Já fazia um tempo que eu gostaria de conhecer alguma via na
Agulhinha da Gávea. Aproveitando o Curso Básico de Escalada do Clube
Niteroiense de Montanhismo, havia sugerido de fazer uma aula por lá. Com a
ideia aceita, organizamos para que ela fosse a última escalada do curso.
Com o tempo quente, optamos por sair bem cedo de Niterói e
assim terminar num horário confortável. Chegamos cedo em São Conrado e de lá
subimos a Estrada das Canoas, estacionando próximo ao Mirante das Canoas. Com
uma ótima área para estacionamento, esta era a melhor opção, visto que para
subir em direção ao estacionamento da Pedra Bonita, era preciso esperar as 8h.
Com todos juntos, seguimos subindo para pegar a trilha. Não
é muito óbvio, mas é fácil identificar a entrada. Após passar um trecho da
estrada com um elevado, tendo uma mureta à esquerda, segue subindo,
acompanhando um muro de pedra à direita. Numa curva para direita, a entrada
fica na calçada da esquerda, de quem sobe.
Entramos na trilha e chegamos rápidos até a base. Já tinham
algumas cordadas e dava para ver alguns escaladores de longe. Nos preparamos e
as cordadas foram dividias. Eu fiz cordada com a Camila. Acabou que todos
começaram pela Jorge de Castro. Ricardo emendaria na XV de Novembro, fazendo
algumas variantes.
Todos subiram e fomos a última cordada. A primeira cordada
segue bem fácil, subindo reto da base e entrando numas fendas, no estilo trepa
pedra. A via vai seguindo numa diagonal para direita, até chegar a um platô.
Montei a parada e dei segurança para a Camila que chegou rápido. Conseguia ver
uma sequência de grampos de uma variante, uma opção interessante. Mas como
estava ali pela primeira vez, optei por fazer a via completa.
Descemos andando até a base da segunda enfiada. O Ricardo e
o Michel seguiram por uma variante para emendar na XV de Novembro. O Daniel
seguiu pela via e fui logo em seguida. Comecei a subir, saindo para direita,
entrando no lance do “Rebola”. Já havia ouvido falar do lance, mas passei bem,
fazendo um contorno e entrando numa canaleta, fazendo uma diagonal longa para
cima. Deu um pouco de arrasto, apesar da costura longo que havia colocado.
Achei o trecho bem exposto e quando costurei, percebi que havia pulado um
grampo. Continuei subindo até parar num platô bem confortável. Até agora tudo
bem e pelo que já havia visto, não teríamos problemas para cima também.
A vista era fantástica. O sol estava ali, mas ainda não
incomodava. Percebi que estava com várias picadas de mosquito. Havia várias
marquinhas de sangue. O pouco tempo que ficamos lá na base, foi suficiente para
o estrago. Saí a terceira enfiada, fazendo uma caminhada com trepa pedras, até
parar num platô. A Camila chegou em seguida e me preparei para entrar no crux
da via.
Me preparei e avisei para ficar ligada na segurança. Protegi
a entrada com um camalot que o Michel havia emprestado. Levei, mas acabei nem
usando em lance nenhum para baixo. Posicionei bem o pé e entrei na fenda, num
lance de oposição e logo venci o lance, passando bem rápido. Mas acima, montei
a parada num grampo acima de um platô bem desconfortável. A Camila chegou em
seguida e de lá subiu andando pela trilha. Puxei a corda e enrolei como deu.
O trecho de caminhada começa bem íngreme e escorregadio, por
conta da terra solta. Porém foi curto e logo estávamos no cume. Não tínhamos
vista. O cume é bem fechado. Aos poucos, todos foram chegando e calmamente fui
arrumando o material para a descida. Aproveitei para fazer um lanche e beber
uma água.
Já pegando o caminho de volta, pude, enfim, apreciar uma
vista fantástica. Agora sim, tinha a sensação de fazer cume. Começamos a descer
e ainda paramos para uma bela foto do grupo, com uma visão para a Pedra da
Gávea. Seguimos o caminho de volta, chegando ao estacionamento antes da rampa
de Vôo da Pedra Bonita. Paramos num local bem agradável e aproveitamos para
comprar um lanche e um café. Dali seguimos descendo até o carro, onde
comemoramos a grande escalada que fizemos. Um dia bem bonito.
