Mostrando postagens com marcador Petrópolis. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Petrópolis. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Por Leandro do Carmo

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis


Dia: 10 e 11/09/2022
Local: Parque Nacional da Serra dos Órgãos
Participantes: Leandro do Carmo, Leandro Conrado, Fernando Marques, Willian Pedrozo, Thiago Wentzl,  Charles Gomes, Gustavo Chicayban e Higor

Como chegar

A portaria da Sede Petrópolis fica no Bairro do Bonfim, em Corrêas, Petrópolis. O acesso terrestre principal é feito pela BR 040, que liga o Rio de Janeiro (RJ) a Juiz de Fora (MG). Do centro de Petrópolis até a portaria, o acesso é através da Estrada União-Indústria, que margeia o Rio Quitandinha. Deve-se tomar o acesso do Distrito de Corrêas.

Para quem vem de Teresópolis o acesso é através da Rodovia BR-393 (Teresópolis-Itaipava). Chegando-se a Itaipava toma-se a direção do Centro de Petrópolis até o Distrito de Corrêas.

A partir de Corrêas deve-se seguir as indicações do Bairro Bonfim. O acesso é feito por estrada de terra e trechos ruins de asfalto e paralelepípedo. A portaria do parque é a última construção na área mais alta do bairro.

De ônibus a melhor opção a partir do Centro de Petrópolis é tomar um ônibus para o Terminal de Corrêas. De lá existem duas linhas que atendem ao Bonfim - a linha 611 (Bonfim) que tem ponto final a cerca de 1 Km da portaria e a linha 616 (Pinheiral) que chega mais perto, até a Escola Rural do Bonfim.

Início da Trilha  

Powered by Wikiloc

Dicas  

Optamos por fazer em 2 dias. No primeiro dia, acampamos no Açú e no segundo, seguimos direto até a portaria de Teresópolis. Com relação à logística, deixamos os carros na sede em Teresópolis e de lá, contratamos uma van para nos levar até a portaria de Petrópolis.

Relato  

Voltando para mais uma Travessia Petrópolis x Teresópolis. Uma das mais clássicas do montanhismo brasileiro. A travessia começou há mais de um mês atrás, quando encaminhei uma mensagem lá no grupo do Clube Niteroiense de Montanhismo avisando sobre a minha vontade. As inscrições estavam abertas e seria necessário que fizéssemos nossa solicitação de inscrição, preenchendo um formulário “on line” e aguardando a resposta sobre a validação. Como sou guia do clube, não necessito fazer agendamento. Deixei aberto, cada um ficaria responsável por sua vaga.  

Nas semanas anteriores da viagem, definimos alguns detalhes de como faríamos com os carros. Optamos pode deixar já na sede em Teresópolis e pegar uma van até o início, em Petrópolis. Nas outras vezes, tinha contratado uma pessoa para levar o carro de Petrópolis até Teresópolis. Algumas pessoas não conseguiram vaga. Próximo ao dia, algumas pessoas desistiram, deixando nosso grupo com 8 pessoas. Com tudo resolvido, saímos de Niterói às 5h de sábado rumo à Teresópolis.  

A previsão era razoável. Tempo bom no sábado e possibilidade de chuva, já na noite e para o domingo. O dia amanheceu firme. Pelo menos nessa manhã, não havia sinal de chuva. Pelo contrário, tinha certeza de que o sol apareceria forte. Chegamos no horário combinado e a van já nos aguardava. Entramos um pouco antes da abertura do parque para estacionar os carros e de lá seguimos na van até a portaria de Petrópolis. Foi a primeira vez que passei pela estrada que liga as cidades de Teresópolis e Petrópolis. Fizemos uma parada na padaria da Praça de Corrêas e de lá seguimos até a portaria do parque.

Travessia Petrópolis x Teresópolis


Paramos um pouco antes, pois a van não conseguiria manobrar lá em cima. Dali caminhamos uns 150 metros. Já na portaria, preenchemos as papeladas e fizemos nossa foto de saída. Era 9:15h quando iniciamos a caminhada. Esse trecho inicial é um bom aquecimento. Apesar de ser subida, ela é bem leve e vamos ganhando altitude bem lentamente, porém constante. Uma parte caminhou mais rápido. Fui um pouco mais atrás.  

