Data: 20/08/2025 Local: Jurujuba - Niterói - RJ Participantes: Leandro do Carmo, Luis Avelar e Jorge Pereira
Fomos ao Morro do Morcego dar uma explorada no potencial. Achamos uma sequencia de grampos que, aparentemente, contorna a borda da esquerda da pedreira. Vi um grampo novo que não deve ter sido batido há muito tempo. Dali continuamos subindo e passamos pelo projeto da Renata e Letícia. Passamos pelas bases da Paredão Sangue Bão e Visão Oposta e Bat Caverna, até chegar a uma linha na qual o Luis havia visto há um tempo. Deixamos combinado de voltar amanhã para começar a conquista. Na volta, paramos e conversamos o pessoal do voluntariado que faz um excelente trabalho de supressão do capim colonião e reflorestamento na área sudoeste do Morcego.
Data: 16/08/2025 Local: Morro do Morcego - Niterói - RJ Participantes: Leandro do Carmo e Ezequiel "Ziki"
Vídeo da Escalada na Moby Dick
Relato da Escalada na via Moby Dick
Eu e o Ziki já estávamos há algum tempo tentando marcar uma
escalada. Havíamos tentado há alguns dias, mas choveu e não conseguimos
escalar. Era uma sexta-feira quando recebi uma mensagem do Ziki, perguntando se
eu poderia escalar no sábado. Topei, e marcamos de fazer a Moby Dick, pois era
uma via que ele havia feito há aproximadamente 20 anos. Eu também já havia ido
à Moby Dick há bastante tempo. Inclusive, cheguei à base contornando o Morro do
Morcego a partir da praia de Adão, pois era dificílimo acessar pela Guarderya.
Agora, como a prefeitura desapropriou a área e a transformou em uma Unidade de
Conservação, não precisaríamos repetir essa epopeia! Combinamos de nos
encontrar no sábado, às 7 horas, em frente à igrejinha de Jurujuba.
Cheguei cedo, e o Ziki já estava lá me esperando. Dali,
seguimos para a base da via. Lá, nos arrumamos e perguntei se ele queria guiar.
Ele disse que não, pois já fazia muito tempo que havia escalado essa via. Eu
também. Não lembrava dos detalhes da via, mas sabia a linha que ela seguia —
bem diferente de quando fui pela primeira vez. Saí para a primeira enfiada e
subi rápido. Joguei para baixo a boca de um pequeno balão que estava preso
entre uns cactos. Subi mais um pouco e montei a parada, já com quase 60 metros
de via. O Ziki subiu em seguida. Saí para a segunda enfiada, contornei um
grande platô de vegetação, pulei algumas proteções para diminuir o arrasto e
parei na próxima dupla de grampos que encontrei.
Já não tinha mais contato visual com o Ziki, mas ele
conseguia me ouvir bem. Gritei para ele subir. Novamente, ele subiu rápido.
Nesse ritmo, acabaríamos bem cedo. A terceira enfiada foi um pouco mais difícil
que as anteriores. Parei num grampo simples, e o Ziki chegou em seguida. Dali,
optei por seguir direto até o cume.
Saí para a nossa quarta enfiada. Subi um pouco, passei por
uma dupla e segui em diagonal para a esquerda, até a base da sequência do crux.
Lembro que não havia guiado esse trecho antes, e agora estaria comigo. Já saí
protegido e subi um pouco, costurando o próximo grampo. Fiz mais um lance,
ganhando altura, e optei por não ir ao grampo que estava à esquerda, pois ele
havia ficado um pouco baixo e fora da linha que eu estava seguindo. Achei que
daria mais trabalho ir até lá do que seguir direto para o próximo. Então,
continuei subindo, mesmo deixando o lance mais exposto. Subi, costurei o
próximo grampo e montei a parada na última proteção da via.
O Ziki subiu em seguida, fez o crux e chegou até mim. Avisei
que já estávamos próximos do fim e que faltava apenas um trechinho acima.
Então, ele resolveu seguir direto. Subiu, fez o último lance e montou a
segurança numa pequena árvore. Subi em seguida e, dali, fui direto ao cume. Lá,
fizemos algumas fotos, assinamos o livro de cume e pegamos o caminho de volta
pela trilha do Morro do Morcego. Fizemos a via em um bom tempo.
