Participantes: Leandro do Carmo, Leandro Conrado e Ricardo Bemvindo
Há um tempo que estava querendo fazer a Travessia Lapinha x
Tabuleiro. Minha programação inicial era fazer a Praia do Cassino de bicicleta,
mas vi que precisaria de um pouco mais de preparação. Aí, aproveitei uns dias
que tinha de folga e comecei a pesquisar sobre a travessia. Segundo meu
planejamento, teria metade de um dia e um dia inteiro livre antes de começar.
Então fomos procurar algo para fazer.
Chegamos cedo em Lapinha da Serra. Nosso voo chegou por
volta das 8h 30 minutos no aeroporto de Confins. De lá, tivemos sorte de
conseguir um UBER que nos levasse direto para Lapinha da Serra. O primeiro que
aceitou a corrida, cancelou e queria cobrar o dobro por fora. Assim que
chegamos no endereço fornecido, não achamos de primeira a casa onde ficaríamos
hospedados por dois dias. Mas, fomos seguindo as orientações recebidas por
mensagem, conseguimos achar. O distrito de Lapinha da Serra é bem pequeno, não
tem rua asfaltada.Um local bem
aconchegante. Deixamos tudo na casa e como ainda era cedo, fomos dar uma volta.
Como meu irmão havia ido lá há umas semanas atrás, ele nos
disse que tinha a opção de alugar uns caiaques para remar na represa que banha
o distrito. O seu nome original é Represa da Usina Coronel Américo Teixeira,
mais conhecida como Represa da Lapinha. Sua construção se iniciou na década de
1950 pela Companhia Industrial de Belo Horizonte. Hoje a represa é referência
da Lapinha e o atrativo mais visitado pelos turistas. Possui duas grandes
lagoas que são separadas por duas montanhas e unidas por um canal de água que
passa entre elas.
A cidades estava vazia. Pegamos algumas informações e fomos
tentar achar um local na qual conseguíssemos alugar. Andamos bem e fomos para
no local chamado de Prainha. Assim que chegamos, vimos duas meninas sentadas e perguntamos
sobre o aluguel do caiaque. Ela pediu para aguardar e foi lá falar com o
responsável. Ela voltou com uma notícia desanimadora, falando que não estavam
alugando. Difícil de acreditar que alguém não queria ganhar um dinheiro fácil
como aquele! Era só receber a grana... O caiaque já estava ali! Com a negativa,
caminhamos um pouco mais para frente e sentamos para descansar um pouco. Depois
de um tempo, chegou o responsável, talvez depois de pensar bem, e perguntou se
ainda queríamos remar. Negociamos um valor e fomos para a água.
O dia estava bem agradável. Ótimo para remar. Seguimos em
direção ao canal que separa as duas lagoas. O vento estava a favor, mas na
volta estaria contra. Algumas pessoas pescavam de tarrafa na margem. Seguimos
conversando até avistar bem ao fundo o ponto onde parecia ser a represa. Mas
estávamos já no final da tarde e optamos por não ir até lá. Durante a remada
percebi que o vento mudava a todo momento de direção. Meu receio era pegar um
vento contra na hora da volta. Mais à frente, vimos uma enseada e sugeri
fôssemos até lá. De longe, achei que ali fosse o ponto onde poderíamos conhecer
as pinturas rupestres. Quando cheguei perto, vi que estava certo. Existem duas
placas que informam ser propriedade particular. Deixei o caiaque ali e segui
andado. Vi que tinha um caminho bem batido fui andando até que cheguei numa
cerca com um portão que estava fechado com um cadeado. De longe consegui ver
algumas pinturas. Bati algumas fotos e retornei. Na volta, vi o Ricardo e o
Leandro de longe. Chamei-os e indiquei o caminho correto. Dali, voltei até o
caiaque e aproveitei para dar mais uma remada no entorno.
A remada de volta foi bem tranquila. No ponto do canal, fui
procurando a sombra pois ainda estava quente, apesar de já estar no final do
dia. Voltando, víamos o Pico da Lapinha bem de frente, fechando com chave de
ouro o dia. De volta à prainha, deixamos o caiaque e seguimos andando até em
casa. Uma recepção fantástica. No dia
seguinte, subiríamos o Pico da Lapinha.
Eu vinha procurando um lugar onde a gente pudesse fazer trilha, escalar, ir numas cachoeiras, beber umas cachacinhas, comer uma boa comida, ficar numa roça... Encontramos tudo isso em Passa Vinte, cidade localizada no Sul de Minas Gerais.
Depois de abrir o mapa e marcar alguns pontos que queríamos conhecer, tínhamos que escolher um local pra ser a nossa base, a nossa casa temporária. As boas energias que transmitimos acabou nos levando até o Rancho Recanto das Águas @ranchorecantodasaguas. Um lugar extremamente sossegado e lindo. Era exatamente o que a gente buscava: uma área rural com Internet. A Internet era um pré-requisito, pois como a gente viaja e trabalha, não da pra ficar sem conexão.
