nomes e destino e fomos até a praia de Dois Rios, que tem esse nome devido ao dois rios que deságuam em suas duas extremidades.. Ficamos no canto esquerdo. Aproveitamos a sombra da grande amendoeira para tirar as mochilas, fazer um lanche e dar uma volta pelo local. Do grupo eu era o único que já havia parado ali. Mas mesmo não sendo minha primeira vez, o local é tão bonito que é impossível não se surpreender! O encontro da do rio com o mar é algo fantástico. A cor da água também. Acho que tudo ali se torna fantástico, é algo único. Uma atmosfera que contagia e causa um bem estar que fica difícil querer ir embora. Mas não podíamos ficar ali o resto do dia, tínhamos, ainda, uma longa caminhada pela frente.

Nos arrumamos e nos dirigimos para o começo da trilha, atravessando todo caminho da praça central e aproveitamos para visitar as ruínas do antigo presídio, hoje transformado em museu, chamado de Museu do Cárcere. Além das fotos e textos que o museu expõe, ouvir as histórias dos antigos moradores falando sobre a época em que o presídio funcionava é uma ótima pedida.

Já estava dando a hora de iniciarmos realmente a trilha do dia! Seguimos para o começo dela, que fica ao direito do presídio. Fomos andando e o grito dos bugios sempre ao fundo, só que agora um pouco mais perto. Deu para perceber que a trilha que liga Dois Rios à Parnaioca já foi bem mais larga do que é hoje, talvez uma pequena estrada.  No tempo em que Parnaioca era uma das vilas mais povoadas da Ilha, esse deveria ser um caminho bem importante. Em pouco tempo chegamos à Toca das Cinzas, local onde os escravos trazidos clandestinamente, eram confinados, aguardando o seu destino.

A trilha a partir daí vai ficando mais bonita. Sempre com o mar à esquerda, ora mais perto, ora mais longe, porém raras as vezes conseguimos vê-lo. Cortamos alguns rios, e passamos por vários buracos, que se fizéssemos essa trilha a noite, deveríamos ter atenção redobrada. Estávamos num ritmo forte. Paramos em alguns pontos para recuperar as energias e encher as garrafas com água fresca.

A trilha é bem tranquila quando se fala em orientação. Não existe bifurcação ou atalho. O grande problema dela é a distância. São aproximadamente 7,5 km, depois de já termos feito uns 7 km de Abraão até Dois Rios. E isso tudo com a cargueira nas costas, que dependendo dos dias que você vai ficar em Parnaioca, pode maltratar!!!! Quem faz o bate volta, nem sente tanto, pois a trilha tem um desnível bem suave.Como estávamos em um grupo de 6, sempre me preocupava com que todos estivessem mais ou menos próximos, não necessariamente um atrás do outro, mas pelo menos ouvindo o barulho. Numa parte da trilha, atravessou um cobra cipó, meu irmão tentou fotografar, mas ela já tinha ido embora. Além dos rios que cruzam a trilha, uma árvore gigantesca chama a atenção. Não tem como passar e não parar para tirar uma foto.

Continuamos a trilha de depois de uma forte descida e 2h 40 min de caminhada, desde Dois Rios, chegamos ao nosso destino. Foi um alívio ver a placa informando onde estávamos! Ainda não sabíamos em qual camping iríamos ficar. Tínhamos algumas indicações, mas decidimos ficar no camping do Silvio. Decisão acertada. Fomos super bem recebidos. Armamos nossas barracas e cada um foi se ajeitando à sua maneira: uns foram dormir, outros almoçar e outros não fizeram nada. . . Eu resolvi almoçar logo, pois a fome também estava forte.

Depois de um bom almoço, fui dar um passeio na praia para conhecer esse verdadeiro paraíso. Realmente uma das mais belas praias da Ilha. Ainda descansei numa rede, em frente a praia, onde pudemos apreciar um fantástico pôr-do-sol. Poucos tem o privilégio de estar onde estou... O silêncio e a calma do lugar contagiam qualquer um!