Aproveitei para conhecer a área de reflorestamento e manejo
do capim colonião, que está sendo executada pelo voluntariado. Um excelente e
duro trabalho. Dessa vez, não foi uma escalada no estilo aventura, como da
última vez, mas valeu demais a volta ao Morro do Morcego!
Na ponta do Bairro Jurujuba, do cume do Morro do Morcego se
tem uma vista privilegiada da Fortaleza de Santa Cruz, entrada da Baía de
Guanabara, Charitas, Icaraí, Mac, Ponte Rio-Niterói, Aterro do Flamengo,
Pão-de-Açúcar, etc. É alvo constante da especulação imobiliária, o que tornaria esse paraíso ainda mais inacessível!!! O lugar é fantástico. Possui 4 vias tradicionais e 1
projeto, além de 3 esportivas. Tem algumas pequenas chaminés que dão um bom treino. O cume do Morro do Morcego pode ser acessado também por caminhada.
Para se acessar a face norte pode-se costear o morro, a partir da praia de Adão. É uma caminhada
chata. Pode-se chegar por mar, mas o desembarque só se dá com o mar calmo. Já
tentei desembarcar na praia do Morcego, mas como é propriedade particular, tive
que ir embora. Na época da conquista da Moby Dick, todo o acesso foi feito por um sítio no final de Jurujuba, perto da Igreja, porém algum tempo depois, o Leandro Pestana, antigo presidente do CNM, teve o acesso negado, fica aí a dúvida... Segue o acesso até a face norte, feita por caminhada Linha vermelha: Acesso à Face norte Linha verde: Caminhada de volta, após o rapel
Morcego Nervoso - 3º IV (A2/VI) E3/E4 D1 -------- +CROQUI
Face Sul do Morro do Morcego
Para acessar a Face Sul, pode-se passar por uma casa, a última da direita de quem vai para as praias de Adão e Eva, caso o morador permita a entrada, ou seguir um vara mato a partir da praia de Adão. Seguindo pela casa, pegar a rua de chão (as vezes o caminho está tomado por mato) até um ponto onde tem uns eucaliptos, dali seguir para a esquerda, costeando uma ruína de um muro, nunca o ultrapasse. Assim você chegará na rocha (nesse ponto costuma ter muito mato também). Moradores do local falam de abelhas, mas em todas as vezes que fui, não as encontramos, ou melhor, elas não nos encontraram! Segue o tracklog para acessar a base.
Linha das vias da Face Sul do Morro do Morcego
Vias da Face Sul do Morro do Morcego
Verdana Grill
Cristais em Colapso - VIsup E2 - Esportiva
Olho Grande - Vsup E2 - Esportiva
Via não identificada - Projeto iniciado pelo Curso de Guias do CEB
Conquistadores: Leandro do Carmo e Marcos Lima - 2019
Seguindo em direção à Fortaleza de Santa Cruz, a via fica bem em frente à descida da praia de Adão. Os grampos são bem visíveis. É uma via curta com o crux bem na saída, entre o primeiro e o segundo grampo. A partir daí, segue bem tranquila até uma parada dupla. Não é tão alto, mas o visual é fantástico. Acesso Negado - VIIa (top rope)
Conquistadores: Leandro Pestana
O nome da via deve-se ao fato que durante uma conquista no Morro do Morcego, o Leandro Pestana foi proibido de entrar para terminar a conquista e acabou indo até praia e conquistou essa via.
Chaminé Saí Ralado - V ------ + CROQUI / Relato da Conquista Conquistadores: Leandro do Carmo e Guilherme Belém - 2013
Não é uma chaminé com paredes paralelas, ela é em formato de V. O começo é um pouco alto, sendo difícil a saída. Tem uma agarra alta e para vencer o lance, tendo que usar o braço, pois fica sem apoio para os pés. Muitas agarras quebrando. Tem um dupla de grampos para rapelar até a base, caso esteja em maré alta.
Acesso: Pode ser acessado de duas maneiras: Uma, por um
sítio, no final da praia de Jurujuba, no ponto final do ônibus 33, próximo a
Igreja, mas essa é uma opção que não tentamos, pois há um tempo atrás, um amigo
meu teve problemas com o acesso por ali;
a outra, é contornando o morro do Morcego, a partir da praia de Adão,
seguindo pelo costão.
