Participantes: Leandro do Carmo, Leonardo Carmo, Leandro Conrado e Ricardo Bemvindo
Histórico e Curiosidades
O sistema lagunar de Maricá é composto por um complexo de quatro lagoas principais interligadas, que se estendem paralelamente ao litoral.
Principais Lagoas e Localizações
Lagoa de Guarapina: Fica na extremidade leste do complexo, banhando os bairros de Ponta Negra, Bambuí e Cordeirinho. É conectada ao mar pelo Canal de Ponta Negra.
Lagoa do Padre: Uma lagoa menor situada entre a Lagoa da Barra e a de Guarapina, próxima ao bairro de Cordeirinho.
Lagoa de Jacaroá: Embora tecnicamente um braço ou enseada da Lagoa de Maricá, é frequentemente tratada de forma individual devido à sua fama pelo fenômeno da bioluminescência (águas que brilham no escuro), observado recentemente em 2025 e 2026.
Lagoa de Maricá: É a maior do sistema, banhando o distrito-sede e bairros como Araçatiba (onde fica a famosa orla de lazer), Itapeba, São José do Imbassaí e Marine.
O Complexo Lagunar de Maricá é um dos mais importantes sistemas lagunares costeiros do estado do Rio de Janeiro. Localizado no município de Maricá, na Região Metropolitana Leste Fluminense, o conjunto de lagoas se estende paralelamente ao litoral, entre o Oceano Atlântico e a Serra da Tiririca, formando uma paisagem singular que combina água doce, água salobra, restingas, manguezais e áreas de Mata Atlântica.
Vídeo da Travessia das Lagoas de Maricá de caiaque
Relato da Travessia das Lagoas de Maricá de caiaque
Já havia tentado marcar essa remada, atravessando as Lagoas de Maricá, há um bom tempo. Mas a logística sempre foi um fator complicado. Fazer isso sozinho, era quase impossível. O tempo foi passando e nos últimos anos, com o grande processo de urbanização promovido pela prefeitura de Maricá e financiado pelos royalties do petróleo, foi ficando mais fácil conseguir montar o roteiro. Analisei as imagens de satélite e foi possível dividir o percurso em quatro partes: Ponta Negra x Bambuí, Bambuí x Guaratiba, Guaratiba x Boqueirão e Boqueirão x Amendoeiras. Todos os trechos com, aproximadamente, a mesma distância. O roteiro estava pronto, mas ainda existia a dúvida se seria possível cruzar os canais. A dúvida é se eles estariam assoreados.
Durante a Travessia da Juatinga, eu, meu irmão, Leandro Conrado e o Ricardo, combinamos de fazer essa remada. Definimos a data e acertamos toda a logística. Fez bastante calor durante a semana e optamos por chegar bem cedo e começar a remar logo, pois por volta das 9h o calor já estava insuportável. Nos encontramos no caminho e deixamos um carro no ponto onde terminaríamos a remada, assim poderíamos voltar e pegar os carros que deixaríamos no início da remada.
Atrasamos um pouco e começamos a remar às 6h 40 min. Um pouco depois do que havíamos programado. O tempo estava levemente nublado. Não ventava. Olhava e via a lagoa bem lisa, sinal de remada tranquila. Com tudo pronto, fomos para a água. Saímos bem ao lado da boca do canal. Esse primeiro trecho remaríamos pela lagoa de Guarapina, até a orla de Bambuí. Esse trecho foi tranquilo, foi remada para aquecer. Eu e meu irmão desenvolvemos bem, mas o Ricardo e o Leandro ficaram um pouco para trás, pois estavam num caiaque duplo aberto e ele não tem um desempenho tão bom.
De longo não era possível ver a entrada do canal de Bambuí, mas à medida que fomos nos aproximando, foi possível vê-lo. Logo na entrada, passamos pelo deck de Cordeirinho e seguimos pelo canal. Avançamos e entramos num trecho onde estávamos ao lado eu uma rua, já em área urbana. Cruzamos uma ponte e chegamos ao ponto onde havia marcado para fazer a primeira parada. Nem chegamos a desembarcar, pois não havia um bom local. Bebemos uma água e descansamos um pouco.