Já era noite quando voltei para o camping para tomar um banho e jantar. Após o jantar, fomos para a praia. A noite estava linda. A lua nova estava tão clara que nem precisávamos de lanterna. Iluminava tanto que pensei que fosse ver milhares de estrelas... Depois de apreciar a noite voltamos para o camping para descansar. Afinal de contas, o dia foi duro!!!! Esperamos que o gerador fosse desligado e fomos dormir.

Segundo dia: Mirante do João e Cachoeira da Parnaioca

No nosso segundo dia em Parnaioca, acordamos cedo para podermos aproveitar bem. Acordei bem tranquilo, pensei que fosse acordar dolorido, mas corpo aguentou bem! Preparei o café da manhã e ficamos conversando até que todos despertassem... Resolvemos visitar o Mirante do João, uma pedra que fica numa trilha, na parte esquerda da praia, que começa num bambuzal. Não tínhamos muita idéia de onde era, como era, etc., só sabíamos que dava para ver a praia do Sul, Leste e Aventureiro.

Começamos a caminhar e chegamos numa bifurcação. Descendo chegaríamos num costão e reto, provavelmente chegaríamos a este mirante. Resolvemos descer para dar uma conferida. Dali dava para ver toda a praia de Parnaioca, uma bela vista e excelente ponto para pesca. Tinha um grupo que a todo momento levantava um peixe da água. Ficamos por ali alguns minutos e resolvemos conferir o resto da trilha. Começamos a andar e a trilha foi ficando um pouco mais fechada, mas nada que assustasse. O Valdecy e o Ariel, desistiram de continuar e voltaram.

Chegamos a uma grande pedra e pensei que provavelmente seria ali, mas a trilha continuava e a curiosidade de saber onde ela chegaria foi maior. Deixamos para conhecer o mirante na volta. Andamos por mais alguns minutos e logo chegamos no final. Demos de cara com um mar, num costão maravilhoso. Nem sinal de nada, só o canto dos pássaros e o barulho das ondas... Foi difícil ir embora... Bom, não dava para passar o dia todo ali, tínhamos muita coisa ainda para ver! Voltamos até a pedra que achávamos que era o mirante e com a ajuda de uns galhos, subimos nela. Não tínhamos dúvida de onde estávamos! Pela descrição da vista era ali! Víamos a praia do Sul, Leste, Demo, Aventureiro... Um vista diferente! Batemos fotos e voltamos para a trilha.

Já de volta a praia, aproveitei para conhecer o outro lado, onde deságua o rio Parnaioca. Uma surpresa
atrás da outra. Difícil de dizer qual o local mais bonito... Difícil mesmo era querer ir embora! A água cristalina era um convite para um banho. Nem pensei duas vezes, dei um mergulho. Atravessando o rio, perto do mar, tem uma pedra com uma curiosidade. Um filete de água entra por um lado e vai sair alguns metros depois, percorrendo uma laje de pedra, por cima de outra, bem interessante. Aproveitei para pegar uma trilha que segue o rio e fazer algumas fotos. Fui até o ponto em que o rio se divide. Voltei e aproveitei para conhecer a igreja do Sagrado Coração de Jesus.

Voltei para o camping para preparar o almoço e organizar o que faríamos na parte da tarde. Resolvemos que iríamos conhecer cachoeira. Depois do almoço, descansamos um pouco e partimos em direção ao rio. No caminho, finalmente conseguimos avistar os bugios. Eram três, que ao perceberem a nossa chegado, sumiram por entre as árvores. Caminhamos mais um pouco e segundo informações, na bifurcação, pegamos o rio da direita. Saímos da trilha e tivemos que caminha pelo próprio rio, que não tem muito volume. Alguns totens, marcavam o caminho. Mais acima vimos uma pequena queda d’água e um poço onde dava para tomar um banho. Não hesitei e dei aquele mergulho. Todo mundo me acompanhou até embaixo da queda d’água. Dava para simplesmente nos esconder por trás dela!