Dicas: A via é bem tranquila e bem protegida, porém muito
suja em alguns trechos, mas nada que prejudique. Na caminhada, em alguns
pontos, tem que abrir caminho no capim, principalmente num platô na Face Norte,
mais ou menos no ponto da via Morcego Nervoso.
Acesso à base:
Linha Vermelha: Acesso à base / Linha Verde: Caminho de volta após o rapel
Na primeira vez que marcamos o tempo não
ajudou, mas agora deu tudo certo. Depois de aproximadamente 3 horas, estávamos
terminando o rapel na face sul. Tínhamos cumprido nosso objetivo. A via Moby
Dick, no Morro do Morcego, em Jurujuba, sempre me despertou curiosidade. Na
verdade, qualquer via que eu não tenha nenhuma informação me desperta
curiosidade! Já havia feito duas vias lá, mas na face sul, a Paredão Sangue
“Bão” e Visão Oposta. Já havia, também ido até a base dela, porém, remando. E
essa era a minha idéia dessa vez, mas a logística não seria uma das tarefas
mais fáceis! Acabamos ficando com a mais simples: vamos seguir caminhando pelo
costão até chegar a base e ponto! Poderíamos pedir autorização a uma residência
no final de Jurujuba, mas por algumas pessoas terem tido problemas lá, preferi
ficar com a possibilidade de chegarmos por um caminho que não dependesse da boa
vontade de ninguém.
Ah, já tinha até esquecido de falar que o meu companheiro de
aventura, seria o Claudney, do Clube Excursionista Light. Trocamos vários
e-mails sobre a via e tínhamos um objetivo em comum: escalar e conhecer a via
Moby Dick. Tínhamos poucas informações. O Claudney me passou um relatório do
conquistador, o Theotônio da Silva, que na verdade não tinha muitos detalhes,
além de um esboço do croqui, mas, também, sem muita informação. Eu sabia onde
era a base e tinha a teoria de que dava para chegar passando por cima de um
grande platô com vegetação. Mas para saber se a teoria iria funcionar na
prática, tínhamos que ir conferir pessoalmente. Essa era única maneira.
Marcamos dia 07/06, sábado, às 07:30, em frente a Igreja de
Jurujuba. Fomos pontuais e nos dirigimos à praia de Adão, onde começaríamos
nossa caminhada. Uma foto para registrar o momento e seguimos. Caminhamos pela
areia e começamos a subir. Fomos contornando o pequeno costão e passamos por
alguns pescadores. Em alguns pontos a pedra estava úmida, o que nos fez
redobrar a atenção. Continuamos caminhando e logo pegamos nosso primeiro
capinzal. Felizmente curto, mas já dava para sentir o que
encontraríamos pela
frente. Contornamos uma grande fenda, próximo ao mar e seguimos caminho por uma
enseada. Havia bastante lixo trazido pela maré, e também, muita coisa deixada,
provavelmente, por pescadores que frequentam o local. Mais adiante, vi que o costão
ficava bem vertical, impossível de passar. Porém, havia uma saída para uma
pequena trilha, de início bem óbvio. Seguimos por ela e passamos por cima dessa
parte vertical, até chegarmos novamente num costão, onde deu para caminhar
tranquilamente.
Andamos mais um pouco e já dava para imaginar que para
acessar o cume do Morcego, deveríamos começar a subir, mas esse não era nosso
objetivo, pelo menos por esse caminho. Seguimos em frente. Já estávamos
entrando na face norte e fomos em uma diagonal para cima, com o intuito de
contornar o grande platô. Seguimos tranquilos e passamos por um ponto, onde
provavelmente começaria a via Morcego Nervoso. Dali para frente era um
incógnita, mas meu instinto me dizia que estávamos indo no caminho certo.
Por enquanto, dava para caminhar no costão, mas alguns
metros à frente, não seria assim tão fácil. Cogitei até continuar no costão,
mas estava tão sujo, que ficaria até perigoso. Na pior parte, o Claudney abriu
o capim, fazendo praticamente um túnel. Ainda o ouvi dizer que “não estava tão
ruim assim”... Acho que era para levantar a moral!!! Quando cheguei no final,
percebi que realmente, não estava tão ruim assim e que o pior já havia passado.