Depois de vários contatos com o Ronaldo @ranchorecantodasaguas, acertamos a data e partimos.
Dia 19 - Chegamos em Passa Vinte. Paramos na pequena e pacata cidade em busca de um mercadinho pra fazer umas compras. Aproveitamos pra beber uma gelada num bar em frente à praça central. Depois de prosear um pouco com a moça do bar, seguimos para o rancho. Chegando, fomos recepcionados com uma deliciosa comida mineira. Como não gostar de Minas 😁? Mais tarde montamos a barraca e preparamos o nosso canto. O rancho estava fechado pra gente. Uma tranquilidade só.
Dia 20 - Acordei cedo pra poder ver a ordenha das vacas. Fazia tempo que eu não entrava num curral pra poder participar de uma ordenha. Passei boa parte da minha infância e adolescência em fazenda no Espírito Santo curtindo e acompanhando os trabalhos da roça. Me senti à vontade num ambiente que me era muito familiar.
Nesse dia, logo cedo, o Vander e a Mariana @exploreroverland chegaram pra nos fazer companhia. Na verdade eles já tinham chegado na madrugada e ficaram dormindo na estradinha perto do camping.
Como a Carina e eu já estávamos com o trabalho em dia, fomos na parte da manhã na cachoeira do Djalma, cerca de 2,5 km do rancho. A cachoeira tem dois níveis com dois poços, sendo o segundo mais legal pra tomar banho. O Vander e a Mariana ficaram no rancho, pois eles precisavam trabalhar.
De tarde, juntamos a tropa e partimos pra fazer a trilha da Pedra Lisa. O acesso à trilha é pelo município de Santa Rita de Jacutinga, mas a Pedra fica no município de Passa Vinte. É um pé lá e outra cá 😊. O Ronaldo @ranchorecantodasaguas tinha me explicado como chegava lá: era só seguir a estrada sentido Santa Rita de Jacutinga e entrar à esquerda no KM 11. Não sei por qual motivo eu coloquei na cabeça que era pra entrar no KM 15 e aí ficamos rodando, rodando até que apareceu um cara que falou que não era ali. Pegamos umas orientações e seguimos. Mais à frente veio o KM 11 juntamente com a entrada certa 😁. Dali em diante seguimos por uma estradinha de terra até uma fazenda onde começa a trilha. Até chegar a entrada da trilha anda bastante. Pedimos licença pra passar pelo quintal da casa e metemos o pé na trilha. A hora estava passando e o sol já estava quase se pondo. A trilha tem aproximadamente 2,5 km (ida). O início é uma leve subida em meio ao pasto. O trecho final é um costão que vai ganhando inclinação. Subimos até o cume em 37 minutos e conseguimos pegar o pôr do sol. Vale ressaltar a companhia de dois cachorros que praticamente nos guiaram até o cume.
Dia 21 - Vander e eu acordamos cedo e fomos pro curral ver a ordenha. Ele queria beber o leite recém tirado das tetas 😂. Depois de voltar da ordenha, tomamos um café da manhã e partimos para Carlos Euler, distrito de Passa Vinte. Lá, visitamos a cachoeira do Lajeado e a cachoeira Carlos Euler. Essa última é uma cachoeira bem grande e de uma suavidade indescritível. Para acessar essas cachoeiras não precisa pagar. A do Lajeado fica bem próxima à estrada e a do Carlos Euler é que precisa ficar ligado pra não perder a entrada. Passando o lugarejo é só dobrar à esquerda e passar por baixo do viaduto do trem, seguir em frente e entrar na primeira à esquerda. Vai passar por uma pequena ponte e logo verá a placa sinalizando a entrada da trilha. A trilha é praticamente plana em meio ao pasto. Super tranquila e acessível. Importante respeitar as regras do local.
De tarde, subimos até a linha do trem e esperamos ele passar. O trem passa mais ou menos na metade do morro. É uma verdadeira atração.
De noite, o @exploreroverland acendeu a fogueira móvel e fez uma guacamole debaixo de um céu mais do que estrelado. Haaaaaa pra acompanhar, uma cachacinha mineira que ganhei do Ronaldo @ranchorecantodasaguas.
Dia 22 - Ficamos curtindo o rancho. Na parte da tarde o @exploreroverland zarpou. Pra fechar o dia, vi o jogo do Mengão. A noite foi especial, pois foi Lua Cheia. Estava espetacular.
Dia 23 - Em uma bela segunda-feira, acordamos bem cedo, coloquei o trabalho em dia e partimos pra Santa Rita de Jacutinga que fica a 34 km do @ranchorecantodasaguas. Antes, passamos numas pequenas cachoeiras que ficam numa fazenda seguindo para Bom Jardim de Minas. Chegando em Santa Rita de Jacutinga, vimos uma padaria bem legal e resolvemos tomar um segundo café da manhã 😊. Depois de bem alimentados, andamos pela pequena e simpática cidadezinha e partimos paras as cachoeiras dos Meirelles e do Boqueirão da Mira. A cachoeira do Meirelles ta mais pra uma queda d'água do que cachoeira, mas como fica bem próximo à estrada, vale dar uma conferida. A cachoeira Boqueirão da Mira é bacana. A cachoeira em si é pequena, mas na parte de cima tem um cânion bem legal que vale a visita e um mergulho. Pra chegar nela tem que deixar o carro no final da estradinha e seguir a pé. Segue link do Wikiloc para as cachoeiras.