Resolvemos seguir rio acima para ver se encontraríamos algo mais. Subimos e subimos e nada. Como a hora estava avançando e ameaçava chover, resolvemos voltar logo, antes que fossemos pego de surpresa. O dia estava acabando e já estava batendo uma saudade... De volta ao camping, paramos para um longa conversa com umas das grandes pessoas da Ilha, o Silvio. Morador daquele paraíso, filho e neto de nativos da Parnaioca, contou um pouco sobre a história do local, dos problemas que tem com o INEA, rimos, enfim, passamos um final de tarde super agradável.

Jantamos e fomos à praia. A noite não estava como a do dia anterior, mas ainda sim estava claro. Aproveitamos para conversar um pouco e aos poucos todos foram se recolhendo. Acho que já estávamos prevendo o fim da viagem... No dia seguinte tínhamos que acordar cedo para voltar até Abraão. Mas aproveitamos bem! Não tínhamos do que reclamar.

Terceiro dia: Parnaioca X Abraão

Tempo total: 5h 25 min
Parnaioca X Dois Rios – 2h 28min
Dois Rios X Abraão – 1h 20min

Durante a noite já ouvia o barulho da chuva. Pensei: “caminhar nessa chuva....” Mas não tinha jeito. Era descansar e esperar o dia seguinte. Ás 6 da manhã, estávamos de pé. Chovia e desmontamos o acampamento. Tomamos o último café da manhã naquele paraíso, nos despedimos daqueles que ficaram e, debaixo de uma chuva fraca, mas constante, seguimos nosso longo caminho de volta.

Passando pelo camping da Janete, dei aquela última olhada para a praia, me despedi e tive a certeza de que um dia estaria de volta. Com a trilha bem molhada, todo cuidado era pouco. Como chovia, não havia muito motivo para parar. Queríamos logo era chegar no nosso destino. Andamos num ritmo forte. Apesar de todo o cuidado e mesmo ouvindo a frase: “- Cuidado que a pedra está escorregando!”. Não deu outra: chão!!!!!! Caí, mas logo me levantei!!! rs

Depois de 2h 30min caminhando, estávamos de volta à Dois Rios. Fomos direto para a cantina que tem no meio da praça, em frente ao antigo presídio. Minha intenção era tomar um café da manhã. Quando chegamos lá, estava fechada. Colocamos as mochilas no chão e debaixo da cobertura da cantina, demos uma descansada, aproveitando para dar uma alongada, na esperança de que abrisse e eu pudesse tomar um café quente.

Depois de alguns minutos, ouvi um barulho e veio um senhor abrindo as portas, para minha alegria. Perguntei se ele serviria café e ele falou que faria. Aproveitei e pedi para fazer um misto quente. Com o café da manhã tomado, o ânimo foi outro. Fomos embora e na altura da Piscina dos Soldados, devido à trilha muito molhada e o excesso de galhos e bambus caídos nela, resolvemos seguir pela estrada, um caminho bem mais longo. Só refazendo o caminho pela estrada é que tive a certeza de que era muito mais longe e que a trilha “corta” mesmo caminho!

Já na estrada, como não tinha mais dificuldade, o grupo foi se dividindo. E por muito tempo caminhei sozinho. Quando acabou a subida, coloquei o chinelo e terminei a descida, dando um alívio para os pés. Fomos bem mais rápido que ida. Também, não fizemos nenhuma parada. Chovendo, não tinha muita graça...
Terminei a caminhada com 1h e 30 min, 10 minutos a mais que o Leonardo e a Patrícia. Depois de mim, 10 minutos depois, veio o Ariel e por último, com o joelho ferrado, que precisou ser imobilizado, o Valdecir e o Marcelo Sá que o estava acompanhando.

