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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos

Por Leandro do Carmo

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos

Dia: 02/08/2026
Local: São Fidélis/Campo - RJ
Participantes: Leandro do Carmo, Jefferson Figueiredo e Markley Santos

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos




Estatísticas da remada:


Trecho total remado: 55 km
Tempo: 7h 45min

Trecho remado:


Veja também os outros trechos do projeto:

São Fidelis x Campos
Campos x São João da Barra (previsão para março 2027)

O Rio Paraíba do Sul

O Rio Paraíba do Sul é um rio extenso sendo recurso extremante importante para três estados do sudeste brasileiro: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Nasce na serra da Bocaina em São Paulo e desemboca na praia de Atafona em São João da Barra - RJ possuindo 1.340 km de extensão abrangendo 150 cidades e 20 milhões de pessoas.  

Ao longo de seu trecho o rio adquire várias formas e tem características bem específicas: ora estreito, ora largo, ora turbulento, ora calmo, às vezes represa e volta a ser rio, ora poluído, ora preservado, sim é isso mesmo, preservado e com mata ciliar e vegetação exuberante e é esse rio Paraíba do Sul que pouca gente conhece.  

No Médio Paraíba, mais especificamente do trecho de Além Paraíba-MG a São Fidelis-RJ, o rio Paraíba do Sul possui águas turbulentas com corredeiras e cachoeiras, predominância de ilhas, é largo e com uma vegetação ciliar ainda bem preservada. Famoso pela piscosidade e referência na pesca esportiva de dourado e robalo. Em uma grande extensão não existe cidades em suas margens, o que contribuí para renovação de suas águas, além da própria oxigenação causada pelas corredeiras. Ele também recebe as águas de vários afluentes. Fonte:  ACAI

Vídeo da Remada São Fidelis x Campos

 

Relato da Remada São Fidelis x Campos

Essa foi a terceira etapa do nosso projeto de remar de Porto Velho do Cunha até a foz do Rio Paraíba do Sul, no balneário de Atafona, em São João da Barra. Já havíamos vencido os dois primeiros trechos — Porto Velho do Cunha a Itaocara, com 58,6 km, e Itaocara a São Fidélis, com 55 km. A última remada tinha sido em 2024 e, por uma sequência de desencontros, não conseguimos manter a ideia inicial de fazer uma etapa por ano. Estávamos atrasados. Dessa vez, no entanto, a remada tinha que sair.

Antes de qualquer coisa, era preciso conciliar o período em que o Markley não estivesse embarcado. Resolvido isso, veio a parte mais trabalhosa: a logística. São Fidélis fica a 310 km de Niterói, e nada seria exatamente simples. Meu irmão se prontificou a me levar até São Fidélis e me resgatar em Campos. O Jefferson, vindo de Itaocara, combinou sua logística com o Markley, que mora em Campos.

Para facilitar um pouco, resolvi ir para Rio das Ostras na sexta-feira. Assim poderia descansar mais e ainda encurtar a distância até São Fidélis. Chegamos a cogitar dormir por lá no sábado, mas acabamos decidindo acordar cedo no domingo e seguir direto para o ponto de partida. A viagem até Rio das Ostras foi tranquila. No sábado, preparei a comida e separei tudo o que precisava levar. Ficou combinado: sairíamos na madrugada de domingo, às 3h15min.

Como previsto, acordamos ainda no escuro e pegamos a estrada. No caminho até Campos, não se via quase nada; a noite ainda dominava a paisagem. Só na RJ-158, já em direção a São Fidélis, começamos a enxergar melhor o contorno das montanhas ao fundo. No mirante do Morro do Gambá, a vista foi um anúncio generoso do que nos esperava naquele dia. Às 6h20min chegamos a São Fidélis. A cidade ainda despertava lentamente, com ruas vazias e comércio fechado.

Peguei a localização do ponto de encontro e seguimos até lá. Chegamos praticamente juntos. Separamos o material e descemos para a casa da família do Fabinho, morador de São Fidélis, que gentilmente nos recebeu e deu esse apoio logístico. Ali tomamos café da manhã e nos preparamos para o desafio.