Descemos um pouco chegamos no ponto onde eu havia chegado de caiaque. Mais alguns
metros e estávamos na base. Primeira parte da missão foi cumprida!
Na base, dava para ver pelo menos uns 4 ou cinco grampos.
Combinamos que iríamos revezar a guiada. Nos equipamos e o Claudney guiou até a
primeira parada. A via nesse começo está bem suja, assim como, no meio e no
final, resumindo: toda suja! Mas os lances são bem tranquilos e rapidamente
também cheguei na parada. Como já estava com as costuras, peguei mas algumas e
parti para a segunda enfiada. Subi rápido e fui à esquerda de um grande platô
com vegetação. Quando já estava acima do platô, não via mais o próximo grampo,
olhava para um lado e para o outro e nada. Tinha certeza de que a via seguia
para a esquerda, mas nem sempre o óbvio é o caminho! (depois eu fui entender o
porquê dela não ir pela esquerda...) Sem querer olhei e vi o grampo bem a
direita, um pouquinho acima do platô e abaixo de mim. Segui para lá, o costurei
e fui subindo numa diagonal até chegar na parada dupla. Ainda bem que era
dupla! Esses grampos não estavam muito bem batidos...
Lá montei a parada e o Claudney veio escalando e de vez em
quando parava para atualizar o esboço do croqui que fazia. Na parada, passei o
resto do equipamento que estava comigo e ele seguiu guiando a via. Fez uma
enfiada mais curta, até a próxima parada dupla, uns trinta metros. Subi rápido
e me juntei a ele. Atualizamos o croqui. A via seguia sempre bem protegida, um
ou outro lance com os grampos um pouco mais espaçados, mas bem tranquila. A
vista dali era fantástica. O tempo estava ajudando, o sol típico de inverno não
era forte, mas o suficiente para deixar o as condições extremamente agradáveis.
Comecei a guiar a próxima enfiada, um pouco mais forte que
as anteriores, mas ainda sim, a via seguia tranquila, porém sempre suja. Mais
uma enfiada curta, uns 35 metros. Montei a parada e o Claudney chegou. Dali,
deu para perceber o porquê da via não ter seguido pela esquerda, como mencionei
anteriormente: ela chegaria a uma linha enorme de vegetação, com muito capim,
talvez fosse impossível passar... Talvez não fosse impossível, mas com certeza
não seria a melhor ideia. Como disse, nem sempre o óbvio é o caminho!
Faltava apenas uma enfiada. Pela verticalidade da parede,
parecia que o crux era ali. O Claudney seguiu guiando e foi subindo até que não
consegui mais vê-lo. Comecei a subir e passei pelo melhor lance da via,
justamente no final. Mais alguns metros e já estava no local onde também
terminam as vias Visão Oposta e Paredão Sangue “Bão”. A missão estava
cumprida!!!! Aproveitei para fazer um lanche e seguimos para o rapel. Ainda bem
que havia colocamos mais um grampo no meio da parede, pois o que estava lá,
está tão mal batido, que seria difícil parar nele!
Quando pensava que o capim já tinha acabado, lembrei que
faltava descer o caminho de acesso à face sul. Como da última vez que estive
ali, o capim havia tomado conta de tudo. Pouco restava do caminho que havíamos
feito. Mas passamos e quando chegávamos no final, o caseiro que toma conta do
local nos avisou que o dono não queria mais ninguém passando ali... Ele nos
deixou passar pelo portão. Agradecemos e fomos embora. Tomara que seja só mau
humor!!!!!
Estava com muita vontade de voltar ao Morro do Morcego. A
minha primeira ida até lá foi em 01/09/2012. Na oportunidade fizemos a via
Paredão Sangue Bão. Já estava mais que na hora de voltar!!!!
Na reunião social do Clube Niteroiense de Montanhismo,
perguntei ao Ary se ele estava a fim de voltar lá. Ele aceitou o convite e logo
chamamos outras pessoas também. Dessa vez, o Michael, Giovani e o Arley nos
acompanharam. Marcamos as oito da manhã, em frente a Igreja de Jurujuba.
Cheguei uns 10 minutos antes do horário e parei o carro um
pouco mais a frente, bem próximo da casa onde costumamos pedir autorização para
entrar. Voltei para o ponto de encontro e o Michael estava chegando. Logo
depois, veio Giovani. O Ary demorou um pouco, pois teve um pequeno problema na
sua moto. Como já havia passado de 8:30, o Ary resolveu ligar para a casa do
Arley, que por desencontro de informações, não sabia que a escalada estava
confirmada. Como ele mora relativamente perto, esperamos ele chegar.