Mas a aventura ainda não tinha acabado... Nesse momento voltou a chover forte. Já estávamos bem molhados e não tínhamos onde ficar. Resolvemos ir direto ao cais e ver que hora sairia o próximo barco. Com a chuva, o cais que é pequeno, estava intransitável.  Uma confusão, ninguém se entendia. Achei um espaço e perguntei qual o próximo barco para Conceição de Jacareí e caro me falou: “ – É aquele ali que já está de saída.” Não pensei duas vezes, chamei a galera e fui para fila. Uma confusão, a chuva apertou e assim que iríamos embarcar, a moça nos barrou e falou que já estava lotada. Pensei: “Não acredito!” Falei com ela se cabiam mais 6 e ela falou com um cara que estava bem longe, que não entendeu nada devido ao barulho dos barcos, a confusão de pessoas e a forte chuva... Na indecisão deles, ignorei a lotação do barco e fui entrando, colocando o pessoal para dentro.

Nem acreditava que estava embarcado. Ainda bem que conseguimos pegar esse barco! Ficar lá esperando mais uma hora, naquela chuva e ainda por cima molhados, não seria nada agradável. Do jeito que eu cheguei eu fiquei, nem tirei o poncho. Naquela altura, ele me protegia da chuva e do vento, mantendo uma temperatura agradável. E assim fomos embora, debaixo de uma forte chuva, mas com a sensação de dever cumprido. Muita gente passando mal com o balanço do barco, devido ao mau tempo, mas chegamos! No estacionamento, já em Conceição de Jacareí, colocamos roupa seca e seguimos viagem...

Missão cumprida!!!!














sábado, 15 de dezembro de 2012

Trilha e Escalada no Pico do Papagaio - Ilha Grande - Via Aresta do Xilindró

Por Leandro do Carmo


Local: Ilha Grande - RJ

Via Aresta do Xilindró – 3º IVsup E2 55m
Conquistadores: André Ilha, Lucia Duarte, Marcos da Silveira
Ano: 1984

Trilha: T13 – 6km (somente ida)
Nível: Pesada

Participantes: Leandro do Carmo, Leonardo Carmo, Paulo Guerra e Clayton Mangabeira

Dicas: Caminhada de aproximação pesada, total de 6km (somente ida) conforme informação nas placas de sinalização; encontra-se água no caminho, com mais ou menos 2 horas de subida (num ritmo bom); a via é bem suja e usa-se aderência em alguns lances; se estiver chovendo ou muito nublado, a via fica muito molhada, principalmente nos últimos lances; faz-se cume também por caminhada.


Ilha Grande... Dispensa comentários... Foi um final de semana fantástico. Fazer o Pico do Papagaio já estava na minha lista desde a última vez que estive lá, há uns 3 anos... Já havia programado tudo, só faltava a oportunidade. Fui conversando com uns amigos  e decidi que faria no primeiro final de semana de dezembro. Com um mês de antecedência, já estava divulgando a aventura. Como era um final de semana inteiro, achei que fosse difícil arrumar companheiros... Engano meu! Logo já estavam fechados: Guilherme, Leonardo, Paulo, Ary e Clayton.

Uma semana antes, o Guilherme avisou que não poderia ir, mas sem problemas. Tocamos o projeto para frente. Na semana da viagem, combinamos tudo direitinho e ajustamos os detalhes finais. Marcamos para sair na sexta, as 13h e o Ary iria mais tarde de ônibus. Na sexta, após um pequeno atraso, saímos de Niterói, por volta das 14:00h. No caminho, pegamos um trânsito pesado na Av. Brasil. O calor era de mais! Mas nada que pudesse desanimar!!!! Paramos no caminho para lanchar e esperar o Clayton sacar dinheiro, que por, sinal já foi a primeira aventura dele... O Cara tentou em um monte de caixa eletrônico, bloqueou o cartão, quase chorou e ficou reclamando a viagem inteira!!!! rs. Às 17:15, já estávamos no estacionamento, em frente ao cais de Conceição de Jacareí. O próximo barco sairia as 18:45. Compramos a passagem e fomos esperar na praia, isso tudo com o Clayton falando do cartão...rs