Via Bohemia Gelada/Chaminé Pão-de-Açúcar – CBE 2024
Dia: 07/04/2024
Local: Urca – Rio de Janeiro - RJ
Participantes: Leandro do Carmo, Alberto Porto e Silva Ptizer
Relato
Essa foi a aula de escalada longa do Curso Básico de
Escalada do CNM. Optamos por voltar a escalar no Pão-de-Açúcar por representar
um ícone da escalada brasileira e além de poder fazer cume numa via bem bonita,
uma grande aventura. Saímos cedo de Niterói com o intuito de aliviar o calor
que vinha fazendo e conseguir estacionar com tranquilidade na Urca. Já no
início da Pista Cláudio Coutinho, nos reunimos e de lá seguimos andando até
entrar na trilha. Dali, subimos até a base da Escadinha de Jacó, pois a trilha
principal está interditada, devido a um desmoronamento.
Nos equipamos e subimos, seguindo até a base das vias. Repassamos
alguns procedimentos e subi para a primeira enfiada. Fui subindo em direção a
uma cristaleira em lances bem fáceis até chegar a um ponto onde resolvi montar
a parada. Tive que ir sincronizando com a outra cordada para conseguirmos parar
em locais confortáveis e um não atrapalhar o outro.
Da nossa primeira parada, subimos até a próxima, passando
pelo grande buraco. Há tempos que prefiro passar pela lateral direita dele,
evitando passar por dentro. Passei rápido e logo estávamos na segunda parada. A
vista impressionava, estava quente, mas pela hora ainda estava tranquilo.
Vários barcos cruzando a entrada da Baía de Guanabara. Conseguíamos acompanhar
as cordadas que estavam na Heniken.
Já estava há um tempo sem escalar, mas subi bem tranquilo. A
via ajudava também. Fazer uma via fácil depois de um tempo sem escalar, dá um
pouco mais de segurança. Saí para a terceira enfiada e passei por um trecho bem
bonito, várias linhas, como se fossem rasgos na rocha. Montei a parada um pouco
para a direita, em um dos grampos da Chaminé Pão-de-Açúcar. A Silvana e o
Alberto chegaram logo em seguida.
Era hora de sair para enfiada mais bonita da via. Nesse
ponto emendamos na Chaminé Pão-de-Açúcar, até pegar a trilha do Costão. Assim
que estava saindo para a quarta enfiada, ouvi um barulho de alguém caindo, com
certeza teve uma queda. Parecia em alguma cordada da Heniken. Fiquei olhando,
mas como ninguém disse nada, segui escalando. Desviei para a esquerda e longo
entrei no trecho vertical. Optei por não costurar uma proteção que fica mais a
direita, tendo que dominar uma fenda. Dá um arrasto grande. Porém, o lance fica
mais exposto. Mas a quantidade e qualidade de agarras compensa.
Subi com cuidado. Com mãos e pés sempre bem posicionados,
fui ganhando altura, até conseguir costurar um grampo, dando mais segurança.
Havia passado o pior. Dali para cima, era mais fácil. Entrei na grande
canaleta, subindo um pouco mais e resolvi montar a parada onde fosse melhor
acompanhar os participante. Não tinha contato visual, mas foi possível gritar
para a Silvana e o Alberto, que responderam em seguida, subindo rápidos até a
parada.
Dali, já dava para ver o final da via. Faltavam poucos
metros para o platô. Na hora que o sol apertou, já estávamos nos aproximando do
fim da escalada. Escalei metros finais, dando segurança no platô. Trecho curto
onde as vias se encontram, sendo também final para Heniken. Logo em seguida, as
outras cordadas começaram a chegar e foi que descobri que o barulho havia sido
uma queda do Daniel, mas foi tudo bem, só um pequeno ralado.
Faltava apenas uma cordada, que demorou um pouco devido ao
calor. Esperamos no final do trecho de escalada da Trilha do Costão, onde
estava uma sombra agradável. Com todos reunidos, seguimos subindo até pararmos
para uma foto do grupo na Pedra Filosofal. Mais um pouco de caminhada,
estávamos no cume do Pão-de-Açúcar. Agora podia de dizer que a escalada havia
acabado. Uma grande escalada num dia maravilhoso.