Nós nos despedimos do Fabinho e colocamos os caiaques na água. A manhã estava bonita e agradável. Ao tocar o remo na água, comecei a deslizar suavemente, como se a superfície da água fosse veludo. Aos poucos, a ansiedade foi cedendo espaço à realidade: estávamos finalmente no Paraíba do Sul, passando por baixo de uma das pontes de São Fidélis, com o Fabinho acenando ao longe e nos desejando boa sorte.

Daquele ponto em diante, o foco era o destino. Fiz questão de registrar aqueles primeiros momentos. A água do Paraíba estava clara, deixando ver algumas pedras no fundo. O rio nos recebia com calma, e aquela tranquilidade inicial ajudava a transformar a expectativa em movimento.

Entrávamos em um trecho bem diferente dos anteriores. Não enfrentaríamos mais corredeiras. Não por acaso, já no fim do século XIX e início do século XX, essa parte do rio era navegada por embarcações a vapor. Havia linhas regulares entre São João da Barra, Campos e São Fidélis, transportando passageiros, café, açúcar e mercadorias diversas.

Eu acreditava que seria um trecho mais fácil. As corredeiras dos trechos anteriores ajudavam o caiaque a descer o rio, mas também exigiam força constante para manter o rumo. No fim, consumiam muita energia, principalmente quando o cansaço começava a pesar. Agora, a promessa era outra: um rio mais lento, mais aberto, talvez mais silencioso.

O sol apareceu de frente, mas o dia seguia agradável. Por enquanto, isso não era problema. O rio permanecia quase como um espelho, refletindo muito mais do que as margens: refletia também meus pensamentos. Comecei a lembrar de toda a logística necessária para chegar até ali. Não foi simples. Talvez seja justamente esse caminho invisível, feito de combinações, deslocamentos e ajustes, que impeça muita gente de repetir aventuras como essa.

De volta ao que importava, segui remando. Minhas referências eram as serras e os morros que acompanhavam o curso do rio. A primeira grande marca na paisagem foi a Serra do Sapateiro. O rio corria devagar, e precisávamos desviar de vários bancos de areia. Nessa época do ano, a vazão está bem baixa. Como nos trechos anteriores, havia poucas construções nas margens, mas também poucas árvores. A história da ocupação da região ajuda a explicar essa paisagem: fazendas de café, criação de gado e, mais adiante, a força da produção açucareira moldaram por muito tempo as margens do Paraíba.

Passamos por algumas casas, poucos pontos de parada e, sem perceber, já estávamos passando pela Serra do Sapateiro. Logo depois, alcançamos o Morro do Gambá, onde fica um mirante na qual passamos pela estrada. Lembrei da vista lá de cima e me imaginei como um ponto minúsculo no meio daquela imensidão de água.

Assim que o morro ficou para trás, fizemos a primeira parada. Já havíamos remado 22 km, e era hora de descansar e comer algo mais consistente. Dessa vez, preparei melhor minha alimentação e fui consumindo pequenas porções ao longo da remada. Isso fez diferença. Paramos em um dos muitos bancos de areia do caminho, fizemos algumas fotos e aproveitei para alongar as costas, que começavam a incomodar. Ao fundo, havia um povoado — o segundo com alguma relevância desde o início da remada. Depois do descanso, voltamos aos caiaques e seguimos rio abaixo.

Nossa estratégia era remar perto da margem, onde o rio corria um pouco mais rápido e podíamos aproveitar sua força. Pelo tracklog, dá para ver que seguimos bem colados à margem direita. Depois de mais uns 10 km, os morros começaram a diminuir, e a paisagem foi se abrindo. À medida que o rio se aproxima de Campos dos Goytacazes, o vale se transforma em uma extensa planície. Foi essa paisagem que ajudou a fazer de Campos um dos principais centros produtores de açúcar do Brasil Imperial. O Paraíba do Sul oferecia água, fertilidade e caminho para sustentar engenhos, usinas e o movimento econômico da região.

