sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Escalada na Cachoeira do Tabuleiro, por Nereida Rezende

Por Leandro do Carmo

Esse é o relato da Nereida, grande escaladora aqui do Rio, mandando um BigWall na Cachoeira do Tabuleiro. Se tem alguém que planeja o seu crescimento no esporte, é ela! Curto muito!!!! Confira esse grande relato. Abraço e valeu Nereida!!!!!


ESCALADA NA CACHOEIRA DO TABULEIRO – Climbing BigWall Style
Por Nereida Rezende

(Se aproximando da parede)
Eu amo escalar, como a maioria das pessoas que vão ler este post. A gente gosta de expandir nossos limites e curtir a natureza. Depois de acabar o mestrado em matemática, tirei 6 meses de licença do trab pra poder investir na minha escalada. Escalar no Tabuleiro eu queria muito! Via as fotos!! Queria ficar dias inteiros do lado da cachoeira!! E incrementar meus conhecimentos de bigwall, que é uma escalada que dura mais de um dia e geralmente em paredes de graus altos. 


A equipe e a preparação

Passando uma semana no Cipó e visitando Conceição de Mato Dentro pra fazer boulders, eu assuntava geral pra ver como eu podia viabilizar minha ida no Tabuleiro. Tinha que ir com alguém mais experiente, um guia que conhecesse o caminho, que desse conta das questões logísticas, de 7c de parede e artificial de buraco de Cliff valendo oitavo e nono. 

Na escalada eu estou buscando a certificação e encaro como outro mestrado, então faço disciplinas de todas as modalidades com os melhores mestres que encontro. Eu também procuro estar junto de pessoas com vibrações de amor e gratidão. O Leandro Iannotta (Mr. Bean) eu tinha conhecido no Cipó, um tempo atrás, na base da Lamúrias. Eu estava cedo na base com todo meu material esperando meus amigos pra me darem seg e o Mister Mestre passou, se oferecendo pra me assegurar, já falando logo que botava fé em mim de passar o lance. Eu já confiava nele quando soube que ele estava começando a trabalhar como guia para a escalada no Tabuleiro. Eu fui no Açaí da Serra e falei pra ele que queria ir. O Mister queria fechar esse acontecimento tanto quanto eu! E o Michael MitoSan tava nessa procura também, ávido só por isso! Cada um agradecendo em silêncio um aos outros por permitir que a realidade tão desejada colapsasse, tudo dando certo! (figura 2 – a equipe no platô de bivaque, 100 metros acima do chão)




A equipe no platô de bivaque, 100 metros acima do chão. Da esquerda pra direita, Nereida, Michael e Leandro Iannotta


Eu já estava treinando pra paredões de sétimo grau. Eu tinha acabado meu programa de sexto-sétimo grau na Companhia da Escalada, com Secundo, Gallotti, Waldo e Lagartão (vias do Rio). Meus treinos nas semanas anteriores à escalada no Tabu foram fazer de 100 a 150 metros de vias de 7c, 8a umas quatro vezes por semana e eu conseguia isso dando várias entradas em vias esportivas. Meus treinos foram no Cipó-MG, Barrinha-RJ e 2000-RJ.

Eu, do Rio e o Michael, de BH, chegamos num domingo à noite do início de dezembro no Abrigo G3, ponto de encontro. O Mister, que mora no Cipó, nos encontraria ali no dia seguinte, 8h. Fomos pra Conceição no meu carro. Precisa um termo de autorização da FEMEMG pra escalar no tabuleiro e termos de risco.

Primeiro Dia de Escalada


A caminhada até a base dura mais de 1 hora. Estávamos pesados, tínhamos 5 cordas, costuras, proteções móveis, jumares, estribos, material para dormir e comida para 2 dias. Fizemos a Via Hidronotopo, que tem como desfrute 1 diedro de 7b em móvel, esticões aéreos de 7b e 7c e um largo de artificial A1 em buraco de cliff que vale oitavo, sendo o resto dos outros dois largos de sexto grau também lindos! Depois da caminhada vai subindo por umas pedras escorregadias, pega água, 3 litros pra cada, sobe uma fenda de quinto em móvel, reboca as mochilas, faz uma horizontal e chega na base do lindo diedro de 7b em móvel. O Mister guiou, eu fui de segundo escalando e tirando as peças e encadenei!!, aproveitando bem os descansos! 