Fizemos nossa primeira parada rápida na bifurcação para a Cachoeira do Véu da Noiva. Ali é um ponto estratégico, pois antecede a forte subida até a Pedra do Queijo. Tomei uma água e comi algo bem rápido. Descansei um pouco, já pensando no próximo trecho. Voltamos a caminhar. Fomos ganhando altitude rapidamente. Num ritmo mais lento, porém cadenciado fui subindo, sempre de olho na paisagem. Em alguns pontos é possível ver o Vale do Bomfim, bem como parte do chapadão, local onde estaríamos em breve. Passamos a entrada para o “Alicate” e mais à frente, paramos rápido para uma foto em um belo mirante. Já estávamos bem próximos da nossa segunda parada. Esse trecho, apesar de forte, ainda está no começo da caminhada, por isso consegui fazer bem. O cartucho do gás ainda estava cheio! Mais alguns metros e estávamos na Pedra do Queijo.  

Fizemos uma parada mais longa. Ali, pude comer algo mais reforçado. Na minha programação, completávamos 1/3 do caminho. Andamos num bom ritmo. Ali é um excelente ponto para fotos. Do alto da Pedra do Queijo, podemos ver todo o Vale do Bomfim. Abdiquei das fotos e apenas descansei e lanchei. A partir desse ponto, já é bem visível a mudança na vegetação. As grandes árvores vão dando lugar à pequenos e retorcidos arbustos. O Charles subiu à frente, pois ele queria subi o drone para filmar um trecho mais acima. Depois de um merecido descanso, era hora de voltar a caminhar. Nosso próximo objetivo, era a parada no Ajax.  

Assim que começamos a andar, ouvimos o barulho do drone. Esse é um trecho que está mais aberto. O sol batia e o calor aumentava. Fomos andando e logo chegamos ao Charles, que já preparava a mochila para voltar a caminhar. Nesse ponto, conseguíamos ver o Ajax e Alto da Izabeloca bem ao fundo. Esse seria o caminho que teríamos que percorrer. Veio uma descida mais longa, a primeira depois de um longo caminho. Mas a alegria da ilusão logo foi vencida pela tristeza da verdade, quanto mais descêssemos, mais teríamos que subir novamente. Mas não tinha jeito, era concentrar e subir. A descida até que foi longa, mas deu uma aliviada. Subi até o Ajax, onde fizemos outra parada mais longa. Ali fiz outro lanche e enchi o cantil no último ponto de água.  

Aos poucos, fomos saindo em direção ao nosso próximo objetivo, a Izabeloca. Essa subida já foi pior. Depois de um grande manejo realizado, foram feitos novos trechos em curvas de nível, aliviando a subida. Olhando para trás, era possível ver boa parte do caminho que já havia feito. Foi um alívio ver o totem. Já no alto do chapadão pude descansar. Algumas nuvens cobriam o sol e o vento trouxe um frio mais forte. Coloquei o anorak e aí sim, pude relaxar um pouco. Fiz algumas fotos aguardei que todos chegassem. Já havíamos completado 2/3 do caminho. Era a nossa última parada e dali, seguiríamos até o Abrigo do Açú.  

De vota a caminhada, estávamos no trecho, teoricamente, mais tranquilo. Mas esse mais tranquilo é muito relativo. Já estávamos cansados e o chapadão não é tão reto assim. Existem subidas e descidas. Claro que nada se compara aos trechos anteriores. O maior problema ali é a orientação no caso de forte neblina. Como o dia estava aberto, não seria um problema. Faltava cerca de 1,5 km para concluirmos o dia. Lá no fundo, era possível ver o cruzeiro no alto do Açú. Depois de alguns minutos, já era possível ver os Castelos do Açú. Uma vista fantástica. Já conseguia ver também o Abrigo do Açú. O abrigo está fechado, devido ao fim do contrato com a concessionária.  

Quem chegou primeiro, iniciou a montagem das barracas na área de camping quase ao lado do abrigo. Optamos ficar ali por estar próximo ao ponto de água e banheiro, mas talvez não seja o melhor local. Aproveitei para tomar logo o banho. Me surpreendi com a temperatura da água. Estava melhor do que imaginava. De banho tomado e com o ânimo renovado, fui armar a barraca. Como cheguei por último, acabei ficando com os piores lugares. Tive que preparar o chão, colocando os ramos secos de capim. Isso deixou o fundo da barraca mais confortável. Até pensei em montar em outro local, mas era menos abrigado e se ventasse, ficaria ruim.  