De volta a remada, entraríamos no ponto de maior dúvida da travessia: a ligação entre o canal e a Lagoa do Padre. Seguimos remando e cruzamos com alguns grupos de Flamingos, num espetáculo a parte. Nesse trecho, já chegando à Lagoa do Padre, a profundidade despenca para alguns centímetros e em alguns pontos o fundo do caiaque arrastava. Era preciso tomar cuidado e escolher o melhor caminho para não ficar preso. O fundo era de lama e quando arrastava o remo, via aquele lodo subir. Nesse trecho também percebi que havia tido alguma obra de desassoreamento, pois nas bordas, havia vários depósitos de areia. Ainda bem que tinham trabalhado no local, acho que seria bem difícil ter passado ali há um tempo. Do outro lado, mais um grupo grande de Flamingos e próximo a gente, um grande grupo de aves. Tentei me aproximar um pouco, mas o caiaque encalhou. Voltei e continuei a remada.
Depois desse trecho, entramos na lagoa do Padre e as condições não melhoraram. Continuava um trecho raso e tínhamos dificuldade em remar. Ainda bem que foi o trecho razoavelmente mais curso, se comparado aos outros. De longe conseguíamos ver uma ponte e seguimos em direção a ela. Após passar a ponte, entramos no canal de que liga essa lagoa a de Jacaroá. Mais a frente consegui avistar vários barcos, estávamos chegando à Orla de Guaratiba, nosso segundo ponto de parada. Segui até ele e desembarquei. Esperamos o Leandro e o Ricardo chegarem. Aproveitamos para fazer um lanche e descansar. Ficamos ali durante um tempo até que voltamos para a remada, ainda falta um bom trecho.
De volta a água, continuamos no canal e entramos na lagoa de Jacaroá. Atravessamos um longo trecho. Cruzamos a Ponta da Divinéia. Estávamos no trecho mais bonito e preservado de toda a travessia. Depois de ter atravessado o pior, compensou passar aqui. À esquerda, uma bela enseada que merecia uma visita, mas ficará para uma próxima. Cruzamos com alguns pescadores e de lá, seguimos para a enseada da Lagoa do Boqueirão. Ali tem uma excelente estrutura, a melhor de toda a travessia. O Ricardo e o Leandro demoraram um pouco para chegar. Lanchamos e descansamos bem para o último e mais longo trecho da remada. Nesse, não teríamos ponto de apoio. Até agora, seria fácil parar e descansar em algum lugar, caso precisássemos. A travessia agora era direta e pelo meio da maior lagoa do complexo lagunar de Maricá.
Voltamos para a remada. Pela previsão, entraria um vento leste que estaria totalmente a favor da remada. Cruzamos a ponte do Boqueirão e entramos na Lagoa de Maricá. Começamos juntos, mas logo nos distanciamos. E a previsão acertou, o vento começou a apertar e começou as marolas. Como estava a favor, tudo tranquilo. De longe consegui avistar uma ilhota. Era uma que já queria passar por ela, desde quando havia planejado a remada. Segui até ela, mas não desembarquei. Segui remando e fui me aproximando de uma enseada, mas estava percebendo alguma coisa diferente. Quando cheguei mais perto, vi que não era a de Amendoeiras, tivemos que ajustar a rota e seguir remando.
Cruzamos um morro e logo entramos num trecho mais abrigado. O vento mais fraco no local deu um refresco. Seguimos remando até um pequeno píer. Eu e meu irmão esperamos o Leandro e Ricardo chegarem. Colocamos os caiaques na calçada, procuramos uma sombra. Aí foi esperar a logística dos carros.
Enfim havia saído a tão esperada Travessia das Lagoas de Maricá. Agora sei que é possível atravessar remando. Qual será próxima remada?