(Foto – diedro de 7b em móvel, Leandro Iannotta guiando)


Quando cheguei na parada já armamos de eu guiar o quinto em móvel seguinte até o platô na seg do Mister que ao mesmo tempo rebocava as mochilas, com a ajuda do Michael lá embaixo. Eu cheguei no platô e fixei a corda. Eles vieram jumareando. Chegamos com tudo no platô a 100 metros do chão. Então nessa primeira parte da escalada já deu pra entender a questão de como demora escalar e ter que subir bastante peso pra cima. Ainda de tarde deu tempo do Michael guiar a enfiada seguinte ao platô, um 7b esportivo lindo, na pedra vermelha do Tabuleiro!!, com final tendo que dar uma passada de cliff de buraco e artificial em móvel! Recentemente o Jahjah liberou esta passagem e deu 9a/b. 


(Foto: Michael começando o esticão de 7b esportivo com final em artificial).

Nosso plano inicial seria o mister ir limpando e já guiar e deixar encordada o próximo esticão, de 7c, mas ele decidiu fazer isso no dia seguinte então eu pedi pra limpar o 7b. Liiiindo!! Mais escalada linda durante o dia adorável ao lado da cachoeira!! Curti a escalada, faltou eu isolar o lance inicial de entrada no esticão, mas deu pra artificializar. Linda parede vermelha e negativa!! Pegas ótimas e regletes, pedra aderente!! Desfrute!! No final do esticão, quando chegou o artificial, eu jumariei. Eu achei que o Mich mandou muito bem guiando este esticão exigente!! Eu limpei levando uma corda retinida clipada atrás do bouldrier. O mister fixou a ponta de baixo dessa retinida na parada do platô e nós fixamos a outra ponta lá no final do 7b, deixando o esticão encordado. Deixamos a segunda corda também fixada na parada de cima e descemos com a outra ponta pra fixar na parada do platô, assim teríamos duas cordas para jumariar no dia seguinte até o ponto mais alto que chegamos na parede. Nós usamos o grigri para descer pela corda fixa. Uma vez todos no platô novamente, caminhamos um pouco para a direita para uma parte mais ampla onde fizemos uma janta de macarrão com calabresa, cebola, alho e queijo, em um fogo cercado por pedras e fomos dormir embaixo das estrelas, com isolante e saco de dormir.

Segundo Dia

Nereida de segundo no esticão de 7c esportivo
Acordando com o sol, fizemos um café e refeição com pão, mel e queijo e fomos ao trabalho! rs Íamos levar só a mochila menor com água e materiais para o dia. A estratégia do ataque já tinha sido conversada, explanada e entendida durante o jantar e café: Todos jumariaríamos o esticão de 7b encordado, Mito levando a mochila. O mister foi na frente e eu e o Mich pudemos ir cada um em uma das cordas. (foto 5 – Leandro Iannotta laboring tuesday morning, trabalhando terça de manhã)




Foi muito difícil sair da parada jumariando na horizontal até pegar a parte vertical da corda, porque as enfiadas da Hidronotopo são todas bastante diagonais. Nessa hora você tem que confiar no seu equipamento, as cordas são muito exigidas, você vai indo e vendo elas raspando nas arestas!! kkkk Quando eu cheguei na parada, o mestre já tinha começado sua guiada do 7c na seg do Michael. Eu limparia, escalando. Como eu estava adorando poder escalar todos estes lindos esticões! Era bem negativo e tinha muitas passadas em agarras pequenas entremeadas de maiores. Liiiiinda escalada nas pedras vermelhas, tem textura de arenito, não sei qual a pedra de lá do tabuleiro, mas é uma delícia!! 

Esticão A1 também vale 8b/c
em livre, guiado pelo Mister
O mister deu uma rebocadinha no início, que era mais difícil, incrível como o mister sabe dar a dose certa de tudo! Ele tem uma medida exata (mais pra farta!! rs) de generosidade e incentivo, ele chama pra gente estar num nível profundo de CONSCIÊNCIA! “Acrediiita! Com consciência!! Incríiiiivel!!” São as frases que ele mais fala!! What amazing days! Living in THE PRESENT! Então era eu chegando de ter escalado o largo de 7c por uma corda e o Mito chegando jumariando pela outra com a mochila. Confraternizamos os 3 na parada e o mestre já saindo pro esticão A1 na seg do Mich. Eu e o Mich jumareamos este esticão, cada um em uma corda. A chegada na parada sempre era brindada com cumprimentos dos parceiros. Estávamos os três muito FOCADOS todo o tempo! 