Eram 18:00, quando recebi uma mensagem do Ary dizendo que ainda estava na ponte e não chegaria a tempo de pegar o ônibus na rodoviária. Infelizmente menos um... Não podíamos desanimar... rs. Às 18:45, o barco chegou ao cais e embarcamos rumo a ilha. Foi mais ou menos uma hora de navegação. O mar estava um pouco mexido e só melhorou depois que entramos na enseada de Abrahão. Desembarcamos e fomos direto para o camping. Armamos as barracas e demos uma volta pela vila até achar um lugar para comer.

Antes de dormir, decidimos a hora que iríamos sair no dia seguinte, isso seria fundamental para não acontecer atrasos. Deixamos tudo arrumado. No sábado, às 06 da manhã, estávamos todos de pé. A galera estava animada!!!! Fomos até uma padaria, tomamos café e partimos para a caminhada. O tempo estava meio encoberto e o Pico do Papagaio completamente escondido não dava o ar da graça. Mas se chovesse, só a trilha já compensaria... Entramos na estrada que vai para Dois Rios e começamos a subir. Depois de 25 minutos, já estávamos no começo da trilha, muito bem sinalizada, por sinal.


No caminho, encontramos dois que pareciam esperar por alguém. Assim que entramos na trilha, eles vieram nos acompanhando. Começamos a subir, estávamos num ritmo bom, com certeza faríamos
em menos de 3h30min, tempo descrito na placa de informação. Pensei que os cachorros fossem descer a qualquer momento, mas eles continuaram subindo com a gente e quando parávamos para descansar, eles paravam também e se já estivessem mais acima, eles voltavam para ver o que tinha acontecido, caso demorássemos um pouco. Tínhamos dois guias!!!! Com 1h30min, encontramos água corrente, uma nascente com água bem gelada. Paramos para nos refrescar e descansar um pouco.

Em todo o percurso escutávamos o barulho dos macacos bugios, também conhecido por guariba ou barbado, eles estão entre os maiores primatas encontrados na Ilha Grande, com comprimento de 30 a 75 centímetros. Sua pelagem varia de tons ruivos, ruivo acastanhados, castanho e castanho escuro. Ele são famosos por seus gritos, que podem ser ouvidos em toda a mata. De vez em quando, os gritos eram tão alto que até assustava!!!! Tinha também uns montes de côcô no percurso da trilha, com certeza eram eles marcando território...

Até ali, a trilha estava bem molhada, sempre caindo uns pingos d’água das árvores. A essa altura estava tudo muito encoberto e achava que não daria para fazer a via. Seguimos em frente e os cachorros também!!!! A trilha é bem marcada, porém não conseguimos ver nada em volta. A vegetação é muito densa e a gente caminha e caminha e não vê nada além de árvores...

Passamos por um bambuzal e mais a frente deu para ver a pedra, mas, rapidamente, ficou encoberta de novo. Pelo menos já dava para ver que estava chegando. Já estávamos bem alto e a trilha mais molhada. Passados alguns minutos, chegamos a placa onde indicava a base e a continuação da trilha até o cume. Chegamos à base do Pico do Papagaio com 2h35min, viemos num ritmo bom. Chegamos com 1 hora a menos que a média. E os cachorros??? Eles... É claro que estavam lá conosco!!!!!! Um até desceu rolando na pedra, mas não desistiu... Voltou e conseguiu subir!!!!!