Foi em Junho de 2022 que remamos o trecho de "PortoVelho do Cunha x Itaocara", totalizando 56 km. Nossa idéia era fazer um
trecho por ano até chegar à barra do Rio Paraíba do Sul, em Atafona. Porém, em
2023, não conseguimos pôr em prática nosso objetivo, mas esse ano saiu. Até que
foi meio no susto, cosa do tipo: “Pode na outra semana?”, mas se não for assim,
acaba não saindo. Confirmando a data, compramos logo a passagem de ônibus para
Itaocara. Agora sim estava marcado!
Aproveitamos que estava uma janela de tempo extremamente
favorável, com tempo firme. Fazia calor e o único problema seria o sol forte
por volta das 12 horas. Mas dentro d’água podemos nos refrescar a qualquer
momento. Na noite de sexta feira, fizemos as compras para o lanche e preparamos
todo o equipamento. A logística foi diferente: sairíamos de Itaocara e dessa
vez não teria muita correria e nem ter que acordar na madrugada. Marcamos de
nos encontrar às 6 horas 30 minutos na sede do Kayak & Sup Club, em
Itaocara.
Chegamos lá e na hora de pegar os caiaques, o que iria usar
não estava no clube. A solução foi utilizar outro do Markley, não tão
apropriado para remadas longas. Mas era isso ou desistir. Como Desistir não
estava nos nossos planos, preparamos tudo e colocamos os caiaques na água, já
fazendo a foto de partida. Era uma manhã bonita e a Serra da Bolívia nos da um
excelente bom dia. A água do rio Paraíba estava exuberante e numa temperatura
extremamente agradável, difícil ter condições melhores.
Era 7 horas e 30 minutos quando iniciamos nossa remada. Aos
poucos fomos deslizando pelas águas do Rio Paraíba do Sul rumo ao nosso
destino... As águas que no extremo sul do país estão causando tanto desastre,
aqui nos proporcionam tanto prazer. É o contraste que a vida nos dá. Seguimos
descendo e logo estávamos cruzando a Ponte Ary Parreiras, que liga Itaocara à
Aperibé. Seguimos passando por pequenas corredeiras num bom ritmo. Já sentia
bastante o caiaque. Mantê-lo no rumo me obrigava a fazer um esforço extra e lá
na frente isso cobrou seu preço. Remava sempre um pouco mais atrás, isso para
mim até facilita, pois vejo sempre o caminho que eles fazem e sigo com mais
calma.
Logo deixamos o centro da cidade e voltamos a remar com
poucas construções nas margens, trazendo aquela sensação de estarmos
literalmente fora da civilização. Fizemos uma parada rápida e logo voltamos
para a água. Mais à frente, entramos num trecho bem fechado com pequenos
canais. Difícil para quem nunca passou ali identificar qual seria o melhor
caminho. Mesmo já conhecendo, o Markley errou o caminho e tivemos que voltar e
pegar um canal mais estreito, passando por diversos galhos que dificultavam um
pouco a progressão.
Seguimos descendo o rio por entre pequenas corredeiras num
silencia total, até que ele foi quebrado pelo som de alguns carros, cruzando as
estradas que seguem paralelas ao rio. Logo chegamos à Portela, Distrito de
Itaocara. As pessoas ainda dormiam e havia pouco movimento. Passamos
rapidamente pelo distrito de Portela e começamos a pegar muita água parada. Não
estava fácil remar naquele caiaque, mas fui seguindo. De um ponto, o Markley
falou: “Olha lá a ponte de Cambuci!”. Juro que fiquei procurando, mas como não
via nada, fiquei na minha. Só depois que ele disse que era brincadeira, fazendo
isso só para motivar. No alto de um morro, na margem esquerda, dava para ver
uma casinha e o Jefferson me disse que era a referência da ponte de Cambuci.
Agora sim estava perto.