O próximo esticão era de sexto grau, com proteções fixas. O Michael guiou. No final estava molhado por mais de 5 metros até chegar na parada, bem no crux do esticão. O mister tentou passar esta parte também, em livre e artificializando. Teve uma queda, mas conseguiu chegar na parada. A minha progressão e do Mich nessa enfiada foi emocionante, porque há vários pêndulos de big wall, inclusive pra quem estava limpando (eu). Depois de tomar 2 pêndulos eu usei o procedimento de pêndulo controlado que eu aprendi com o Daflon na Waldo, eu me acalmei assim, porque eu já estava abalada, haha. A última enfiada também estava molhada. Tocava pra mim, mas eu já fui falando logo que meu nível saiadim era 2 e nesse nível a gente não guia no molhado! Ahaha Só que o nível 3 e 4 pra cima, que estavam do meu lado, tentaram passar de todas as maneiras. Que isso meu? Tava limo na pedra, tava uma cachoeira fraca caindo lá de cima molhando dia e noite aquela passagem... eu não queria desentimular eles ali tentando subir no fator dois, fiquei bem colada na parede, mas confesso que fiquei aliviada depois que eles desistiram, não antes de tentar até conquistar uma variante kkk, tudo fanático!! 

A descida
A descida foi linda! Verdadeiramente há o comprometimento de confiar nos seus equipamentos, principalmente nas cordas. Você vai descendo naquela corda única e vai vendo ela raspando na aresta mais proeminente... e pra chegar na parada, tem que puxar o jumar e se puxar para frente, porque todos os esticões da parede são em diagonal. Pra chegar na parede também sempre tem uma aresta maior onde a corda raspa! Tem que manter o sangue frio!! 

Então dormimos mais uma noite no platô. A mesma comida boa, o céu estrelado, e estávamos tão integrados como equipe que dormimos em formação de avião, flecha!! No dia seguinte, depois de acordar curtindo, tomar café e arrumar tudo, fizemos os rapéis restantes, descendo do platô, tomamos um banho no poço revigorante, fizemos a caminhada de volta a portaria do parque e pegamos o carro. Teve a parada pro pastel e cerveja no tabuleiro mesmo e a volta pro cipó. Na chegada no Abrigo 3, o Magrão veio nos receber e foi o primeiro a ouvir nossas histórias, ver as fotos, compartilhar as experiências que ele também teve no Tabuuu...

A Taissa me perguntou que dicas eu daria pras mulheres que desejam fazer esta aventura. Eu acho que esta mulher tem que ser independente, pró-ativa, fazer força, ter uma base de parede e procedimentos e estar firme no sétimo grau, pelos menos! Tá ao alcance de quem se dedicar um pouco! Tem que querer muito! Eles chamam estes espaços protegidos e de difícil acesso de INTANGÍVEL. Então não é banal, mas tá ao alcance de qualquer um/uma que persiga com determinação.


Como diz o Mito: “Não tem um dia que eu não me lembre de tudo!! " Dias perfeitos ".”

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Reunião Técnica - O futuro da via C.E.P.I.

Por Leandro do Carmo


A FEMERJ convida todos os interessados para uma reunião técnica onde será abordada a questão do CEPI, com objetivo de alinhar as informações existentes, contextualizar a situação atual e apresentar e discutir as alternativas para o futuro do CEPI.


Data: 28/01/2015
Local: CEB – Av. Almirante Barroso 2/8o andar
Hora: 18:30



domingo, 4 de janeiro de 2015

Vídeo: Niterói - RJ, vista por um outro ângulo!

Por Leandro do Carmo

Vídeo que preparei com imagens de diversas escaladas que fiz na cidade. São diversos pontos, entre eles: Costão de Itacoatiara, Mourão, Telégrafo, Morro das Andorinhas, Morro do Morcego e muito mais...

Vídeo em HD

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Livros que ando lendo: Família Schurmann – Um mundo de Aventuras

Por Leandro do Carmo



Título: Família Schurmann – Um mundo de Aventuras
Autor: Heloisa Schurmann

Sinopse: Neste livro, a família narra sua experiência de refazer a perigosa rota de um dos mais famosos navegadores da História, Fernão Magalhães. A Magalhães Global Adventures partiu de Porto Belo, em Santa Catarina, no dia 23 de novembro de 1997. E seguia, com a ajuda do veleiro Aysso, a trilha do navegador português pelos oceanos Pacífico, Índico e Atlântico. Dois anos e meio — e muitas aventuras depois — a Família Schürmann ancorou em águas brasileiras no dia 22 de abril, em Porto Seguro, para comemorar o V Centenário do Descobrimento.