A mudança no cenário ficou cada vez mais evidente. As margens foram se transformando em barrancos, e as balsas de extração de areia passaram a aparecer com mais frequência. A paisagem já não tinha o mesmo encanto. Se antes a mudança era percebida aos poucos, agora ela se impunha de forma clara — e, sinceramente, menos agradável. Já tínhamos passado da metade da remada, segundo meus cálculos. Os bancos de areia se tornavam mais constantes, e continuávamos avançando junto à margem direita.

Passamos pelo distrito de Santa Cruz com cerca de 45 km remados. Eu estava relativamente bem, sobretudo quando comparava meu estado às remadas anteriores. Depois de aproximadamente duas horas, fizemos mais uma parada em outro banco de areia. Era um descanso merecido. Comi mais um bom lanche e tentei recuperar energia. Dali em diante, entraríamos no trecho final.

Até aquele momento, as condições eram quase perfeitas: dia fresco e vento a favor. Quando fechamos a data, comecei a acompanhar a previsão do vento na região. Não era a melhor época do ano, mas também não era a pior. Nos dias anteriores, ventos fortes castigavam a área, especialmente à tarde, quando costumavam ficar contra o sentido da remada. Isso poderia complicar bastante. Mas a previsão para aquele domingo era favorável. Sorte? Muita. Cabia a nós aproveitar.

Como a hora da possível mudança do vento se aproximava, voltamos logo para o rio. Aproveitei para aumentar o ritmo. O trecho era mais monótono e, se comparado ao que já havíamos visto, bem menos bonito. A água estava mais turva. As margens, erodidas, exibiam barrancos, árvores caídas e várias balsas de retirada de areia. Era um cenário desolador.

Mesmo assim, eu seguia em bom ritmo. O Jefferson e o Markley brincaram dizendo que era efeito do Todynho que eu tinha tomado. Apertei ainda mais a remada, já pensando no vento contra que poderíamos encontrar. Naquele momento ele entrava de lado, mas aumentava aos poucos. Ao fundo, os primeiros prédios começaram a aparecer. Era o sinal de que o fim estava próximo.

Ao passar pelo Rio Muriaé, até o cheiro da água mudou. Estávamos definitivamente entrando na área urbana. Foi inevitável sentir certa tristeza ao perceber essa transformação da paisagem. O vento entrou como previsto: mais forte e contra. Mas já estávamos na reta final. De tempos em tempos, uma rajada mais intensa vinha pela frente. Assim que cruzamos a primeira ponte, conseguimos ver o ponto de chegada. Seguimos juntos e, já próximos do Cais da Lapa, nos reunimos para comemorar. A terceira etapa estava concluída.

Dessa vez, cheguei mais inteiro do que nas duas etapas anteriores. Arrumamos tudo. Jefferson e Markley retornaram para São Fidélis. Eu segui para Rio das Ostras. E foi aí que começou a segunda etapa da aventura — aquela que ninguém costuma imaginar quando vê apenas as fotos bonitas.

Pegamos a estrada no fim de um dia bonito. Deixamos Campos para trás e seguimos em direção a Rio das Ostras. Depois de passar a segunda entrada para Conceição de Macabu, já com quase uma hora e meia de viagem, uma fumaça estranha começou a sair do carro. Paramos no acostamento. O radiador estava sem água. Não havia como continuar.

Acionamos a concessionária da rodovia e, depois de uma boa espera, o reboque chegou e nos levou até um posto próximo. Por sorte, havia um restaurante. Liguei para o seguro, pedi outro reboque para levar o carro e também um táxi para nos buscar.