Ia sempre remando num ritmo mais lento que os outros, mas
sempre antes de alguma corredeira alguém me esperava para dar um auxílio, caso
necessário, afinal de contas era o menos experiente do grupo. Passamos pela
ponte de Cambuci e remamos por trechos com bastante água parada. O calor foi
aumentando e a todo momento tinha que jogar uma água na cabeça. Passamos o
centro de Cambuci e já estava bem cansado quando fizemos uma parada rápida. O
local era bem bonito, assim como inúmeros pelo qual passamos. Aproveitamos para
comer algo rápido, nossa parada para almoço seria mais a frente. Aproveitei
para trocar caiaque com o Markley. Como o caiaque era dele, talvez ele
estivesse mais acostumado. Para mim ficou mais fácil, o caiaque era parecido
com o TS, na qual havia remado no trecho Porto Velho do Cunha x Itaocara.
Voltamos para a água e já nas primeiras remadas senti
bastante diferença. Foi um alívio. Mais à frente, comecei a ouvir um
barulho forte de água, chegávamos à Cachoeira do Romão. Uma corredeira forte,
com grandes ondas que segue numa curva. Jefferson e o Mateus desceram algumas
vezes, eu e o Markley optamos por fazer a portagem sobre as pedras e voltar a
remar uma pouco mais abaixo. Descemos o final da corredeira e num remanso
fizemos nossa parada para o almoço. O local era bem bonito e agradável. Demos
uma boa descansada, mas já era hora de voltar a remar. Estávamos mais ou menos
na metade do caminho, havíamos remado cerca de 28 km. Lá fundo conseguia ver
uma formação rochosa bem bonita. Não sabia exatamente se era naquela direção
que iríamos, mas minha intuição dizia que sim e acabei tomando-a como referência.
Depois de um bom lanche, voltamos para água, ainda tinha
muito rio para remar. Continuamos passando por lugares fantásticos. As
corredeiras diminuíram de intensidade. Para mim foi até melhor, visto que
precisava remar com mais força durante a descida e já estava cansado. Pegamos
um braço auxiliar e fizemos uma parada em Pureza, 3º Distrito do município de
São Fidelis. Fomos muito bem recebidos por um senhor que morava na beira do
rio. Quando perguntamos onde tinha um bar para comprarmos água, ele nos
ofereceu várias garrafas de água gelada. Sempre com aquela excelente
hospitalidade de cidade do interior. Aproveitei para descansar e confesso que
fiquei desanimado quando fiz as contas, pois ainda faltavam cerca de 20 km para
o nosso destino.
Continuamos nossa jornada e depois de um longo trecho de
água parada, num local paradisíaco, chamei o pessoal para darmos uma parada.
Aproveitamos para descansar e rir um pouco. O bom astral dava forças para
continuar. Dei uma caminhada até uma laje e fiz um lanche bem próximo água, só
sentindo a água bater nos meus pés. O sol estava forte e já estava incomodando.
Senti alguns calos na mão esquerda, mas não quis tirar a luva. Estava com medo
de que tivesse dado bolhas. Agora era recarregar as baterias e seguir até o
final.
Passamos por diversos pontos de água parada. Para mim era
bom, remava tranquilo sem ter que forçar muito nas corredeiras. Já estava bem
cansado quando numa corredeira sem grandes dificuldades, o caiaque foi virando
e não tive forças para me equilibrar e tombei. Fui para a margem um pouco mais
a frente e com ajuda do Mateus, tiramos a água e voltamos para a água. Voltei a
remar um pouco desanimado, mas tinha que continuar, estávamos no trecho final.
Aquela formação rochosa que havia tomado como referência já estava ficando para
trás.
Fomos acompanhando uma linha de trem desativada e isso
ajudou a fazer o tempo passar. De longe já era possível ver uma ponte, pelo
formato, provavelmente era da estrada de ferro na qual vinha acompanhando.
Sinal de que estávamos chegando. Isso me deu forças. Estávamos num trecho bem
largo do rio, na qual parecia uma lagoa. Fui remando e percebi que o barulho
das águas estava aumentando, sinal de estávamos próximos de uma corredeira.