Comentário Pessoal: Excelente! No início do livro, comecei a ler rápido para matar a curiosidade, já no final, lia devagar, já sentido saudades! O livro envolve, me fiz parte da família! Muitos detalhes sobre a circunavegação de Magalhães, cultura dos lugares onde paravam e a vida no mar. Uma experiência em tanto.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Esportes de Aventura em Santo Antônio do Pinhal

Por Leandro do Carmo

Essa postagem foi sugestão do  Júlio, responsável pelo blog roteirodeturismo.blogspot.com.br, espero que gostem!




Localizado na região da Serra da Mantiqueira, Santo Antônio do Pinhal é uma cidade repleta de montanhas e área verde.  Por conta de sua altitude em relação a outras cidades, as cachoeiras e o contato com a natureza em geral, Santo Antônio do Pinhal é um dos roteiros preferidos dos turistas que buscam atividades relacionadas a esportes de aventura.

O Pico Agudo, por exemplo, é uma elevação rochosa com 1700 metros de altitude, o que o torna a décima quinta elevação mais alta do país. Sendo assim, diversos turistas procuram subir até o pico para realizar voo livre. O voo, realizado com o paraglider ou asa delta, acontece em horários específicos para garantir a segurança e organização.

Além de toda a adrenalina que o passeio traz, ainda há a vantagem de possível apreciar toda a paisagem, com direito a uma visão incrível de 360 graus de toda a Serra da Mantiqueira, além dos municípios que envolvem o Vale do Paraíba.

O Parque Jardim dos Pinhais oferece a opção de praticar arvorismo, esporte que consiste na travessia de pontes que ligam um topo de árvore ao outro. O Parque possui 6 travessias diferentes para visitantes de todas as idades. O Parque Jardim dos Pinhais fica na Avenida Antonio Joaquim de Oliveira, 2600.

A Trilha do Cambraia é uma trilha que tem início no centro da cidade e tem seu nível de dificuldade considerado médio. Com trajeto de cerca de uma hora, são percorridos aproximadamente 6 km. Todo o esforço durante as subidas íngremes são recompensadas com a vista panorâmica no ponto mais alto da trilha, próximo ao Pico Agudo.

Para os turistas que gostam de dar uma pausa nas trilhas para apreciar uma bela cachoeira, Santo Antônio do Pinhal possui várias. Uma delas é a Cachoeira do Lageado. Com 7 metros de altura, o local é rodeado de muito verde e é ideal para banhos em suas águas geladas e para relaxar apreciando a paisagem. Para mais informações em pousadas em Santo Antonio do Pinhal acesse:

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Vídeo: Pico do Frade - Macaé

Por Leandro do Carmo

Esse é o vídeo da nossa tentativa de subir o Pico do Frade em Macaé. Tivemos que abortar a parte escalada, ficando somente na trilha, pois demoramos muito a encontrar o caminho, isso somado ao forte calor. Pelo menos, a trilha nos recompensou com um belo visual. Na próxima investida, ficará mais fácil!!!! Confira.

Confira o relato.

Vídeo em HD

domingo, 14 de dezembro de 2014

Vídeo: Conquista da Via De Olho Nas Vizinhas

Por Leandro do Carmo


Fala Pessoal,


Esse vídeo tenta mostrar como foram as três investidas necessárias para chegarmos ao nosso objetivo que era chegar ao Mirante do Carmo. Foram cerca de 250 metros de escalada com lances bem variados e um visual de tirar o fôlego. 

Para acessar o relato, clique aqui.


Vídeo em HD

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Concluída a troca dos grampos de Inox por Titânio em Guaratiba

Por Leandro do Carmo

Segue mensagem encaminhado pelo André Ilha para a lista de e-mail da FEMERJ, informando sobre a conclusão da troca de todos os grampos de INOX por TITÂNIO, das vias do André, em Barra de Guaratiba. Um avanço importante na escalada da região!




Caros e caras,

É com imensa satisfação que anuncio ter terminado hoje a titanização de todasas minhas vias nas Falésias dos Orixás, na Ponta do Picão e no Pico do Perigoso (Pedra da Tartaruga), em Barra de Guaratiba. Isso significa algo como 120 vias, mais ou menos.