Depois de todos reunidos, nos dirigimos para o começo da
trilha. Na casa, perguntamos se poderíamos entrar para acessar o caminho. Fomos
muito bem recebido pela dona da casa, mas não pelo seu cachorro. Ainda bem que
estava preso! Ela nos alertou sobre umas abelhas, que tem lá por
cima. O caminho, que é uma rua, estava bem mais limpo que da última vez, pensei
que dessa vez seria moleza chegar até a base. Seguimos até a parte dos
eucaliptos e viramos para a esquerda. O mato ali estava um pouco mais alto que
da última vez, mas nada que atrapalhasse.
Mas na frente, quando começamos a subir para a direita, em
direção às ruínas de um muro, minha surpresa. Era tanto capim, que formava uma barreira! Eu
pensando que seria moleza... O Ary já prevendo que teríamos bastante mato,
levou um facão. Foi a nossa sorte, pois abrir o mato com as mãos e pernas, não
seria uma tarefa muito agradável....
Por vezes tínhamos que ir e voltar, pois a cada caminho que
tomávamos o mato parecia que aumentava. Com o Ary sempre a frente, abrindo
caminho com o facão, conseguimos chegar até a base. Quando vi a pedra na minha
frente, pensei: “Que bom que chegamos, agora vai!!!” Mais um engano! Estava
tudo fechado. Havia caído uma árvore e estava tudo embolado com um tipo de
cipó, fechando bastante o caminho. Pensei até que não fosse dar para continuar.
Mas o Ary foi guerreiro! Abriu bem o caminho e descemos em direção á base da
via. Ali já estava bem limpo. Acho que o problema tinha sido a queda da árvore
e também ao incêndio que ocorreu no final do ano passado. Nessas
circunstâncias, o mato cresceu com força.
É fácil de identificar a base. Tem um fenda que sobe em
diagonal para a direita, com uma palmeira no meio. Dividimos as cordadas e o
Giovani e o Arley foram com o Ary. O Michael foi comigo. Pedi para o Ary
começar, queria filmar alguém fazendo aquele lance do começo. Depois que o Ary
começou a segunda enfiada, eu comecei a escalar.
A saída é boa e é um lance de equilíbrio até chegar na
palmeira. Abraçando a palmeira, a contornei e segui até o primeiro grampo.
Costurei e dei uma descida até um degrau, um pouco mais embaixo e depois subi,
continuando na fenda até o segundo grampo. Dali dava para ver a cordada do Ary
em ação. Ele acabara de sair de sua primeira parada e estava reclamando da
sujeira da via. Parede suja é complicado! Como eles estavam demorando um pouco,
resolvi mandar o Michael subir, assim ele não ficaria lá em baixo sozinho.
Quando o Arley saiu da parada, eu comecei a escalar.
A ponta onde montei a minha primeira parada, é o alto de
uma chaminé. Fui cumeando a chaminé até um trepa pedra, onde tem um grampo.
Costurei e pensei em colocar uma costura longa para diminuir o arrasto, pois
ali a corda faria uma curva de quase 90°.
Pensei até em fazer uma parada ali, como o Ary fez, mas resolvi seguir,
mesmo aumentando o arrasto. Dali para cima a parede vai ficando mais vertical.
Porém as boas agarras compensam. Aquela camada grossa de líquen, por vezes
cobre as agarras e é necessário ficar limpando para descobrir a melhor.
Passei por uma parada dupla quase escondida na vegetação e
fui tocando para cima. A visão dali era muito bonita. A enseada de Jurujuba
tomava forma. O sol batia de frente, bem na direção da cabeça quanto olhava
para cima, buscando as agarras. Num lance, olhei para cima e vi o grampo um
pouco distante. Pensei: “Tá longe...” Concentrei e com mais duas passadas,
quando olhei de volta, ele já estava na altura da minha cabeça, ainda bem...
Fui costurando os grampos até que a parede perdeu um pouco de inclinação, ponto
onde existe um parada dupla.