Fomos para mais uma aula de Curso Básico de Escalada. A aula
de hoje era via com rapel e optamos por fazer no Campo Escola Ary Carlos.
Marcamos cedo no posto da subida da Serrinha, eram 6h 30min. Ninguém se atrasou
e isso foi uma constante para essa turma. Chegando cedo, tudo fica mais fácil.
Estávamos numa onda de calor muito forte, estar na parede as 11 horas não seria
uma boa ideia. Dali, seguimos de carro até estacionarmos e caminhar até à base
das vias.
As cordadas foram divididas para que ninguém repetisse guia
e os alunos tivessem a possibilidade de escalar com diversos guias diferentes.
Depois da divisão, a minha cordada ficou com a Débora e o Vítor e faríamos a
Golpe do Cartão. Já na base, algum inseto picou a Débora, que desenvolveu uma
alergia. Arrumamos um anti alérgico e fui buscar próximo a base da via CNM 15.
Com tudo arrumado, iniciamos a escalada.
Segui à frente, já passando algumas dicas e rapidamente
passei do crux e mais acima, montei a primeira parada. A Débora veio em
seguida, escalando bem, chegando à parada sem problemas. Nossa preocupação era
ela não se sentir bem, mas foi tranquila. O Vítor também chegou rápido.
Repassamos alguns procedimentos e seguimos para a segunda enviada.
Saí guiando e já comecei a sentir o sol esquentando.
Aproveitei para acelerar no trecho fácil e rapidamente cheguei ao final da via.
Montei a parada e dessa vez, o Vítor veio em segundo. Subiu sem problemas e
logo estava na parada. A Débora também subiu rápido. Já na parada, descansamos
um pouco e preparamos tudo para os rapéis. Dali, conseguíamos ver duas cordadas
na Via Recuperação. Acenamos de longe, fazendo algumas fotos.
O sol estava esquentando, era hora de descer. Utilizamos
apenas uma corda para fazer os rapéis, assim teríamos como treinar os
procedimentos, rapelando de 30 em 30 metros, aproximadamente. Descemos sem
problemas e logo estávamos na base da via. Arrumamos tudo e ficamos aguardando
as outras cordadas. O calor foi apertando, mas já estávamos na sombra.
Foi uma manhã quente, mas tranquila. Uma manhã de grandes
aprendizados!
Dia: 23/09/2023
Local: Tibau - Piratininga
Participantes: Leandro do Carmo e Diversos
Relato
Um mês após continuar uma conquista no Tibau, estava lá de volta. Agora já com mais vias conquistadas e setor batizado. Era hora de
conferir o acesso, vias e graduações.
Era uma atividade do Clube Niteroiense de Montanhismo, que
abri em conjunto com o Luis Avelar. Dia de calor, mas como nessa época do ano
fica sombra na base e em parte das vias, nos encontramos as 12h, já próximos à
entrada da trilha. Estacionamos os carros e seguimos pela rua, virando à
direita e subindo uma estradinha de chão, até entrar no caminho das jaqueiras.
Subimos por ela até o final, onde dobramos à direita, pegando a picada que nos
leva até a base das vias.
Demos uma conferida nas opções e nas novidades e acabei
fazendo cordada com o Higor. Como são vias curtas, tínhamos a opção de fazer
várias. Iniciamos pela Segue o Velhinho e depois fizemos a Speedrun, todas com
o crux em IV grau. As vias seguem bem constantes e bem protegidas. O visual é
fantástico. Saímos dali e fomos para a Metamorfose, com uma saída forte e bem
vertical, com um crux de VI. Olhando o lado esquerdo da base, parece que há
vários cristais, mas chegando bem perto, nota-se que são uma espécie de teia,
bem interessante. A via é dura, porém curta. É uma saída com pequenas agarras,
onde domina-se um batente acima. Poucas passadas para passar o crux.
Depois, emendamos na Velório de Urubu, que fica à esquerda
da Metamorfose, subindo por um trecho curto, porém instável. A via tem uma
saída leve, entre a vegetação e logo acima, tem um degrau que é facilmente
vencido. Dali, pega-se o crux numa passada para a esquerda e segue até a dupla,
onde dá para montar o rapel.
O calor estava forte e fui para a última via, a Inonimável.