Os antigos grampos de inox foram arrancados, e os buracos tapados com durepoxi e pó de pedra, para maior discrição.

A esmagadora maioria das paradas existentes nos topos das paredes e blocos foi duplicada, quando todas originalmente eram simples. No futuro, ainda devo, com calma, duplicar as que faltaram, mas isto é apenas um detalhe.

Mais do que nunca, Guaratiba é hoje um formidável centro para treinamento de escalada móvel, com vias fáceis e difíceis, bem protegidas e expostas, técnicas e de força, de fácil e de difícil proteção, com todos os tipos de lances.

Nunca é demais lembrar que lá é bom mesmo de ir no verão, pois a pedra não fica "babada" de maresia e sempre há alguma coisa na sombra para se fazer, devido ao grande número de paredes voltadas para direções diferentes. Hoje, por exemplo, ventava tanto que não sentimos nada de calor, embora tenhamos ficado muitas horas na atividade.

Hoje fui Cadu Spencer, mas na maioria das vezes fui até lá sozinho mesmo. Em muitas outras, no entanto, fui com tantas pessoas diferentes que não me arrisco aqui a listá-las, por que provavelmente esqueceria alguém, mas a todos e todas agradeço muitíssimo pelo apoio dado para esta tarefa tão cansativa.

Abraços,


André.

Livros que ando lendo: Cem dias entre o céu e o mar

Por Leandro do Carmo



Título: Cem dias entre o céu e o mar
Autor: Amyr Klink

Sinopse: é o relato de uma travessia considerada incomum - mais de 3500 milhas (cerca de 6500 quilômetros) desde o porto de Lüderitz, no sul da África, até a praia da Espera no litoral baiano, a bordo de um pequeno barco a remo. Neste livro Amyr Klink quer transportar o leitor para a superfície ora cinzenta, ora azulada do Atlântico Sul, tornando-o cúmplice de suas alegrias e seus temores, ao mesmo tempo em que se propõe a narrar, passo a passo, os preparativos, as lutas, os obstáculos e os presságios que cercaram a viagem.

Comentário pessoal: Remar durante 100 dias!?!?!?! Da África até o Brasil?!?!?!?! Pois é... esse foi o desafio de Amyr. Como transformar a monotonia de estar sozinho durante todo esse tempo em um livro que mescla aventura, auto conhecimento e força de vontade? Esse é o livro! Rico em detalhes e curiosidades e uma leitura extremamente agradável. Recomendadíssimo! Leitura obrigatória!

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Pico do Frade - Macaé RJ, uma missão quase cumprida!

Por Leandro do Carmo

Pico do Frade - Macaé RJ, uma missão quase cumprida!

Local: Macaé RJ
Data: 22/11/2014
Participantes: Leandro do Carmo, Leonardo Carmo, Ary Carlos, Michael Rogers, Andréa Vivas, Alexandre Rockert e Paulo Guerra.

Pico do Frade de Macaé



Local do início da trilha - 22°12'13.7"S 42°05'17.0"W

Link para o GoogleMaps


Como Chegar: Saindo de Niterói, pegar a BR101 sentido norte e dobrar a esquerda em direção à Região Serrana de Macaé, pegando a RJ162. Seguir nela e quando chegar a Glicério e passar pela estátua de um canoísta, é só marcar 10,7 km, até a entrada para uma estrada de terra. Tem uma Santa, num recuo à esquerda e uma casa a direita, no início dessa estrada. Aí é o ponto!

Vídeo





Onde estacionar o carro: O melhor ponto para estacionar é na entrada da estrada de terra, assim que sai da RJ 162. Não aconselho a seguir de carro, a não ser que seja um 4X4.

Dicas: Não completei a escalada, logo não posso opinar pela qualidade dos cabos/cordas; é uma trilha forte, não tem ponto de coleta de água; quase toda abrigada do sol; fácil orientação; para encontrar o ponto da entrada da trilha, será necessário subir a estrada de terra e assim que passar a primeira casa, no alto da estrada, vai começar a descer, mais abaixo um pouco terá um portão à sua esquerda e mais a frente, a direita, duas soqueiras de bambu, ao lado de uma cerca, dividindo dois terrenos, o ponto é ali; seguir subindo reto pelo pasto, chegará na trilha; se passar para a cerca do lado, seguirá pelo pasto até mais em cima, sempre com a mata a sua esquerda, na segunda entrada discreta, dobrar a esquerda, com isso cortará a pior parte inicial da trilha, com muita erosão.