Depois da barraca montada, preparei meu almoço. Comi com vontade. Dei uma organizada no equipamento e fui até o cruzeiro ver o pôr-do-sol. Foi um espetáculo, apesar de estar um pouco nublado. O frio lá no alto estava forte, mas nada que uma boa roupa de frio não resolvesse. Os cumes mais altos do PARNASO eram os únicos visíveis. Abaixo, um tapete de nuvens. Estávamos literalmente sobre as nuvens. Voltei até a barraca e me preparei para descansar, afinal de contas o dia seguinte seria mais cansativo. A noite chegou e com ela a lua cheia, era uma daquelas que iluminava tudo. O céu estava bem estrela e tinha uma previsão de chuva para a madrugada e o dia seguinte. Agora era dormir e torcer para o tempo não virar.

Travessia Petrópolis x Teresópolis


Dormi extremamente mal. Mesmo cansado, acordava toda hora. Foi uma noite bem tranquila. Ventou pouco e por algumas vezes, ouvia o barulho que pareciam pingos caindo em cima da barraca. Era por volta das 4 h quando uma menina que estava na barraca em frente a minha acordou e fez muito barulho, falando alto e até cantando. Nem se preocupou que tinham outras pessoas dormindo. Fiquei esperando dar 5h para levantar e assim que celular tocou, levantei já achando que o dia estaria fechado. Estava errado, ainda bem. O dia estava firme. O barulho que ouvia durante a noite, provavelmente era de areia carregada pelo vento. Preparei o café e fui arrumando a mochila para deixar tudo pronto para a partida.  

Saímos para caminhar as 6:30h, um pouco depois do previsto, mas num bom horário. O Charles saiu bem cedo, ainda era noite, na tentativa de fotografar algum animal. Partimos do camping e seguimos descendo o primeiro lajeado. Dali, podíamos a ver a grande subida que teríamos pela frente, para atingir o Morro do Marco. Do outro lado, víamos a subida para o Morro da Luva. Assim que cruzamos o vale, deu para perceber que a subida não era tão longa assim. Acho que de longe parece bem pior. Ainda era o começo da caminhada e por enquanto, tudo tranquilo.

Chegamos ao cume do Morro do Marco, que tem esse nome devido a um grande totem de pedra que existia e foi destruído há alguns anos. Nesse ponto, tínhamos a opção de seguir aos Portais de Hércules, mas fazendo a travessia em dois dias, fica muito puxado. Seguimos em direção ao Morro da Luva, descendo até o colo entre os dois cumes. Nesse ponto há o primeiro ponto de água. Como meu cantil estava cheio, optei por não coletar água nesse ponto. Minha estimativa era de pegar somente no Vale das Antas. Do colo, começamos a subir o Morro da Luva. Uma das piores subidas da travessia. Não adiantava ter pressa. No começo, tem vários trechos onde é necessário usar as mãos para ajudar a subir. Mais acima, alguns trechos bem escorregadios. Depois de uns bons minutos, havíamos chegado ao Morro da Luva. Lá encontramos com o Charles. Fizemos mais uma parada para descanso.

Travessia Petrópolis x Teresópolis


Dali, seguimos descendo até atravessar um charco e seguir paralelo a um pequeno córrego. Dessa vez estava mais seco, diferentemente da última vez que passei por ali. Mais à frente, entramos num lajeado e descemos. Já conseguíamos ver o trecho do elevador. Já no final da descida, bem próximo ao precipício, seguimos para a esquerda e cruzamos o córrego. Nesse ponto há um corrimão que balança um pouco. Fomos andando num trecho bem delicado até chegar à base do elevador. Nas fotos, ele parece bem mais difícil que ao vivo. Para quem não conhece, o elevador é uma sequência de degraus fincados na rocha. É um trecho obrigatório e não há como contorná-lo. Lá no alto, fizemos mais uma parada para descanso.  

Fizemos algumas fotos e voltamos a caminhar. Dali, conseguíamos ver por onde passaríamos. Seguimos subindo levemente até descer forte numa rampa. Dali pegamos o caminho até chegar ao Dinossauro. Ali, estávamos bem de frente para o Garrafão. Uma vista fantástica. Lá no fundo, aquele tapete de nuvens. Nossa próxima parada seria o Vale das Antas. Continuamos a caminhada por mais um lajeado até começar a descer. Já no final da descida, passamos por trecho que sempre tem lama, mas dessa vez, assim como em outros trechos, estava bem tranquilo. Já no Vale das Antas, fizemos mais uma parada. Aproveitamos para captar água e comer algo. Era importante descansar, pois essa próxima subida seria forte. Mas antes que o corpo esfriasse, voltamos a andar.