Um 3º grau bem tranquilo, à esquerda da Segue o Velhinho. Subi rápido, sem
muitos problemas e ainda pude acompanhar as outras cordadas de perto. O Luis
aproveitou para fazer algumas imagens com o drone. Já na base, resolvi ir
embora, ainda estava bem quente. Alguns ficaram e escalaram um pouco mais. Uma
excelente tarde nesse novo setor que tem um potencial incrível!
Participantes: Leandro do Carmo, Diego e Renata Hiraga
Vídeo da via O Discreto Charme da Burguesia
Relato da via O Discreto Charme da Burguesia
Mais uma aula de vias em aderência. Agora era o Curso Básico
de Montanhismo 2023, do CNM. Já é o segundo curso na qual fazemos essa aula nas
“Aderências da Viúva Lacerda”. O local acabou recebendo esse nome, devido a
trilha se iniciar ao final da rua Viúva Lacerda, no Humaitá.
Chegamos lá bem cedo. O dia estava nublado. Havia chovido
nos dias anteriores e chance de alguns trechos da escalada estarem molhados
eram grandes. Entramos na trilha e tinha bastante água correndo pelo córrego da
lateral. Subimos por um terreno bem molhado e logo estávamos na base. A parede
estava seca, mas alguns pontos bem no alto nos preocupavam. Bom, não tinha
outra alternativa a não ser subir e tentar.
Como já havia feito a via “Como Nascem os Anjos” na outra
vez, acabei ficando com a via mais à direita, a “O Discreto Charme da Burguesia”.
Segundo o Guia de Escalada da Floresta da Tijuca, uma via 3 estrelas. Nos
arrumamos e dividimos as cordadas. Já pronto, saí para guiar a primeira
cordada. Esse início foi bem tranquilo, subi rápido, parando já bem alto num
esticão de quase 60 metros. A segunda enfiada passei cruzando um trecho bem
úmido e escorregadio. Por sorte, a linha de umidade era bem estreita,
facilitando passar de um lado ao outro. Passei por uma dupla e continuei subindo,
parando numa segunda dupla acima, num corredor entre duas partes com vegetação.
A terceira seguiu mais fácil, iniciando em aderência e logo
vindo trechos com sólidas agarras, mescladas com passadas em aderência. Acabei
pulando um grampo, que ficou escondido perto de uns galhos. Mais acima, antes
de um trecho mais vertical, fiz a terceira parada. A quarta enfiada foi curta,
porém bem bonita. Já na parada dupla, olhando para cima, vimos água escorrendo,
bem no local indicado como o crux da via. Se contornasse por baixo, acho que
daria para fazer, mas optamos por terminar ali a escalada.
Ainda ficamos um tempo ali curtindo até iniciarmos o rapel e
fecharmos a escalada. Boa escalada, num dia bem agradável.
Foi em 2018 que fui ao Tibau com o Ary pela primeira vez.
Estava namorando aquela parede fazia um tempo, mas sempre ia deixando pra
depois... Chegamos a iniciar alguns projetos, mas acabou ficando esquecido.
Depois que mostrei o local ao Luis Avelar e o João Pedro foi que o negócio deslanchou
de vez. Foram conquistadas dezenas de vias e ainda existem alguns projetos em
andamento.
O Luis me chamou para conhecer algumas vias estava
conquistando num setor mais à direita, na qual chamei de “Setor do Luis”.
Aceitei o convite e fomos lá conferir. Marcamos cedo, pois tinha um compromisso
na hora do almoço. A mochila pesada com equipamento de conquista, mesmo a gente
tendo divido algumas coisas.
Seguimos para a rua que dá acesso ao final da Travessia
Tupinambá e no lado oposto, começamos a subir por uma estradinha de chão.
Poucos metros à frente, entramos por um caminho onde tem uma sequência de
dezenas de jaqueiras. Muito fácil de identificar. Dali, fomos seguindo por um
caminho batido e marcado com algumas fitas. Em aproximadamente 15 minutos,
estávamos na base das vias. Ele ainda me mostrou alguns projetos que iniciaram
e outras linhas que tinham vontade de começar.
Nos arrumamos e a via escolhida para fazer foi a Destreza,
Habilidade e Rataria. O início seguiu com lances verticais e boas agarras,
apesar de ter quebrado algumas. Assim como toda a parede, tem que escolher bem
qual agarra usar. A via seguia bem protegida e logo cheguei à primeira dupla.