Relato

Essa seria a nossa quarta tentativa de subir o Pico do Frade... E acabou ficando só na tentativa mesmo! Mas qual o problema, se a montanha sempre estará lá? O fato é que nas últimas três vezes que marcamos de ir lá, o tempo não ajudou e nem sequer pegamos a estrada, mas como já havíamos preparado toda a logística, contou como tentativa!!! Dessa vez chegamos a pegar a trilha, mas infelizmente não alçamos nosso objetivo... Veremos o porquê!

Como sair de Niterói e seguir direto para a trilha resultaria em ter que sair de casa muito cedo, pois a viagem dura entre 3:30/04:00h, resolvemos sair na sexta feira e dormir em Rio das Ostras, na casa do meu pai, assim não precisaríamos acordar tão cedo. Tudo certo e com a atividade aberta no site do CNM, já tínhamos o grupo formado: Eu, Leonardo Carmo, Andréa Vivas, Ary Carlos, Alexandre Rockert e o Michael Rogers. O Paulo Guerra confirmou na sexta a noite, quando alguns já estavam lá e eu, já a caminho.

No sábado de manhã, acordamos cedo e por volta das 06:30 da manhã saímos de Rio das Ostras e encontramos o Alexandre em Rio Dourado, onde completamos grupo. Dali, seguimos pela BR 101, sentido norte, onde pegamos a RJ 162, que leva à Região Serrana de Macaé. Passamos pelo Distrito de Glicério e continuamos subindo em direção à Trajano de Moraes. Quando passamos da entrada do Distrito do Frade, demos uma parada para tentarmos localizar as referências que tínhamos.  Foi a primeira dificuldade do dia! Paramos em frente a uma estrada de chão e ficamos ali durante alguns minutos. Fomos até única casa próxima que tinha, chamamos e ninguém respondeu. Passou um cara de moto a quem perguntamos sobre a trilha e ele nos respondeu que era por ali mesmo.

Seguimos subindo a estrada de chão, passamos por uma casa e começamos a descer. Um trecho ruim, cheio de pedras. Já ficamos preocupados com a volta, pois se a previsão do tempo acertasse, a chuva chegaria no final do dia. Continuamos descendo e nada de um sinal para o início da trilha. As referências eram muito vagas. Estacionamos os carros e fomos dar uma volta para ver se encontrava alguém que pudesse nos ajudar. Naquele ponto já dava para ver a face do Pico do Frade na qual teríamos que alcançar. Imaginávamos o caminho que teríamos que fazer, mas nada de concreto. Chegamos a chamar em algumas casas, mas todas estavam vazias...

Perdidos, paramos para descansar!
Descemos a pé a estrada e o Ary foi até umas casas, que bem longe. Passou caminhão Bandeirante que nos deu a informação que a trilha começava numa casa bem ao alto do pasto, que avistávamos lá de cima da estrada. Bom, a primeira referência que tínhamos. E foi para lá que nós seguimos... Pegamos o equipamento e começamos a andar. Quando já estávamos próximos da casa, passaram duas pessoas à cavalo e nos informaram que a trilha era muito mais em cima, estávamos completamente errados! Tínhamos a informação de que não era ali, mas ainda não sabíamos onde realmente a trilha começava! E assim voltamos.

No caminho de volta, encontramos uma alma iluminada!!! Sr. Aristides, que o sobre nome esquecemos. Parece que foi enviado por Deus!  Naquela altura o calor já estava forte, já tínhamos perdido mais de uma hora. Ele nos indicou o local exato da entrada da trilha, que era logo após o início da descida e nas duas soqueiras de bambu. Não teve erro! E da mesma maneira que ele apareceu na estrada, ele sumiu...

Acesso a trilha
Voltamos para o carro e enquanto uns foram procurar essa tal soqueira de bambu, resolvemos subir com os carros e procurar um melhor local para estacionar os carros, afinal de contas se chovesse ficaríamos em apuros. Deu um pouquinho de trabalho para subir... Como eu sempre digo: “Tem que ter um carro de macho!” Voltamos com o carro e resolvemos estacionar lá na beira da estrada. Se soubéssemos disso antes...