Montei ali mesmo a nossa segunda parada e o Michael veio
escalando. Subiu rápido e seguro. Mandando muito bem. Dali para cima, a via se
encontra com a Pardedão Sangue Bão, tendo em comum os mesmos lances. Ofereci ao
Michael a oportunidade de guiar, mas ele preferiu deixar para uma próxima
oportunidade.
Fiz os lances finais e quando cheguei ao cume, fiz segurança
de corpo para o Michael e ele subiu rapidamente. A via é curta mas muito boa. O
cume do Morcego tem uma visão fantástica. Aproveitei para dar uma olhada em
volta e ver se achava algum grampo de cume da via Moby Dick, mas nada. Deu para
ver somente o lugar da base lá em baixo e mais nada.
Rapelamos direto com duas cordas. Aproveitamos para melhorar
duplicar o ponto de rapel, caso fosse feito com apenas uma corda. Havia apenas
um grampo mau batido no meio da parede. Agora, dá para escalar com uma corda só
e com segurança. Na base, nos arrumamos caminhamos de volta. Ainda bem que o
mato já estava baixo!
Escalada no Morro do Morcego pela Via Paredão Sangue Bão
Local: Morro do Morcego - Jurujuba - Niterói RJ
Data: 01/09/2012
Participantes: Leandro do Carmo, Ary Carlos, Leonardo Carmo e Guilherme Belém
Croqui:
DICAS: Pedir autorização para entrada no local; a trilha está um pouco fechada; assim que chegar a base, virar a direita, passando por uma grande laca, formando uma chaminé, a base da sangue bão fica depois de uma base de tijolo; o crux está entre o 2º e o 4º grampo; às vezes parece que o grampo está alto; 3 enfiadas curtas, em média 25 metros; parede muito suja no começo, em dias de chuva, pode ficar muito difícil a escalada; a saída da segunda parada é um pouco difícil, para evitar um fator 2, pode-se costurar o grampo de cima antes de montar a parada.
Em breve disponibilizarei o tracklog da trilha.
Relato
Será que dá para ver Niterói por um outro ângulo? Sempre há uma maneira... Soube da existência de vias no Morro do Morcego e a primeira coisa que me disseram foi que ele possuía uma vista fantástica. E estavam certos!!!!! Realmente a vista é maravilhosa. Ver Icaraí, Jurujuba, Charitas, Rio de Janeiro e a Baía de Guanabara por outro ângulo, não tem preço!!!
Na sexta-feira combinei com o Ary de escalar o Morcego, a final de contas ele já conhecia o local. Marcamos no sábado, as oito horas no Select, em frente ao Campo de São Bento. Nessa escalada, também participaram Guilherme Belém e meu irmão, o Leonardo. Pontualmente chegamos ao local e fomos direto para Jurujuba, onde paramos o carro no ponto final do ônibus 33. Dali seguimos até a segunda e última casa a direita da rua que segue para as praias de Adão e Eva.
A trilha
Pedimos autorização ao morador para podermos entrar na propriedade e ele nos alertou sobre algumas vespas. Contou que um grupo desceu correndo de lá há algum tempo atrás, devido à várias picadas. O Ary também já havia passado por elas em outra ocasião. Há época, o vespeiro parecia uma bola de futebol. Além também de uma Jararaca que estava enrolada abaixo do coqueiro, no início da via Visão Oposta, anterior a Sanque Bão. Mas deixado os perigos de lado... rs. Seguimos a estradinha.
No começo, tudo limpinho. Nada de mato. Pensei: “essa vai ser moleza”. A medida que íamos subindo, o mato foi aumentando e quando eu percebi já estávamos no meio de um matagal. O caminho não é frequentado há bastante tempo, não havia nenhum sinal de que havia passado alguém nas últimas semanas. Mas seguimos em frente. Chegando ao final da estrada, que por vezes não identicávamos o meio-fio, seguimos em diagonal à direita e passamos no meio de alguns eucaliptos. Nesse local , se subirmos reto à dereita, daremos nas ruínas de um antigo muro, não deve-se ultrapassá-lo. Mais a frente, avista-se um eucalipto sozinho. Subimos a direita dele até chegar numa mangueira, praticamente deitada. Viramos à esquerda. Dali é só seguir as ruínas do muro. Mais a frente, verá uma caixa d’água a sua esquerda e mais adiante uma grande pedra a direita e uma a esquerda. Pronto! Nesse ponto já estará de frente a parede.