Segui o Jefferson, que foi em direção à margem esquerda. Como sempre, esperei
todos descerem e fui em seguida. Fui com bastante cuidado, não podia dar
errado. Passamos a última corredeira da remada, conhecida como “Salto”. Passada
mais essa, o Markley seguiu com o Mateus para a esquerda e eu fui seguindo o
Jefferson que ainda aproveitou uma boa onda e ficou surfando por alguns
minutos. Nos reencontramos num areal, logo após a ponte, onde paramos pela
última vez. Já estávamos bem próximos. Já estávamos no final do dia e o sol
começou a se por. Estava bem bonito. Fizemos uma foto para e seguimos para o
ponto onde havíamos combinado o resgate.
Foram mais uns 2 km até chegar à CEDAE, onde arrumamos um
local para subir. Conseguimos colocar os para cima e levamos até o carro, onde
amarramos tudo e seguimos de volta à Itaocara.
No total, foram cerca de 52 km, em aproximadamente 10 horas
de remada num dia fantástico.
Participantes: Leandro do Carmo, Leandro Conrado e Ricardo Bemvindo
Há um tempo que estava querendo fazer a Travessia Lapinha x
Tabuleiro. Minha programação inicial era fazer a Praia do Cassino de bicicleta,
mas vi que precisaria de um pouco mais de preparação. Aí, aproveitei uns dias
que tinha de folga e comecei a pesquisar sobre a travessia. Segundo meu
planejamento, teria metade de um dia e um dia inteiro livre antes de começar.
Então fomos procurar algo para fazer.
Chegamos cedo em Lapinha da Serra. Nosso voo chegou por
volta das 8h 30 minutos no aeroporto de Confins. De lá, tivemos sorte de
conseguir um UBER que nos levasse direto para Lapinha da Serra. O primeiro que
aceitou a corrida, cancelou e queria cobrar o dobro por fora. Assim que
chegamos no endereço fornecido, não achamos de primeira a casa onde ficaríamos
hospedados por dois dias. Mas, fomos seguindo as orientações recebidas por
mensagem, conseguimos achar. O distrito de Lapinha da Serra é bem pequeno, não
tem rua asfaltada.Um local bem
aconchegante. Deixamos tudo na casa e como ainda era cedo, fomos dar uma volta.
Como meu irmão havia ido lá há umas semanas atrás, ele nos
disse que tinha a opção de alugar uns caiaques para remar na represa que banha
o distrito. O seu nome original é Represa da Usina Coronel Américo Teixeira,
mais conhecida como Represa da Lapinha. Sua construção se iniciou na década de
1950 pela Companhia Industrial de Belo Horizonte. Hoje a represa é referência
da Lapinha e o atrativo mais visitado pelos turistas. Possui duas grandes
lagoas que são separadas por duas montanhas e unidas por um canal de água que
passa entre elas.
A cidades estava vazia. Pegamos algumas informações e fomos
tentar achar um local na qual conseguíssemos alugar. Andamos bem e fomos para
no local chamado de Prainha. Assim que chegamos, vimos duas meninas sentadas e perguntamos
sobre o aluguel do caiaque. Ela pediu para aguardar e foi lá falar com o
responsável. Ela voltou com uma notícia desanimadora, falando que não estavam
alugando. Difícil de acreditar que alguém não queria ganhar um dinheiro fácil
como aquele! Era só receber a grana... O caiaque já estava ali! Com a negativa,
caminhamos um pouco mais para frente e sentamos para descansar um pouco. Depois
de um tempo, chegou o responsável, talvez depois de pensar bem, e perguntou se
ainda queríamos remar. Negociamos um valor e fomos para a água.
O dia estava bem agradável. Ótimo para remar. Seguimos em
direção ao canal que separa as duas lagoas. O vento estava a favor, mas na
volta estaria contra. Algumas pessoas pescavam de tarrafa na margem. Seguimos
conversando até avistar bem ao fundo o ponto onde parecia ser a represa. Mas
estávamos já no final da tarde e optamos por não ir até lá. Durante a remada
percebi que o vento mudava a todo momento de direção. Meu receio era pegar um
vento contra na hora da volta. Mais à frente, vimos uma enseada e sugeri
fôssemos até lá. De longe, achei que ali fosse o ponto onde poderíamos conhecer
as pinturas rupestres. Quando cheguei perto, vi que estava certo. Existem duas
placas que informam ser propriedade particular. Deixei o caiaque ali e segui
andado. Vi que tinha um caminho bem batido fui andando até que cheguei numa
cerca com um portão que estava fechado com um cadeado. De longe consegui ver
algumas pinturas. Bati algumas fotos e retornei. Na volta, vi o Ricardo e o
Leandro de longe. Chamei-os e indiquei o caminho correto. Dali, voltei até o
caiaque e aproveitei para dar mais uma remada no entorno.