Dia 24 - Nesse dia resolvemos ficar pelo rancho, pois o trabalho nos chamava. Ficamos trabalhando curtindo o visual, ouvindo os mugidos das vacas e apitos dos trens que passavam lá no alto do morro.
Dia 25 - Acordei por volta das 4h50 pra poder participar da ordenha das vacas e depois tocar uns bois 😅. Meu parceiro de trabalho foi o Pé de Pano, um cavalo que simpático e bem tranquilo. Segundo o Pedro, funcionário do rancho, Pé de Pano tem a minha idade: quarentão 😆. Depois de cumprir a missão com parte do trabalho da roça (confesso que não fui tão mal assim), voltei pra outa parte do trabalho, agora na informática. Na parte da tarde resolvemos continuar os trabalhos e ficamos por ali, ora trabalhando, ora curtindo o rio. De noite vi o jogo do Mengão. Uma sapatada de 4 x 0 no Grêmio (primeiro jogo das quartas da Capa do Brasil).
Dia 26 - Resolvemos então conhecer a Pedreira de Passa Vinte @gruta_de_p20_climbing. Um setor de escaladas de vias esportivas. Fomos até o Camping do Angeus para conhecer o Angeus, dono do camping. As vias de lá além de serem esportivas, são bem fortes. É um dos melhores setores de vias esportivas do Brasil com vias predominantemente negativas de 9º a 10º graus. Resolvemos então brincar um pouco no setor Kids. É um setor bem tranquilo com três vias curtas de 3º grau. Valeu a escalada 😊. Existe uma via no setor das esportivas que é uma via tradicional. Segundo informações da Talita, mulher do Angeus, é um 5º grau. Na próxima a gente entra nela. Antes de ir embora, subimos de carro pela estradinha (recomendado para 4x4) que vai até as antenas. A visão de lá é bem bonita. Vale a subida.
Dia 27 - Esse era o nosso último dia em Passa Vinte. Não podíamos ir embora sem antes passar no Alambique do Geraldo (Geraldo Bandido) @cachacadogeraldo. O Ronaldo tinha me dado um pouco da cachaça deles e fui bebendo durante a nossa estada no rancho. Chegando na Fazenda Canavial Boa Vista, fomos recebidos pelo Igor, filho do Geraldo Bandido. Eu já tinha feito contato com ele no dia anterior. O Igor muito gente boa nos deu uma aula sobre o processo artesanal de produção de cachaça. Enquanto a Carina degustava os licores e eu atacava o barril de cachaça 😅 , mãe dele, muito gentilmente fritou torresmo pra acompanhar com a cachacinha e licor. Depois de quase 1h30 de prosa e boas doses de ping, antes de irmos embora, ela nos presenteou com um lindo pé de repolho, salsinha e cebolinha. O dia já estava perfeito. Antes de voltarmos pro rancho, passamos no mercadinho pra comprar algumas coisas pro almoço e janta.
Dia 28 - Dia de partir. O coração estava partido, mas não tinha jeito. Nos despedimos e zarpamos rumo à sede do Parque Estadual da Serra da Concórdia @serra_da_concordia, em Barão de Juparanã, distrito de Valença, RJ. Antes, passamos em Santa Rita de Jacutinga pra tomar um café da manhã. De lá foi só seguir viagem cortando as pequenas e simpáticas cidadezinhas que vinham pela frente.
A sede do parque é muito bem estruturada. Possui uma bela e moderna estrutura de camping com banheiros, pias e até uma área para fogueira. Realmente uma excelente estrutura. Lá ainda conta com um algumas trilhas curtas e acessíveis. Começamos pela trilha da Capivara, emendamos na trilha dos Gaviões e fomos entrando em outras até que fizemos uma circular passando pela área de camping e finalmente chegamos na sede pelo outro lado.
A hospedagem é gratuita, porém está suspensa por conta da pandemia.
Em algum ponto do percurso fomos infestados de carrapatos. A gente parou pra beber uma cerveja num bar bem em frente à antiga Estação Ferroviária e comecei a sentir umas coceiras. quando a gente foi ver, nossas roupas estavam repletas de carrapatos. imediatamente trocamos as roupas, mas já era tarde.
Na Serra da Canastra eu tinha sofrido um ataque de pulgas. Agora sofri um ataque de carrapatos. Por sorte a Carina só ficou com alguns.
Será que carrapato e pulga só gostam de vira-lata? 😅😅
Assim foi a nossa expedição para Passa Vinte e arredores...