O reboque veio relativamente rápido, mas o táxi demorou. O restaurante fechou, e ficamos do lado de fora. Estava frio, a noite avançava, e o sinal de celular era ruim. Não foi fácil manter contato com a seguradora. Resolvi então pedir um carro por aplicativo. Por sorte, um motorista aceitou a corrida. Quando chegou, explicamos a situação. No início ele hesitou em nos levar, afinal estávamos em cinco, no meio da estrada, sem sinal e com o posto prestes a fechar. Mas, ao perceber a situação, acabou aceitando.

Chegando a Rio das Ostras, deu tempo apenas de tomar um banho e seguir para casa. Meu irmão nos deixou em Niterói e depois ainda seguiu para Guapimirim. No fim das contas, havíamos saído às 3h da madrugada de domingo, e eu só cheguei em casa às 3h da madrugada de segunda. Três horas depois, às seis da manhã, já estava de pé para ir trabalhar.

Quando olhamos as fotos bonitas de uma aventura, quase nunca imaginamos tudo o que existe por trás delas: os quilômetros de estrada, os imprevistos, o cansaço acumulado, o frio no acostamento, a logística improvável e a teimosia de continuar. Mas talvez seja justamente isso que dê sentido à história. Afinal, o que não fazemos por uma aventura?

E assim, estava concluída mais uma etapa. Rio Paraíba do Sul, vivo! 

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos


Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos


Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos


Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos

Remada no Rio Paraíba do Sul: De São Fidelis à Campos



quinta-feira, 12 de março de 2026

Travessia das Lagoas de Maricá de Caiaque

Por Leandro do Carmo

Data: 17/01/2026
Local: Maricá – RJ
Participantes: Leandro do Carmo, Leonardo Carmo, Leandro Conrado e Ricardo Bemvindo


Travessia das lagoas de maricá de caiaque




Histórico e Curiosidades

O sistema lagunar de Maricá é composto por um complexo de quatro lagoas principais interligadas, que se estendem paralelamente ao litoral. 

Principais Lagoas e Localizações

  1. Lagoa de Guarapina: Fica na extremidade leste do complexo, banhando os bairros de Ponta Negra, Bambuí e Cordeirinho. É conectada ao mar pelo Canal de Ponta Negra.
  2. Lagoa do Padre: Uma lagoa menor situada entre a Lagoa da Barra e a de Guarapina, próxima ao bairro de Cordeirinho.
  3. Lagoa de Jacaroá: Embora tecnicamente um braço ou enseada da Lagoa de Maricá, é frequentemente tratada de forma individual devido à sua fama pelo fenômeno da bioluminescência (águas que brilham no escuro), observado recentemente em 2025 e 2026. 
  4. Lagoa de Maricá: É a maior do sistema, banhando o distrito-sede e bairros como Araçatiba (onde fica a famosa orla de lazer), Itapeba, São José do Imbassaí e Marine.
O Complexo Lagunar de Maricá é um dos mais importantes sistemas lagunares costeiros do estado do Rio de Janeiro. Localizado no município de Maricá, na Região Metropolitana Leste Fluminense, o conjunto de lagoas se estende paralelamente ao litoral, entre o Oceano Atlântico e a Serra da Tiririca, formando uma paisagem singular que combina água doce, água salobra, restingas, manguezais e áreas de Mata Atlântica.

Caminho Percorrido


Caminho percorrido no Wikiloc

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Vídeo da Travessia das Lagoas de Maricá de caiaque