Cruzamos uma pequena ponte de madeira e iniciamos a subida para a Pedra da Baleia. Foi mais uma subida dura. Mas logo estávamos passando por uma pedra, que chamamos de Dorso da Baleia. Dali, cruzamos mais um charco e fizemos mais uma parada no totem que indicava cerca de 1,5km até o Abrigo 4. O vento era um pouco mais forte. Procurei um local um pouco mais abrigado para evitar o frio. Descansamos bem. Estávamos cada vez mais próximos.  

Descemos em direção ao lance do Mergulho. Não levamos corda. Muita gente opta por fixar uma corda nesse ponto para ajudar a descida, principalmente nos dias de chuva. Mas descendo devagar, é possível fazer sem. Fomos descendo um por um. Havíamos feito o penúltimo trecho técnico de toda a travessia, faltava apenas o “Cavalinho”. Andamos mais um pouco e começamos a subir. Já estávamos colados na Pedra do Sino. Paramos na base do Cavalinho e pude observar as pessoas passando. Nem chega a ser tão difícil como se fala, mas com atenção, dá para passar tranquilo. Optamos pela seguinte estratégia: um sobe, pega a mochila, o próximo sobe sem mochila e pega a mochila do próximo, que sobe sem. E assim fomos subindo, passando o trecho bem rápido.  

Continuamos subindo e passamos pela escada. Andamos até o ponto onde dá acesso ao cume da Pedra do Sino. Alguns subiram, eu optei por seguir direto até o Abrigo do Sino. Aproveitei que tem sinal de celular nesse ponto e mandei algumas mensagens, avisando que estava tudo bem. Foram mais alguns minutos até chegar ao Abrigo 4. Dei uma boa descansada e preparei um almoço. Era cedo ainda, havíamos chegado por volta das 12h. Tempo suficiente para almoçar, descansar e ainda chegar durante o dia na portaria de Teresópolis. Alguns preferiram descer sem almoço.  

Depois de um bom almoço e uma boa descansada, começamos a descer a trilha do Sino. O tempo permanecia bom, mas na medida que iríamos perdendo altitude, entraríamos na zona das nuvens e, a partir daí, não daria para garantir mais nada. E não deu outra. Assim que cruzamos a cota 2000, ponto onde marca a altitude de 2.000 metros, estava tudo bem fechado e não tínhamos mais visual. Pelo menos, não chovia. Seguimos descendo e fizemos uma parada na saída para o Paredão Paraguaio e outra, na Cachoeira do Véu da Noiva. É uma descida que parecia não ter fim. Estava tudo bem molhado, mas não chovia.  

Chegamos quase juntos à Barragem com o grupo que havia saído primeiro. Se tivéssemos combinado, talvez não tivesse dado tão certo. Mas ainda não havia acabado, faltavam mais aproximadamente 2 km até o ponto onde o carro estava estacionado. Seguimos descendo pela rua até lá. Assim que avistei o carro, pude dar como encerrada a travessia. Troquei de roupa e arrumei as coisas. Dali, seguimos direto para o Paraíso Café, onde fizemos um lanche reforçado para pegar o caminho de casa. Mais uma Travessia Petrô x Terê finalizada.

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis


quarta-feira, 29 de junho de 2022

Trilha dos Castelos do Açú

Por Leandro do Carmo

Castelos do Açú



Dia: 07/05/2022
Local: Petrópolis - Parque Nacional da Serra dos Órgãos
Participantes: Leandro do Carmo, José Luis Lisboa, Willian Pedroza, Gabriel Nunes, Thales Porto, Bárbara Marinho, Renata Hiraga e Nicolas Loukids.  

Relato  

Por conta da pandemia, acabei deixando as montanhas do PARNASO de lado... Durante muito tempo o acesso a partir das portarias, tanto de Petrópolis, quanto de Teresópolis, estavam limitadas. Era hora de voltar. Aproveitando que uns amigos do trabalho queriam fazer a Travessia Petrópolis x Teresópolis, sugeri que fazermos alguns treinos antes, até para eles se aclimatarem com o ambiente bem diferente que é lá em cima.  

