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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Trilha da Pedra do Altar, Parque Nacional de Itatiaia

Por Leandro do Carmo

Trilha da Pedra do Altar - Parque Nacional de Itatiaia

Data: 24/07/2026
Local: Parque Nacional de Itatiaia – Itatiaia – RJ
Participantes: Leandro do Carmo, Alice Carvalho, Leonardo Carmo, Marina Fernandes e Marcos Lima

Trilha da Pedra do Altar


Um pouco sobre o Parque Nacional de Itatiaia

O Parque Nacional de Itatiaia, criado em 1937, foi o primeiro parque nacional do Brasil e ocupa uma posição de destaque na história do montanhismo nacional. Localizado na Serra da Mantiqueira, entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, o parque protege algumas das montanhas mais emblemáticas do país e é considerado um dos principais berços das atividades de escalada e exploração de montanha no Brasil.

A Parte Alta do parque concentra os principais atrativos para montanhistas, entre eles o Pico das Agulhas Negras (2.791 m), as Prateleiras, a Pedra do Altar e a Pedra do Couto. A paisagem é marcada por campos de altitude, grandes maciços rochosos e extensos mirantes naturais, proporcionando algumas das vistas mais impressionantes da Serra da Mantiqueira. Suas trilhas variam de caminhadas contemplativas a ascensões que exigem técnicas de escalada e escalaminhada.

Além da beleza cênica, Itatiaia possui enorme importância histórica para o desenvolvimento do montanhismo brasileiro. Diversas gerações de excursionistas, escaladores e alpinistas passaram por suas trilhas e paredões, transformando a região em uma verdadeira escola de montanha ao ar livre. Com sua combinação de altitude, clima de montanha e formações rochosas únicas, o parque permanece como um dos destinos mais desejados pelos amantes do montanhismo e da natureza no Brasil.

Como chegar à parte alta do PNI

O acesso à Parte Alta é feito pela portaria localizada no município de Itamonte (MG). Para quem vem do Rio de Janeiro ou de São Paulo, o trajeto principal é pela Rodovia Presidente Dutra (BR-116) até o distrito de Engenheiro Passos, seguindo depois pela BR-354 em direção à Garganta do Registro. A partir desse ponto, uma estrada de montanha leva até o Posto Marcão e ao Abrigo Rebouças, principal ponto de partida das trilhas da região.

Vídeo da trilha Pedra do Altar

Relato da trilha da Pedra do Altar

Foi uma noite fria, mas dentro do abrigo tudo foi bem tranquilo. Acordei um pouco antes das 7 horas, e meu irmão já havia mandado uma mensagem avisando que estava na portaria. Levantei e fiz um café para esquentar. O tempo estava nublado, e acho que a previsão iria se concretizar. Tomamos um café e, já de cara, decidimos que a via Bira ficaria novamente para a próxima. Separei algumas coisas em uma mochila, levando apenas um lanche e uma capa de chuva. Iniciamos a caminhada por volta das 8h10.

Cruzamos a ponte por cima da barragem e lembrei da época em que ela não existia. Tínhamos que cruzar o trecho nos equilibrando sobre algumas pedras. Se errássemos o passo, era pé na água gelada! A caminhada foi bem tranquila e logo estávamos de frente para o maciço das Agulhas Negras. Apesar do tempo nublado, a vista era fantástica. Conseguíamos ver algumas pessoas na trilha para as Agulhas. Continuamos andando até avistarmos a incrível formação da Asa de Hermes. Do ângulo em que estávamos, conseguíamos ver nitidamente o contorno. Demos uma parada rápida e seguimos andando. Cruzamos com poucas pessoas ao longo do caminho.

Em pouco tempo estávamos no cume. O vento estava forte e havia poucos locais abrigados. Aproveitei para fazer um lanche rápido. O tempo foi fechando e, rapidamente, não conseguíamos ver mais nada. O frio foi apertando, e decidimos pegar o caminho de volta antes que a chuva chegasse. E assim iniciamos a descida. Veio uma chuva fraca, que nos acompanhou durante um tempinho, mas logo foi embora. Ainda bem que não veio forte.

Seguimos caminho até o abrigo, onde ficamos conversando durante um tempo. Aproveitamos para preparar um bom almoço. No final do dia, meu irmão, Marina e o Velhinho foram embora. Eu e Alice ficaríamos mais uma noite. Aproveitamos para fazer mais algumas caminhadas curtas no entorno. Esfriou bastante durante a noite, mas, dentro do abrigo, tudo é mais tranquilo.

Amanhã seria o último dia... 

Trilha da Pedra do Altar

Trilha da Pedra do Altar
Trilha da Pedra do Altar

Trilha da Pedra do Altar

Trilha da Pedra do Altar

Trilha da Pedra do Altar

Trilha da Pedra do Altar

Trilha da Pedra do Altar

Trilha da Pedra do Altar

Trilha da Pedra do Altar

Trilha da Pedra do Altar



quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Entrevista Gente como a Gente: Flávio Daflon



Por Vítor Pimenta

Hoje estreamos a série de entrevistas Gente como a Gente, onde poderemos conhecer a história de pessoas que se tornaram referência no esporte ou que superaram os próprios limites,  mas que nem por isso deixaram o mundo dos mortais! Não importa o que fizeram, e sim que fizeram! São histórias de superação e dedicação que mostram que não há nada impossível, desde que haja força de vontade!

Com a bem sucedida iniciativa do Vitor Pimenta, damos início à nossa série de entrevistas. E para começar, nada mais, nada menos do que nosso grande mestre Flávio Daflon. Vamos conhecê-lo melhor...

Um pouco da história...