Na base, paramos para descansar e nos preparamos para subir. Ainda não dava para ver muita coisa. Algumas  nuvens ao redor e o vento parecia estar aumentando. Com isso, o frio também veio! Coloquei o anorak, pois não sabia se iria piorar. Vi que tinha esquecido minha sapatilha, peguei a do meu irmão emprestada, ainda bem que dava em mim!!! Fui até mais acima e percebi que a via estava bastante molhada e suja. Ameacei subir para sentir a pedra e aproveitei meu irmão mais embaixo para desescalar um pedaço. Depois de alguns minutos o tempo foi abrindo e decidi subir de vez. Usar uma sapatilha diferente da que está acostumado, fez a diferença. Demorei mais que o normal... Mas venci o lance, costurei o primeiro grampo e fui tocando pra cima. Com algumas agarras quebrando, pedra úmida e muito suja, a subida ia ficando mais emocionante. Subi mais um pouco e costurei o segundo grampo. Ali, a umidade estava grande, tinha muito limo na pedra, era um lance de aderência e estava difícil. Peguei uma fita longa e “lacei o grampo”, tocando para cima, não poderia haver erros e não estava muito preocupado em “encadenar” a via.

Dei uma parada para analisar se daria para continuar, afinal de contas, não queria ficar passando perrengue a subida inteira. Nessa hora, o tempo abriu  e o sol veio com força. Foi preciso tirar o anorak. Fui subindo, costurei o quarto grampo e fui margeando a aresta. Veio o quinto grampo e o último. Olhei para cima, faltava o último lance. Agora era só subir... Fácil? Ah se fosse assim... Escorria tanta água que achei que não fosse conseguir, pensei até em descer... Parei um tempo e fui olhando as agarras e vi que tinha uma linha meio seca. E por ali eu fui. Subi bem devagar, ás vezes com o pé na água, mas como tinha bons apoios, deu para seguir. Até que no último lance, tive que segurar numa laca bem pequena, onde começou a escorrer um pouco de água pelo braço, aí foi prender a respiração e tocar para cima.

Estava dominado!!!!! O pior já tinha passado, agora era muito mais tranquilo... Armei a parada numa árvore e dei segurança ao Paulo que subiu rapidamente. Dali, ele foi me dando segurança, pois ainda tinha que passar pela frente de uma pedra e como estava tudo molhado, todo cuidado seria pouco. Fui caminhando, passei uma fita em outra árvore e fui segurando numas plantas que me deram apoio. Contornei a pedra e subi mais um pouco. Dei segurança de corpo ao Paulo e mais uma subidinha, estávamos no cume!!!!

Missão dada é missão cumprida!!!!! Lá de cima, a vista era fantástica. Um 360º da Ilha. Algumas nuvens ainda encobriam alguns lugares, mas já tínhamos uma noção da beleza. A sensação concluir o projeto é fantástica. Pode até ser simples, escolher o camping, horário de barco, previsão do tempo, equipamento para levar, incentivar as pessoas para te acompanhar, etc., e no final ver que tudo deu certo... Sem palavaras.... Assinamos o livro de cume e para finalizar, ainda fizemos um rapel até a base, para poder pegar as coisas e ir embora.

E os cachorros????? Foram até lá em cima!!!! Você acha que eles iriam subir a trilha e não iriam fazer cume??? rs.  Eles estavam lá e só não desceram de rapel pois não tínhamos nenhum baudrier canino... rs. Voltamos até a base onde pegamos nossas coisas e nos preparamos para descer. Um dos cachorros acompanhou duas meninas que estavam meio perdidas na trilha e outro foi nos seguindo. Quase na placa onde a trilha se divide para o cume e para a base, tinha um cara que estava esperando a gente descer pois não encontrava o caminho de volta. Ele foi seguindo a gente até a nascente. Nós paramos para descansar e ele seguiu trilha abaixo.
 
Demos uma boa descansada, e continuamos a caminhar. Como era descida, as paradas foram menores e 1h55min depois, estávamos na estrada que vai para Dois Rios. Mais alguns minutinhos, e chegamos no camping. Aí foi só tomar banho e sair para almoçar.

No dia seguinte demos uma volta pelas praias próximas, pois tínhamos comprado a passagem do barco para as 13h. Pegamos o barco e nos despedimos de um excelente final de semana!

Até a próxima!!!!