Saí bem cedo de casa, numa madrugada de sábado bem fria. Ainda estava escuro quando cheguei ao ponto de encontro. O Nicolas e a Bárbara já estavam lá e a Renata chegou logo em seguida. O Gabriel e Thales encontraríamos logo após o pedágio da Washington Luis, e o Lisboa, Marcelo Farias e Willian, só em Correas. A viagem foi tranquila e como combinado, encostei o carro logo após a praça do pedágio, onde o Thales nos aguardava. Quando saí do carro, percebi que ainda fazia frio. O Gabriel chegou logo em seguida. Conversamos um pouco e seguimos subindo a serra. Fizemos uma parada rápida para saber onde estaria o outro carro e fomos em direção à Correas, onde tomamos um bom café da manhã.  

Devido à pegarem um enorme caminhão de carga na subida da serra, o outro carro atrasou bastante, quase 1 hora. Minha preocupação era por conta do horário limite para subir à parte alta do Parque, que era 9 horas. Mas deu tudo certo, e às 9 horas em ponto estávamos na portaria do Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Arrumamos as coisas e definimos os pontos onde faríamos nossas paradas. Éramos 8 pessoas e grupos grandes tem pessoas com ritmos diferentes, ficando muito difícil fazer com que todos caminhem juntos. Com o primeiro objetivo traçado, seguimos andando.

A medida que andava, o frio ia diminuindo. O corpo estava aquecendo aos poucos, a leve subida ajudava. Estávamos paralelos ao rio, às vezes ao lado, às vezes acima. Por vezes, o Marcelo ficava um pouco para trás e tinha que dar uma segurada no ritmo para não perdê-lo de vista. Depois de um tempo, havíamos chegado à bifurcação que leva à cachoeiras do Véu da Noiva. Ali, fizemos uma breve pausa para uma água. Nesse ponto, lembrei de algumas das inúmeras vezes na qual estive ali. Cada dia numa situação diferente. Sem demorar muito, rumamos para o primeiro grande desafio do dia: “a subida da Pedra do Queijo”.  

Essa subida é forte, mas se feita num ritmo bem cadenciado não é um problema tão grande. Lá, seria nosso primeiro ponto de parada mais longa.  Fomos subindo bem devagar. Um pouco mais acima, conseguíamos ver a cachoeira do Véu da Noiva. Já sabendo da dificuldade do Marcelo, previ a possibilidade de que não chegasse ao cume. Fui até ao Queijo para encontrar com o grupo da frente. Assim que cheguei lá, também encontrei o Vander e a Mariana que estavam fazendo a Travessia Petrópolis x Teresópolis. Uma grande surpresa.

Tinham mais algumas pessoas lá. Batemos um papo e avisei ao grupo que se eles quisessem, poderiam seguir sozinhos até ao Castelo do Açú, eu temia que não conseguisse chegar por conta do nosso ritmo. Eles concordaram e seguiram andando. O Marcelo chegou após alguns minutos e ficou meio desanimado depois que mostrei o caminho que faltava. Fizemos uma parada maior, assim, pudemos descansar um pouco mais. Fizemos várias fotos e pudemos ver o vale do Bonfim ao fundo. O dia estava firme e o frio nem interferia mais. Estava bem e até agora não sentia nada. Já estava há algum tempo sem fazer uma caminhada mais forte. Deu a hora e começamos a subir novamente. Um pouco mais a frente e após outra subida, o Marcelo chegou e resolveu voltar. Além da companhia para volta, arrumou também uma carona para casa. Resolvido isso, nos despedimos e eu enviei uma mensagem no para o grupo, avisando do ocorrido e que os encontraríamos em algum ponto. A essa altura, eles já deveriam estar bem mais acima.  

Eu, Lisboa e Willian apertamos o passo a fim de recuperarmos o tempo na qual ficamos parados. Logo, chegamos ao Ajax, onde fizemos um lanche mais reforçado. Dali, consegui ver algumas pessoas já na Izabeloca, mas não conseguia identificar quem eram. Em algum momento, alguém iria ler minha mensagem. Depois de comer e reabastecer as garrafas de água na nascente, retornamos à caminhada. Subimos num ritmo mais forte, até que consegui avistar o Nicolas lá no alto da Izabeloca. Até fiquei na dúvida, mas assim que me aproximei um pouco mais, tive a certeza de que era realmente ele. Com certeza alguém já havia visto minha mensagem e eles estavam nos esperando.  