Relato da Travessia das Lagoas de Maricá de caiaque

Já havia tentado marcar essa remada, atravessando as Lagoas de Maricá, há um bom tempo. Mas a logística sempre foi um fator complicado. Fazer isso sozinho, era quase impossível. O tempo foi passando e nos últimos anos, com o grande processo de urbanização promovido pela prefeitura de Maricá e financiado pelos royalties do petróleo, foi ficando mais fácil conseguir montar o roteiro. Analisei as imagens de satélite e foi possível dividir o percurso em quatro partes: Ponta Negra x Bambuí, Bambuí x Guaratiba, Guaratiba x Boqueirão e Boqueirão x Amendoeiras. Todos os trechos com, aproximadamente, a mesma distância. O roteiro estava pronto, mas ainda existia a dúvida se seria possível cruzar os canais. A dúvida é se eles estariam assoreados.
Durante a Travessia da Juatinga, eu, meu irmão, Leandro Conrado e o Ricardo, combinamos de fazer essa remada. Definimos a data e acertamos toda a logística. Fez bastante calor durante a semana e optamos por chegar bem cedo e começar a remar logo, pois por volta das 9h o calor já estava insuportável. Nos encontramos no caminho e deixamos um carro no ponto onde terminaríamos a remada, assim poderíamos voltar e pegar os carros que deixaríamos no início da remada.
Atrasamos um pouco e começamos a remar às 6h 40 min. Um pouco depois do que havíamos programado. O tempo estava levemente nublado. Não ventava. Olhava e via a lagoa bem lisa, sinal de remada tranquila. Com tudo pronto, fomos para a água. Saímos bem ao lado da boca do canal. Esse primeiro trecho remaríamos pela lagoa de Guarapina, até a orla de Bambuí. Esse trecho foi tranquilo, foi remada para aquecer. Eu e meu irmão desenvolvemos bem, mas o Ricardo e o Leandro ficaram um pouco para trás, pois estavam num caiaque duplo aberto e ele não tem um desempenho tão bom.
De longo não era possível ver a entrada do canal de Bambuí, mas à medida que fomos nos aproximando, foi possível vê-lo. Logo na entrada, passamos pelo deck de Cordeirinho e seguimos pelo canal. Avançamos e entramos num trecho onde estávamos ao lado eu uma rua, já em área urbana. Cruzamos uma ponte e chegamos ao ponto onde havia marcado para fazer a primeira parada. Nem chegamos a desembarcar, pois não havia um bom local. Bebemos uma água e descansamos um pouco.
De volta a remada, entraríamos no ponto de maior dúvida da travessia: a ligação entre o canal e a Lagoa do Padre. Seguimos remando e cruzamos com alguns grupos de Flamingos, num espetáculo a parte. Nesse trecho, já chegando à Lagoa do Padre, a profundidade despenca para alguns centímetros e em alguns pontos o fundo do caiaque arrastava. Era preciso tomar cuidado e escolher o melhor caminho para não ficar preso. O fundo era de lama e quando arrastava o remo, via aquele lodo subir. Nesse trecho também percebi que havia tido alguma obra de desassoreamento, pois nas bordas, havia vários depósitos de areia. Ainda bem que tinham trabalhado no local, acho que seria bem difícil ter passado ali há um tempo. Do outro lado, mais um grupo grande de Flamingos e próximo a gente, um grande grupo de aves. Tentei me aproximar um pouco, mas o caiaque encalhou.  Voltei e continuei a remada.
Depois desse trecho, entramos na lagoa do Padre e as condições não melhoraram. Continuava um trecho raso e tínhamos dificuldade em remar. Ainda bem que foi o trecho razoavelmente mais curso, se comparado aos outros. De longe conseguíamos ver uma ponte e seguimos em direção a ela. Após passar a ponte, entramos no canal de que liga essa lagoa a de Jacaroá. Mais a frente consegui avistar vários barcos, estávamos chegando à Orla de Guaratiba, nosso segundo ponto de parada. Segui até ele e desembarquei. Esperamos o Leandro e o Ricardo chegarem. Aproveitamos para fazer um lanche e descansar. Ficamos ali durante um tempo até que voltamos para a remada, ainda falta um bom trecho.
De volta a água, continuamos no canal e entramos na lagoa de Jacaroá. Atravessamos um longo trecho. Cruzamos a Ponta da Divinéia. Estávamos no trecho mais bonito e preservado de toda a travessia. Depois de ter atravessado o pior, compensou passar aqui. À esquerda, uma bela enseada que merecia uma visita, mas ficará para uma próxima. Cruzamos com alguns pescadores e de lá, seguimos para a enseada da Lagoa do Boqueirão. Ali tem uma excelente estrutura, a melhor de toda a travessia. O Ricardo e o Leandro demoraram um pouco para chegar. Lanchamos e descansamos bem para o último e mais longo trecho da remada. Nesse, não teríamos ponto de apoio. Até agora, seria fácil parar e descansar em algum lugar, caso precisássemos. A travessia agora era direta e pelo meio da maior lagoa do complexo lagunar de Maricá.
Voltamos para a remada. Pela previsão, entraria um vento leste que estaria totalmente a favor da remada. Cruzamos a ponte do Boqueirão e entramos na Lagoa de Maricá. Começamos juntos, mas logo nos distanciamos. E a previsão acertou, o vento começou a apertar e começou as marolas. Como estava a favor, tudo tranquilo. De longe consegui avistar uma ilhota. Era uma que já queria passar por ela, desde quando havia planejado a remada. Segui até ela, mas não desembarquei. Segui remando e fui me aproximando de uma enseada, mas estava percebendo alguma coisa diferente. Quando cheguei mais perto, vi que não era a de Amendoeiras, tivemos que ajustar a rota e seguir remando.
Cruzamos um morro e logo entramos num trecho mais abrigado. O vento mais fraco no local deu um refresco. Seguimos remando até um pequeno píer. Eu e meu irmão esperamos o Leandro e Ricardo chegarem. Colocamos os caiaques na calçada, procuramos uma sombra. Aí foi esperar a logística dos carros.
Enfim havia saído a tão esperada Travessia das Lagoas de Maricá. Agora sei que é possível atravessar remando. Qual será próxima remada?
Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque

Travessia das lagoas de maricá de caiaque


quinta-feira, 11 de julho de 2024

Remada no Rio Paraíba do Sul: De Itaocara à São Fidelis

Por Leandro do Carmo

Remada Itaocara x São Fidelis


Remada no Rio Paraíba do Sul: De Itaocara à São Fidelis

Dia: 11/05/2024
Local: Itaocara
Participantes: Leandro do Carmo, Jefferson Figueiredo, Markley Santos e Mateus Leite

Trecho total remado: 52 km
Tempo: 9h 30min

Veja também:


Dicas para remar na região


Trecho feito



Vídeo da Remada Itaocara x São Fidelis


Relato da Remada Itaocara x São Fidelis

Foi em Junho de 2022 que remamos o trecho de "PortoVelho do Cunha x Itaocara", totalizando 56 km. Nossa idéia era fazer um trecho por ano até chegar à barra do Rio Paraíba do Sul, em Atafona. Porém, em 2023, não conseguimos pôr em prática nosso objetivo, mas esse ano saiu. Até que foi meio no susto, cosa do tipo: “Pode na outra semana?”, mas se não for assim, acaba não saindo. Confirmando a data, compramos logo a passagem de ônibus para Itaocara. Agora sim estava marcado!

Aproveitamos que estava uma janela de tempo extremamente favorável, com tempo firme. Fazia calor e o único problema seria o sol forte por volta das 12 horas. Mas dentro d’água podemos nos refrescar a qualquer momento. Na noite de sexta feira, fizemos as compras para o lanche e preparamos todo o equipamento. A logística foi diferente: sairíamos de Itaocara e dessa vez não teria muita correria e nem ter que acordar na madrugada. Marcamos de nos encontrar às 6 horas 30 minutos na sede do Kayak & Sup Club, em Itaocara.

Chegamos lá e na hora de pegar os caiaques, o que iria usar não estava no clube. A solução foi utilizar outro do Markley, não tão apropriado para remadas longas. Mas era isso ou desistir. Como Desistir não estava nos nossos planos, preparamos tudo e colocamos os caiaques na água, já fazendo a foto de partida. Era uma manhã bonita e a Serra da Bolívia nos da um excelente bom dia. A água do rio Paraíba estava exuberante e numa temperatura extremamente agradável, difícil ter condições melhores.