A remada de volta foi bem tranquila. No ponto do canal, fui
procurando a sombra pois ainda estava quente, apesar de já estar no final do
dia. Voltando, víamos o Pico da Lapinha bem de frente, fechando com chave de
ouro o dia. De volta à prainha, deixamos o caiaque e seguimos andando até em
casa. Uma recepção fantástica. No dia
seguinte, subiríamos o Pico da Lapinha.
Dia: 22/10/2022
Local: Charitas / Urca
Participantes: Leandro do Carmo, Jefferson Figueiredo e Guilherme
Trajeto remado
Relato
Vi um anúncio no Instagram sobre a realização da Regata
Rattier, organizada pelo Clube Carioca de Canoagem. Não gosto muito de
competição, mas resolvi participar. Me inscrevi na categoria máster de canoagem
oceânica. Ainda faltava um tempo, mas não tinha ideia de como iria fazer para
chegar lá. Levar meu caiaque é muito ruim, além de precisar de alguém para me
ajudar a colocar em cima do carro. Conversando com o Jefferson, ele animou de
ir e ainda convidou o Guilherme, amigo dele. Resolvemos sair de Niterói e ir a
Urca. A princípio, eu não iria participar da regata, apesar de estar inscrito,
queria ir só para participar do evento.
Passei na casa do Jefferson as 5:30h e de lá seguimos para
Charitas. Assim que chegamos, o Guilherme já estava lá também. O Jefferson foi
encontra-lo, pois iria usar um caiaque dele. Eu segui direto para onde o meu
fica. Arrumei tudo e fui encontra-los já próximo ao Aero Clube. Começamos a
remada. Era uma manhã bem agradável. Estava quente, sem vento. Rapidamente
cruzamos o Morro do Morcego e rumamos para o Forte da Lage. Cruzamos o canal e
passamos pela parte de dentro do forte. Entramos na Enseada de Botafogo e
paramos somente na praia da Urca. Nessa hora, já deu para perceber que o vento
havia aumentado. Nem lembrei que ainda restava a volta...
A praia da Urca Já estava cheia de caiaques e canoas. Tinha
bastante gente por lá. Fui falar com alguns amigos e pegar o kit da regata.
Ficamos conversando durante um tempo até que convocaram os participantes para
passarem a instruções das regras e outras informações da prova. A minha bateria
seria a terceira em largar. Com intervalo de 10 minutos entre elas. Aos poucos,
todos foram indo para a água e se organizando no ponto de largada. Como
largaria na terceira bateria, esperei um pouco para sair. Não sabia se faria a
prova toda. Falei com o Jefferson e com o Guilherme que remaria até o Forte da
Lage e de lá, resolveria se continuaria ou não.
Segui até próximo ao ponto da largada. O vento tinha
aumentado consideravelmente, nesse primeiro trecho iríamos remar com vento em
popa. Como tinha bastante embarcação na água, não foi fácil se posicionar. O
vento forte fez com que alguns caiaques e canoas se embolassem lá na água. Eu
me distanciei um pouco para sair da “confusão”. Com a largada da segunda
bateria, fui me posicionando melhor. Quando tocou o sinal da largada, comecei a
remar. Tinha bastante gente dentro d’água. Fui tomando os que estavam à frente
como referência. Alguns foram se distanciando rapidamente. Não dava para
acompanhar. Fui mantendo meu ritmo sem me preocupar muito. Aos poucos, o Forte
da Lage foi se aproximando. A maré foi jogando para dentro. Eu optei por uma
linha bem próxima. Alguns chegaram a virar e foram ajudados pelos barcos de
apoio.