Chegamos bem e reencontramos a outra parte do grupo. Assim poderíamos caminhar juntos novamente. Fiz uma parada rápida e dali, começamos a caminhada no chapadão, em direção aos Castelos do Açú. Fomos caminhando num sobe e desce, porém, menos cansativo que os 2/3 do caminho inicial que era praticamente só subida. Como caminhávamos por muitas vezes entre lajes, o percurso já não fica tão obvio quanto ao início. O tempo deu uma fechada e sempre que parávamos um pouco, o frio aumentava. Estávamos bem expostos ao vento. Só nos restava andar para esquentar.  

Depois de algumas subidas e descidas, chegamos no ponto onde poderíamos ver a formação rochosa que dá nome ao local, mas como o tempo estava bem fechado, não conseguíamos ver. Ainda ficamos alguns minutos ali na esperança, mas nada. Assim que percebi que algumas pessoas começaram a parar para lanchar, avisei para deixarmos para comer um pouquinho mais a frente. Como ninguém ainda havia ido lá, não devem ter entendido muito bem, mas estávamos a poucos metros de um local bem agradável e abrigado para descansar e comer. Aí eu disse: “Podem acreditar em mim!”  

Andamos e logo estávamos lá. Para a surpresa de todos, o local era bem aconchegante. Ficamos em frente ao Abrigo que estava escondido pelas baixas nuvens que pairavam pela região há um bom tempo, mas aos poucos as nuvens deram uma leve dispersada e ele foi aparecendo. Todos puderam contemplar o local. Fiz um café para esquentar e aproveitei para fazer um lanche mais reforçado. Todos descansaram. Programamos de ficar lá por 40 minutos. Tempo suficiente para recarregar parte das baterias.  

O tempo passou rápido e ainda aproveitamos para dar uma volta entre gigantescos blocos amontoadas. Fiquei imaginando como que aquilo poderia estar ali. Fizemos várias fotos e iniciamos o nosso retorno. No ponto onde paramos para tentar vê-lo logo na chegada, conseguir, enfim, fazer a tão esperada foto. Por alguns instantes, o Castelo do Açú tomou conta da paisagem e todos puderam fazer belas fotos.  Continuamos a caminhada e por um instante perdemos o traçado. Sugeri que eles tentassem achar. Mostrei um pouco da dificuldade que seria caminhar ali se baixasse o russo, que é como chamamos a forte neblina que de vez em quando surge no local.  

Achado o caminho seguimos descendo num bate papo bem descontraído, o que ajudou muito a esquecer um pouco das dores nas costas, pés, joelhos... Chegamos já escuro à portaria do parque, eram 18:15h. Pegamos o carro e quem não pode esperar, seguiu de volta. Paramos para uma pizza em Correas. Aí foi pegar o caminho de volta. Um grande dia de retorno as montanhas!

Entrada do Parque Nacional da Serra dos Órgãos
Entrada do PARNASO, em Petrópolis

PARNASO - CASTELOS DO AÇÚ
Vale do Bonfim visto de algum ponto da trilha


PARNASO - CASTELOS DO AÇÚ
Um dos córregos na parte inicial da trilha

PARNASO - CASTELOS DO AÇÚ
Parada na Pedra do Queijo

PARNASO - CASTELOS DO AÇÚ
Subida da Izabeloca

PARNASO - CASTELOS DO AÇÚ
Caminhada no Chapadão

PARNASO - CASTELOS DO AÇÚ
Vale do Bonfim ao fundo


PARNASO - CASTELOS DO AÇÚ
Castelos do Açú


PARNASO - CASTELOS DO AÇÚ
Alto da Izabeloca


PARNASO - CASTELOS DO AÇÚ
Castelos do Açú


PARNASO - CASTELOS DO AÇÚ
Os guerreiros!


PARNASO - CASTELOS DO AÇÚ
Sinalização no Chapadão


PARNASO - CASTELOS DO AÇÚ
Castelos do Açú ao fundo


quarta-feira, 3 de abril de 2019

Trilha do Pico do Glória - Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Por Leandro do Carmo

Local: Petrópolis
Dia: 08/09/2018
Participantes: Leandro do Carmo, Ary Carlos, Alessandra Neves, Mauro Mello, Stephanie Maia, Marcelo Rocha, Verônika Kogel, João Bernardo, Diogo Paixão e Leandro Conrado.