Professor de um grande legado de escaladores e portador de uma linda humildade, Daflon teve seu primeiro contato com o montanhismo nas Agulhas Negras, numa viajem a Itatiaia onde teve o prazer de conhecer Júlio Spanner, que o acompanhou na empreitada. Posteriormente, numa pousada em Teresópolis, vestiu pela primeira vez uma sapatilha e baudrier ao se deparar com um muro outdoor com agarras de pedras que era monitorado pelo falecido Mozart Catão.

Foi então que aos 16 anos procurou o CERJ (Clube Excursionista RJ) e em 7 de setembro de kichute no pé, pode ampliar ainda mais seu amor pela montanha, começando seu curso pela Via Branco. E Não parou nunca mais!
Passado um ano escalando de kichute, vias como Luiz Arnaud em Niterói, Dedo de Nossa Senhora na Serra dos Órgãos, top rope no Grajaú e Arco-Íris nos Coloridos (essa ele confessou que teve um pouco de dificuldade provando que é um ser humano) comprou sua sapatilha e na mesma época começou a se aventurar em guiar. Foi experimentá-la na pedra do urubu na via Urubu Capenga, que na época ainda não tinha quebrado uma agarra chave.

Logo depois de começar a escalar passou para informática na UERJ e trabalhava na Golden Cross em Botafogo. Passado um tempo e percebendo que sua natureza não era dentro de um escritório, acabou por pedir demissão e fez uma viajem da Argentina até a Venezuela em 7 meses escalando e caminhando quando não encontrava parceiro.Com pouco mais de 6 anos de escalada começou a dar aula, o que veio a dar forma a tão bem renomada Companhia da Escalada.

Em uma de suas idas a Bariloche conheceu 2 suíços que ao vieram ao Brasil e pediram informações sobre os melhores picos no RJ. O primeiro lugar onde foram escalar foi a via K2, no Corcovado,  onde encontrou o amor de sua vida, Cinthia, que foi apresentada ao Daflon pelos próprios suíços que a conheceram em Curitiba.

Coincidência? Destino? A caso? Seja lá qual o nome, foi necessário um link de outro continente para juntar 2 almas brasileiras. Grandes amizades, boa auto-estima, amor pelo meio ambiente, respeito pela flora e fauna são algumas das atribuições que esse estilo de vida pode te proporcionar, sem falar, é claro, em uma história de amor.

Para falar mais sobre Flávio Daflon, ninguém melhor do que ele mesmo:


Nome, idade, profissão

Flavio Daflon, 40 anos, Guia de Escalada.

Quando começou a escalar e por quê?

Comecei em 1989, no Cerj, com 16 anos. Já fazia caminhadas e acampava desde 85. Morava em Jacarépaguá e em frente de casa tinha um morro com trilhas e pedras que vivia subindo. Mas acho que foram as revistas com matérias de escaladas e travessias que mais me chamaram a atenção.

Com quem costuma escalar?

Já tive grandes parceiros de escalada desde que comecei a escalar, no inicio Gerson e Taylor do Cerj. Depois escalei muito com o Pita, com o Ivanir, um amigo da Cintia de Curitiba que veio passar uns dias de férias com a gente aqui em casa e acabou ficando quase dois anos. Escalei bastante com um ex-aluno, o Bruno Castelo Branco e com o Neto também. Com o Bernardo Collares fiz muitas vias e viagens bacanas. Na Patagonia e Europa escalei com um grande amigo alemão, o Jorg. E agora voltei a escalar bastante com o Ralf.

Das vias que já fez, cite 3 das que mais se orgulha?

Com certeza a conquista no Fitz Roy, Via Samba do Leão, pela via, pelos parceiros, Serginho e Luciano e pelo que a montanha significa. A Torre Central dos Paines com o Jorg, do acampamento Japonês ao cume e volta sem parar. O big wall Franco-Brasileiro na Pedra do Sino com o Julio Campanela, sempre foi um sonho. O também big wall e mítica Tragados Pelo Tempo com o Pita e o Álvaro, uma semana depois de voltar da Crazy Muzungus. A via Place of Happiness na Pedra Riscada, com Fabinho, Neto, Daniel e Martino. Há várias outras...

Cite seu projeto de curto e longo prazo:

Em novembro vou ao Encontro de Escaladores do Nordeste, que sempre é divertido. E ano que vem, quero fazer alguma viagem maior, ainda não sei pra onde, lugar é que não falta!

Já sofreu acidente ou se lesionou? O que aprendeu com ele?

Uma vez, torci o pé e outra fissurei o calcanhar, tudo fazendo boulder, foi só.

Qual sapatilha usa?

Gosto da Five Ten, usei e ainda uso a Newton e a Anasazi.

Quem te inspira?

A maior inspiração que tive na escalada foi Alexandre Portela e Sergio Tartari. Mesmo antes de começar a escalar já tinha lido matérias sobre eles. O que fizeram, como fizeram e naquela época, foi espetacular.

Possui rotina de treino? Conte-nos:

Não possuo uma rotina de treinos, mas estou sempre fazendo algo. Faço esportiva, boulder, malho no muro, faço o costão, corro, caminho, pedalo e faço fortalecimento na academia. Mais ou menos cada um deles, dependendo do objetivo.

Como você definiria o escalador completo?

O escalador completo escala de tudo, boulder, vias esportivas, vias tradicionais, em móvel, big wall, vias alpinas. Faz aderência, fendas, negativos, etc. Não precisa escalar graus extremos, mas tem que ter um grau sólido em diversas situações.

Deixe uma mensagem:

Que escalem de tudo, não só esportiva. Que não deixem de buscar aventuras em nossas montanhas, aonde está a alma da escalada.

Para contato com Flávio Daflon, acesse: www.companhiadaescalada.com.br