Após iniciar o contorno do Forte da Lage, já deu para
perceber que a remada de volta seria dura. Assim que passávamos no píer de
atracação do Forte, tínhamos que gritar o nosso número de inscrição, o meu era
o 49. Agora o vento estava contra. Estava tão forte que tive que tirar o boné.
Foi só parar de remar alguns segundos que fui levado para o lado. Era manter o
ritmo e seguir remando. Aos poucos, acho que a remada que fiz para chegar à
Urca foi cobrando seu preço. Já não conseguia mais remar como antes. Pensei em
desistir algumas vezes, mas se eu havia chegado até aqui, por que não ir até o
fim? Isso me fez continuar e mesmo cansado fui me aproximando dos barcos
atracados na Urca. Sinal de que estaria chegando ao fim.
Já conseguia ver a praia da Urca ao fundo e deveria
contornar uma pedra. Não sabia muito bem onde ficava e fiquei olhando quem
estava à frente para eu me guiar. Assim que contornei a pedra, foi só dar as
últimas remadas para, enfim, cruzar a linha de chegada. Cheguei bem cansado,
mas feliz por ter terminado. Dei um, boa descansada e aproveitei para lanchar
novamente. Encontrei o Jefferson e o Guilherme e falei que havia decido remar
até o fim. Eles remaram também, mas nem os encontrei pelo caminho. Já era hora
de voltar. Ainda havia o caminho de volta.
Achei que com o vento ajudando, fosse ser bem tranquilo.
Então, não me preocupei muito. Como eu queria estar certo. Não pude esperar a
premiação por conta do avançar da hora, então e despedi do pessoal do CCC e
começamos a remada de volta. Fomos remando o mesmo trecho até o Forte da Lage e
já vendo as condições do mar, optei por seguir pela parte de dentro. O
Guilherme e o Jefferson passaram por fora. Um navio apontou e esperei para que
ele passasse. Enquanto isso, o Jefferson e Guilherme chegaram próximos. Assim
que o navio passou, reiniciamos a remada.
Desse ponto em diante, o mar estava bem mexido. No começo
estávamos próximos um do outro, mas com o tempo, o vento e nosso ritmo
diferente foi fazendo com que nos afastássemos. Eu já não conseguia remar no
ritmo deles. Para aproveitar um pouco o vento e a ondulação, apontei a proa do
caiaque para a Ilha da Boa Viagem e assim fui remado. Por vezes, as marolas
quebravam por cima do caiaque. Estávamos cada vez mais distantes. Já na direção
do Morro do Morcego, o mar ficou bem estranho e logo que estava mais ou menos
piorou. O vento agora era contra e forte. O Guilherme já não via mais. O
Jefferson estava bem longe, já na direção da ponta da Estrada Fróes. Eu, optei
por mudar o rumo e seguir até a praia do Morcego, mesmo com vento contra, pois
a distância era menor e eu estava bem cansado. Cometemos o erro de nos
afastarmos e perdemos completamente o contato. Agora já era tarde.
As rajadas aumentaram e foi difícil chegar. Nem acreditava
que havia chegado. Puxei o caiaque para a areia e tentei olhar para ver se via
alguém, mas nada. Como eu chegaria bem depois deles, mandei uma mensagem no
whatsapp para avisar que estava tudo bem e que havia passado na praia do
Morcego. Bebi uma água e esperei para ver se o vento daria uma trégua. Mas nada
dele ajudar. Continuei por mais um tempo, até que decide voltar a remar.
Voltei para água e fui remando em direção à estação do
catamarã da praia de Charitas. Fiz esse trecho bem devagar. Ainda encontrei com
a galera do Windsurf já próximo à estação. Enfim havia chegado. Na areia
encontrei com o Jefferson que esperava há algum tempo. Guardamos as coisas e
fomos embora. Um grande desafio numa manhã bem completa. Temos que estar
preparados para revés. A natureza é forte!