Trilha do Pico do Glória - Parque Nacional da Serra dos Órgãos


Curiosidades

O Pico do Glória possui 1.900 metros de altitude e está localizado bem no meio do Vale do Bonfim, cercados por uma majestosa cadeia de montanhas, dentre elas: Açu, Morro da Luva e o Cubaio. Seu acesso é pela mesma trilha que segue para a Cachoeira do Véu da Noiva e o Cubaio.
O  Pico do Glória foi a primeira conquista do Centro Excursionista Brasileiro (CEB). Esse feito foi realizado no dia 22 de junho de 1931, doze anos após a fundação do Clube. O Pico do Glória pode ter sido escalado anteriormente, mas essas excursões não foram oficializadas porque não era hábito fazer relatórios na época.

A trilha

A trilha do Pico do Glória pode ser dividida em três trechos. Inicialmente é a mesma que vai para a Cachoeira Véu da Noiva. A partir do topo da Cachoeira Véu da Noiva, segue pelo leito do rio, caminhando por uma laje e por diversas pedras pelo caminho. Por caminharmos no leito do rio, a melhor época e fora das chuvas. Na terceira parte fica a subida mais dura da caminhada. Possui três trechos de escalada, que recomenda-se a utilização de equipamento de segurança.
Material utilizado: Corda de 30 metros e EPI.

Como chegar ao Pico do Glória

https://goo.gl/maps/LGTbNNMGgT72


Vídeo da Trilha do Pico do Glória



Relato da Trilha do Pico do Glória


Trilha do Pico do Glória - Parque Nacional da Serra dos Órgãos
Numa ida ao Clube Niteroiense de Montanhismo, meu amigo João Bernardo me perguntou se eu não queria fazer um trilha no final de semana. Ele me deu duas opções: Pico do Glória ou Pipoca. Já estava com vontade de fazer o Pico do Glória há muito tempo e não pensei duas vezes. Como seria no meio do feriado, achei que não fosse dar muita gente interessada, mesmo assim abri a atividade no site do clube. Isso era numa quarta feita. A princípio, abri 6 vagas, mas como o Ary, outro guia do clube, resolveu ir, aumentei para 10. Para minha surpresa, as vagas foram preenchidas ainda na quinta! Grupo fechado, organizamos as caronas e detalhes da logística.

Saímos às 6 horas da manhã e seguimos direto para Petrópolis, com uma parada rápida na Casa do Alemão, em Petrópolis, e de lá seguimos para Corrêas, nosso segundo ponto de encontro. Como tomar café na padaria em Corrêas é mais em conta, todos optaram por comer alguma coisa por lá. Dali seguimos para a portaria do Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Na portaria, pagamos a entrada, preenchemos o termo de risco e tiramos a foto oficial de início.

Trilha do Pico do Glória - Parque Nacional da Serra dos Órgãos
Começamos a caminhada. O dia estava firme e a temperatura bem agradável. Já no início, podíamos ver o Pico do Glória bem ao fundo. Essa primeira parte da caminhada é bem tranquila, vamos ganhando altura suavemente. Com relação a orientação, o caminho é bem definido e não há possibilidade de erro. Cada um foi no seu ritmo. Optamos de nos encontrar na bifurcação para o Véu da Noiva.

Na bifurcação, paramos para um rápido descanso enquanto o resto do pessoal chegava. Dali, pegamos o caminho para a Cachoeira do Véu da Noiva. Descemos um pouco e logo chegamos na Gruta do Presidente, que tem esse nome por ser um local frequentado por Getúlio Vargas, que chegava ali à cavalo. O local é bem bonito. Atravessamos o rio e continuamos a caminhada. Mais à frente, cruzamos outro rio e em pouco tempo chegamos a Cachoeira do Véu da Noiva. Ali encontramos um grupo do Centro Excursionista Rio de Janeiro – CERJ. Não perguntei, mas tinha certeza que estavam indo para o Pico do Glória também. O Pico do Glória é pouco frequentado, se comparado à outros cumes da região e justo nesse dia, teríamos dois grupos!