Para a esquerda, tem uma calha de captação de água da chuva feita na beirada da pedra, de onde podemos seguí-la até o final. De lá se tem uma vista muito bonita e também é o ponto de onde chegamos do rapel, feito com duas cordas de 60m. Seguindo à direita da parede, passamos por uma chaminé e vemos uma palmeira cima de uma fenda em horizontal, caminho de onde inicia a via visão oposta. Mais adiante, descemos um degrau de tijolo e já chegamos na base da Sangue Bão. Decidimos entrar na via Sangue Bão, assim todos conheceriam a via e teríamos motivo para voltar e fazer a visão oposta.
A escalada
O Ary iniciou a escalada e guiou o Leonardo. Quando o Ary chegou na primeira parada, ele ainda perguntou se queríamos que a corda ficasse no lugar para um possível auxílio na subida. Achei que não era necessário. Então o Leonardo começou a subir e quando ele já estava no terceiro grampo, comecei a escalar. O primeiro lance é bem tranquilo, costurei o primeiro grampo e passe uma grande laca, costurando o segundo, onde tem uma parada dupla. Dali o negócio fica sinistro, o crux da via, um 5º para tirar o fôlego. O grampo fica à esquerda, onde tem que sair já para o lado, o que facilitará mais a subida. São três passadas rápidas, pois as agarras não são tão boas assim. Costurei o grampo e toquei para cima. Daí, vai seguindo para a direita, onde a parede está bem suja. Talvez em dias de chuva, fique difícil fazer o lance.
Costurei o quarto grampo e o quinto, antes de chegar a um platô onde fizemos a primeira parada. Enquanto o Ary guiava a segunda enfiada, o Guilherme veio subindo. A saída da primeira parada também é chata. Umapassada em aderência, talvez um 4ºsup, onde a queda do guia, faz com que ele vá para cima do participante. Foi nessa hora que pedi para o Leonardo se posicionar com a mão acima, tipo em lance de boulder, para segurá-lo numa possível queda. Nem foi preciso, o Ary manda bem!!!! Logo passou e costurou o grampo. Dali foi subindo até a segunda parada.
O Guilherme guiou a segunda enfiada. Subi logo depois do Leonardo e os lance da saída da primeira parada é bem complicado mesmo. Vale até a pena subir e costurar o grampo antes de montar a parada, a fim de evitar um fator 2.Do segundo grampo até a parada, o lance é bem bonito. Um vertical com grandes agarras, algumas de cristal. Os grampos não são tão próximos, mas as agarras dão mais segurança. Assim que cheguei na segunda parada, o Leonardo já estava guiando a última enfiada. Nem parei, subi direto. Dali para cima é bem tranquilo, vai quase que caminhando. Foram mais dois grampos até a última parada dupla, que nem precisamos costurar. Fomos direto até o cume, onde fizemos segurança de corpo.
A vista é fantástica. Ter uma visão 360º não tem preço. Dava para ver Jurujuba, Charitas, São Francisco, Icaraí, Ponte, Rio de Janeiro, Pão de Acúcar e Fortaleza de Santa Cruz... O dia estava perfeito. Por sinal, tem sido assim na maioria dos dias nesse inverno. Batemos várias fotos para registrar o momento e seguimos até o outro lado, onde faríamos o rapel com duas cordas de 60m.
Os grampos estão um pouco para fora, mas nada de assustar. Emendamos a corda e eu comecei o rapel. Descida bem bonita, com uma vista fantástica. Passei por um grampo muito mal batido, onde daria para fazer uma parada caso rapelássemos como uma corda só. Mas não aconselho. Como falei, ele está muito mal batido. Pensamos até descobrir quem o colocou e pedir autorização para trocá-lo e aproveitar e duplicá-lo também.
Chegamos até a base e nos preparamos para voltar. Aí, foi só enfrentar o capim...
Até a próxima!
Vista do final da calha de capatação de agua
Vista de Jurujuba da primeira parada
Leonardo Guiando
Fortaleza de Santa Cruz e Pão-de-Açucar
Analisando o rapel
Preparando o rapel
Na trilha
Vista da trilha
Na calha
Boa Viagem e MAC
Adicionar legenda
Entrada da Baia de Guanabara e Fortaleza de Santa Cruz