O pessoal foi na frente e eu segui uns 15 minutos depois, encontrando a galera no trecho inicial. Logo acima de onde começa a mata. Consegui ir mais rápido, pois logo que atravessei a cerca de arame da estrada, segui pelo pasto, a direita da cerca, facilitando a subida. Fui assim até bem acima, na segunda saída discreta à esquerda. Na volta teria certeza que fizera o melhor caminho. Entendi também como havia chegado no grupo tão rápido. É que esse começo é bem íngreme e com bastante erosão. Como havia ido pelo pasto...

Continuamos subindo e chegamos numa pequena clareira, que acho que foi aberta por incêndio, haviam vestígios de fogo. Não eram recentes... Primeira pausa mais longa. Dali já avistávamos o Pico do Frade. A subida é forte, principalmente esses lances iniciais. Fomos deixando parte do equipamento no caminho, pois já havíamos decido que só faríamos a trilha, devido ao tempo que perdemos para encontrar o caminho. Isso aliviou um pouco a subida. A trilha é de fácil orientação, sem bifurcações ou pontos fechados. Só o início dela é que não tem marcação, mas de resto...

Mais acima, o primeiro mirante. Ali, fizemos nossa segunda parada e deu para termos uma ideia do que ainda faltava. Não ficamos muito tempo, pois ali não tinha muita sombra. A partir dali, percebemos que a trilha tem menos frequência. Talvez muita gente pare ali. Já sabíamos que não chegaríamos ao cume, então queríamos chegar o mais perto possível dos lances dos cabos. Descemos um pouquinho e depois mais subida. Algumas árvores caídas dificultavam a nossa passagem, nos obrigando a praticar contorcionismo!
Ao longo da trilha, passamos por dois pequenos pontos de acampamento, um até com vestígio de fogueira. Seguimos e chegamos a mais um mirante: uma pedra no meio da trilha. Contornamo-la e paramos para algumas fotos. Continuei, enquanto o pessoal batia as fotos. Mais acima, o ponto final do dia. Estávamos de frente ao último trecho da subida. Já dava para ver os cabos na parede. Desci e fui até o início dos cabos, ainda extasiado pela beleza do local. Nesse primeiro lance, é uma corda que não inspirava a menor confiança... Ainda subi uns cinco metros até um platô.

Ali, parei para tirar algumas fotos e ali sentado, foi difícil tomar a decisão de abortar a escalada... Mas por todos os atrasos que tivemos, tenho certeza de que fizemos a escolha certa. Tínhamos montado um cronograma e não conseguimos cumpri-lo. Não encontrei relatos da subida pelos cabos. Não sabíamos o verdadeiro estado deles, mas sabíamos que não era uma subida simples. E como falei no começo desse relato: “E acabou ficando só na tentativa mesmo! Mas qual o problema, se a montanha sempre estará lá?”.

Te garanto que voltaremos!

Passado o estado de êxtase, voltei a realidade: tínhamos o caminho de volta! Mas tem a parte boa da história: Eram 95% de descida! E assim voltamos na parte final da trilha, passei pelo ponto onde havia encontrado o grupo e percebi que havia feito o melhor caminho na subida. Chegamos e voltamos para o carro. Agora sim vimos gente! E foram várias! Batemos algumas fotos do local para servir como referência e demos uma parada em Glicério para beber algo. Uns almoçaram, outros lancharam, o importante foi que todos saíram satisfeitos! De volta à Rio das Ostras, fomos dar um mergulho na praia e, por incrível que pareça, passei frio!

Missão cumprida! Ou melhor quase cumprida!!! Até a próxima!

Pico do Frade de Macaé
Local para estacionar o carro





Pico do Frade de Macaé
Início da estrada de terra


Pico do Frade de Macaé
Estátua do canoísta em Glicério


Pico do Frade de Macaé
Lance dos cabos de aço

Pico do Frade de Macaé
Visual da represa

Pico do Frade de Macaé
Analisando...

Pico do Frade de Macaé
Ary tentando achar o caminho

Pico do Frade de Macaé
Vista da escalada

Pico do Frade de Macaé
Galera reunida

Pico do Frade de Macaé
Leonardo tentando se encontrar!

Pico do Frade de Macaé
No mirante

Pico do Frade de Macaé
Visual

Pico do Frade de Macaé
Paulo Guerra e Alexandre Rockert

Pico do Frade de Macaé
Visual do Pico do Frade em algum ponto da trilha