Trilha do Pico do Glória - Parque Nacional da Serra dos Órgãos
Atravessamos o rio e caminhamos mais um pouco até chegar à Cachoeira do Véu da Noiva. Tinha pouca água e a cachoeira estava sem aquele encanto. Mas mesmo assim o local é muito bonito. Paramos rápido para algumas fotos. A partir daí, seguimos numa forte subida até o topo da cachoeira. Em dias de chuva, fica perigoso atravessar esse trecho. Mas com o sol forte que estava fazendo, estava tudo seco. Seguimos andando pelo lajeado, um caminho bem bonito e diferente. Seguimos com cuidado e por vezes saímos do leito e caminhávamos na margem. Éramos guiados por alguns totens colocados no alto de algumas pedras.

Fui acompanhando para ver se via a saída para pegar o trecho final da trilha. Não queria passar direto. Porém, a entrada é bem óbvia. Chegamos a um ponto onde não dava mais para continuar, o único caminho era dobrar à direita e subir. Era ali! Nesse ponto, encontramos o grupo de CERJ. Começaríamos o trecho final. Dali em diante, era subida. Na verdade não era subida, era SÓ SUBIDA! Começamos a subida e logo fui diminuindo o ritmo. Não dava para andar tão rápido. A vegetação estava bem seca e havia muita poeira.

Trilha do Pico do Glória - Parque Nacional da Serra dos Órgãos
Subi um pouco e veio o primeiro lance mais técnico. Um trecho de rocha pequeno, mas que deve-se ter muito cuidado. Vencido o lance, continuei a subida. A vista do Vale do Bonfim ia aparecendo lentamente. Um local muito preservado. Um espetáculo da natureza. Entre subidas forte e subidas muito fortes, cheguei ao segundo trecho de escalada. Uma rampa, agora maior. Subi e parei bem acima, já quase no final laje de pedra, bem ao lado de um grampo. Fixei a corda e deixei disponível para os que quisessem usar. Aos poucos todos foram chegando e vencendo o lance.

Trilha do Pico do Glória - Parque Nacional da Serra dos ÓrgãosPassado esse trecho técnico, partimos para mais uma subida. Por vezes, estávamos abrigados entre as árvores, o que dava um grande alívio ao calor. Em pouco tempo, chegamos a trecho final. Um grande trecho íngreme. Subi um pouco e fui até a base, onde tem um grampo mal batido, com cerca de 2 metros de altura. Olhando para o lado direito, vi uma rampa menos íngreme, porém bem exposta. Fui até lá para ver se daria para subir. Andei um pouco e resolvi subir por ali. Foi bem tranquilo, mas tem que estar com o psicológico em dia! Já no alto, fixei a corda e esperei alguns subirem. Para não ficar muita gente naquele ponto, resolvi seguir direto ao cume.

Foi só caminhar mais alguns metros e estava no cume do Pico do Glória! Um cume fantástico, bem ao centro do Vale do Bomfim. Estávamos cercado por uma bela cadeia de montanhas. Dali podíamos ver o Ajax, a subida da Izabeloca, o Morro do Açu, Morro da Luva, Cubaio, etc... Mais embaixo, dava para ver o Alicate e todo o vale do Bomfim. O dia estava espetacular. Descansamos bem, fizemos um bom lanche e tiramos bastante foto. Aproveitamos para assinar o livro de cume e vi que a última ida lá, havia sido em julho desse ano. Depois de algum tempo no cume, começamos a nos preparar para descer.

Para baixo fica mais fácil...Desci rápido e aguardei e seguimos até o topo da Cachoeira do Véu da Noiva, onde aproveitei os últimos momentos de sol para tomar um banho. A água estava gelada, mas deu para entrar. Não deu para ficar muito tempo, mas já ajudou bastante. Dali, seguimos descendo e pegamos o caminho até a portaria do parque. Um belo dia. Mais um cume feito!

Pico do Glória

Pico do Glória

Trilha do Pico do Glória - Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Trilha do Pico do Glória - Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Trilha do Pico do Glória - Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Trilha do Pico do Glória - Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Trilha do Pico do Glória - Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Trilha do Pico do Glória - Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Trilha do Pico do Glória - Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Trilha do Pico do Glória - Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Trilha do Pico do Glória - Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Trilha do Pico do Glória - Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Trilha do Pico do Glória - Parque Nacional da Serra dos Órgãos
Trilha do Pico do Glória - Parque Nacional da Serra dos Órgãos
Trilha do Pico do Glória - Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Trilha do Pico do Glória - Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Trilha do Pico do Glória - Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Trilha do Pico do Glória - Parque Nacional da Serra dos Órgãos