Remada Itaocara x São Fidelis


Era 7 horas e 30 minutos quando iniciamos nossa remada. Aos poucos fomos deslizando pelas águas do Rio Paraíba do Sul rumo ao nosso destino... As águas que no extremo sul do país estão causando tanto desastre, aqui nos proporcionam tanto prazer. É o contraste que a vida nos dá. Seguimos descendo e logo estávamos cruzando a Ponte Ary Parreiras, que liga Itaocara à Aperibé. Seguimos passando por pequenas corredeiras num bom ritmo. Já sentia bastante o caiaque. Mantê-lo no rumo me obrigava a fazer um esforço extra e lá na frente isso cobrou seu preço. Remava sempre um pouco mais atrás, isso para mim até facilita, pois vejo sempre o caminho que eles fazem e sigo com mais calma.

Logo deixamos o centro da cidade e voltamos a remar com poucas construções nas margens, trazendo aquela sensação de estarmos literalmente fora da civilização. Fizemos uma parada rápida e logo voltamos para a água. Mais à frente, entramos num trecho bem fechado com pequenos canais. Difícil para quem nunca passou ali identificar qual seria o melhor caminho. Mesmo já conhecendo, o Markley errou o caminho e tivemos que voltar e pegar um canal mais estreito, passando por diversos galhos que dificultavam um pouco a progressão.

Remada Itaocara x São Fidelis


Seguimos descendo o rio por entre pequenas corredeiras num silencia total, até que ele foi quebrado pelo som de alguns carros, cruzando as estradas que seguem paralelas ao rio. Logo chegamos à Portela, Distrito de Itaocara. As pessoas ainda dormiam e havia pouco movimento. Passamos rapidamente pelo distrito de Portela e começamos a pegar muita água parada. Não estava fácil remar naquele caiaque, mas fui seguindo. De um ponto, o Markley falou: “Olha lá a ponte de Cambuci!”. Juro que fiquei procurando, mas como não via nada, fiquei na minha. Só depois que ele disse que era brincadeira, fazendo isso só para motivar. No alto de um morro, na margem esquerda, dava para ver uma casinha e o Jefferson me disse que era a referência da ponte de Cambuci. Agora sim estava perto.

Ia sempre remando num ritmo mais lento que os outros, mas sempre antes de alguma corredeira alguém me esperava para dar um auxílio, caso necessário, afinal de contas era o menos experiente do grupo. Passamos pela ponte de Cambuci e remamos por trechos com bastante água parada. O calor foi aumentando e a todo momento tinha que jogar uma água na cabeça. Passamos o centro de Cambuci e já estava bem cansado quando fizemos uma parada rápida. O local era bem bonito, assim como inúmeros pelo qual passamos. Aproveitamos para comer algo rápido, nossa parada para almoço seria mais a frente. Aproveitei para trocar caiaque com o Markley. Como o caiaque era dele, talvez ele estivesse mais acostumado. Para mim ficou mais fácil, o caiaque era parecido com o TS, na qual havia remado no trecho Porto Velho do Cunha x Itaocara.

Voltamos para a água e já nas primeiras remadas senti bastante diferença.  Foi um alívio. Mais à frente, comecei a ouvir um barulho forte de água, chegávamos à Cachoeira do Romão. Uma corredeira forte, com grandes ondas que segue numa curva. Jefferson e o Mateus desceram algumas vezes, eu e o Markley optamos por fazer a portagem sobre as pedras e voltar a remar uma pouco mais abaixo. Descemos o final da corredeira e num remanso fizemos nossa parada para o almoço. O local era bem bonito e agradável. Demos uma boa descansada, mas já era hora de voltar a remar. Estávamos mais ou menos na metade do caminho, havíamos remado cerca de 28 km. Lá fundo conseguia ver uma formação rochosa bem bonita. Não sabia exatamente se era naquela direção que iríamos, mas minha intuição dizia que sim e acabei tomando-a como referência.

Remada Itaocara x São Fidelis


Depois de um bom lanche, voltamos para água, ainda tinha muito rio para remar. Continuamos passando por lugares fantásticos. As corredeiras diminuíram de intensidade. Para mim foi até melhor, visto que precisava remar com mais força durante a descida e já estava cansado. Pegamos um braço auxiliar e fizemos uma parada em Pureza, 3º Distrito do município de São Fidelis. Fomos muito bem recebidos por um senhor que morava na beira do rio. Quando perguntamos onde tinha um bar para comprarmos água, ele nos ofereceu várias garrafas de água gelada. Sempre com aquela excelente hospitalidade de cidade do interior. Aproveitei para descansar e confesso que fiquei desanimado quando fiz as contas, pois ainda faltavam cerca de 20 km para o nosso destino.

Continuamos nossa jornada e depois de um longo trecho de água parada, num local paradisíaco, chamei o pessoal para darmos uma parada. Aproveitamos para descansar e rir um pouco. O bom astral dava forças para continuar. Dei uma caminhada até uma laje e fiz um lanche bem próximo água, só sentindo a água bater nos meus pés. O sol estava forte e já estava incomodando. Senti alguns calos na mão esquerda, mas não quis tirar a luva. Estava com medo de que tivesse dado bolhas. Agora era recarregar as baterias e seguir até o final.

Remada Itaocara x São Fidelis


Passamos por diversos pontos de água parada. Para mim era bom, remava tranquilo sem ter que forçar muito nas corredeiras. Já estava bem cansado quando numa corredeira sem grandes dificuldades, o caiaque foi virando e não tive forças para me equilibrar e tombei. Fui para a margem um pouco mais a frente e com ajuda do Mateus, tiramos a água e voltamos para a água. Voltei a remar um pouco desanimado, mas tinha que continuar, estávamos no trecho final. Aquela formação rochosa que havia tomado como referência já estava ficando para trás.

Fomos acompanhando uma linha de trem desativada e isso ajudou a fazer o tempo passar. De longe já era possível ver uma ponte, pelo formato, provavelmente era da estrada de ferro na qual vinha acompanhando. Sinal de que estávamos chegando. Isso me deu forças. Estávamos num trecho bem largo do rio, na qual parecia uma lagoa. Fui remando e percebi que o barulho das águas estava aumentando, sinal de estávamos próximos de uma corredeira. Segui o Jefferson, que foi em direção à margem esquerda. Como sempre, esperei todos descerem e fui em seguida. Fui com bastante cuidado, não podia dar errado. Passamos a última corredeira da remada, conhecida como “Salto”. Passada mais essa, o Markley seguiu com o Mateus para a esquerda e eu fui seguindo o Jefferson que ainda aproveitou uma boa onda e ficou surfando por alguns minutos. Nos reencontramos num areal, logo após a ponte, onde paramos pela última vez. Já estávamos bem próximos. Já estávamos no final do dia e o sol começou a se por. Estava bem bonito. Fizemos uma foto para e seguimos para o ponto onde havíamos combinado o resgate.


Remada Itaocara x São Fidelis

Foram mais uns 2 km até chegar à CEDAE, onde arrumamos um local para subir. Conseguimos colocar os para cima e levamos até o carro, onde amarramos tudo e seguimos de volta à Itaocara.

No total, foram cerca de 52 km, em aproximadamente 10 horas de remada num dia fantástico.


Remada Itaocara x São Fidelis

Remada Itaocara x São Fidelis

Remada Itaocara x São Fidelis

Remada Itaocara x São Fidelis

Remada Itaocara x São Fidelis

Remada Itaocara x São Fidelis

Remada Itaocara x São Fidelis

Remada Itaocara x São Fidelis

Remada Itaocara x São Fidelis

Remada Itaocara x São Fidelis

Remada Itaocara x São Fidelis

Remada Itaocara x São Fidelis

Remada Itaocara x São Fidelis

Remada Itaocara x São Fidelis

Remada Itaocara x São Fidelis

Remada Itaocara x São Fidelis

Remada Itaocara x São Fidelis

Remada Itaocara x São Fidelis

Remada Itaocara x São Fidelis