Montei a parada ali, assim diminuiria o arrasto para entrar no crux. O Luis
chegou em seguida.
Saí para a segunda enfiada. A via continuava constante,
ficando mais vertical já próximo do fim. Demorei um pouco mais para entrar no
lance. Avaliei e numa tentativa, com o pé direito bem alto, quebrei uma agarra
chave para o lance. Tive que reinventar e numa passada bem aberta consegui
ganhar uma agarra acima e venci o lance. Subi mais um pouco e montei a parada,
trazendo o Luis em seguida.
A vista era fantástica. Deu para ter uma visão geral do
setor. Olhando de baixo, estávamos na lateral direita da parede. A ideia era,
além de escalar, aproveitar para intermediar alguns lances da via ao lado e
retirar um parabolt que ficou mal batido. Assim, emendamos duas cordas e
fizemos um único rapel até a base.
Já na base, arrumamos todo o equipamento de conquista e subi
novamente. Subi até onde seria a parada e o Luis veio em seguida. Optamos por
duplicar o ponto quando estivéssemos no rapel, assim não teria problema de a
corda não chegar. Subi e passei no crux, sendo mais fácil que a via ao lado. Ao
final, optei por duplicar a penúltima proteção, pois a última estava muito
próxima a uma grande vegetação. Desci e dupliquei mais um ponto de rapel e
segui até o final da via.
Enfim, havíamos completado o objetivo do dia. Valeu pela
companhia e pela escalada. O setor do Tibau está ficando excelente, com várias
opções de vias. E quem disse que não tem mais opões de conquista em Niterói?
Participantes: Leandro do Carmo, Marcos Lima Velhinho e Sandro Monteiro
Relato
A Aurora Boreal é uma via nova no Costão de Itacoatiara,
fica ao lado direito da Luiz Arnaud. Na verdade, ela era a via solo Soluços e
Tremedeiras, que agora foi protegida. Resolvi entrar na via e aproveitei que o
Velhinho estava indo com o Sandro e perguntei se poderia ir também. Havia
marcado uma remada cedo com um amigo em Itaipu, mas acabou furando. Ainda bem
que a escalada estava confirmada, senão teria que voltar para casa na
saudade...
Depois de ficar esperando um pouco em Itaipu, pois havia
chegado as 5h 30 min, passei na casa do Velhinho e de lá, seguimos para
Itacoatiara. Deixamos o termo de risco na portaria e seguimos para a praia,
onde iniciamos a subida. Para muitos, a parte mais difícil das escaladas na
região. Como já estou acostumado, não tenho mais problemas. Já na base da via,
nos arrumamos e repassei as cordas.
Comecei guiando essa primeira enfiada. Optei por subir
puxando as duas cordas, um erro. Os trechos da primeira enfiada foram
tranquilos. Ouvi alguns relatos de que havia muita coisa quebrando, mas nem
achei tão ruim assim. A via segue com paradas duplas de 30 em 30 metros, mas
optei por seguir direto para a próxima dupla, segundo erro. O arrasto estava
grande e tive que dar uma esticada a mais na corda para poder chegar à parada.
A enfiada foi bem bacana, com lances mais verticais e um grau constante.
O Velhinho e o Sandro vieram em seguida. Na parada, mudamos
a cordada e seguimos em “i”, assim levaria apenas uma corda. Comecei subindo. A
via seguia com lances bem variados e constantes, diferentemente da Luiz Arnaud
que segue bem fácil na maioria dos lances. Mas segui subindo, parando mais
acima. O Velhinho tocou a última enfiada, seguindo até uma parada antes do cume.
Subi em seguida e fui direto ao cume, onde puxei os dois.
Participantes: Leandro do Carmo, Michel Cipolatti, Luís Avelar, João Pedro e
Thiago Hentzl
Dicas para escalar a Agulha do Diabo
É uma atividade pesada. Só de caminhada de aproximação,
leva-se, em torno de 4 a 5 horas. A caminhada após o Mirante do Inferno é a
mais crítica e costuma ficar bem úmida, dificultando bastante, por isso, avalie
caso esteja em período chuvoso. Muita gente opta por acampar no Paquequer, numa
pequena área antes do Mirante do Inferno (mas deve-se pedir autorização com o
Parque), para sair bem cedo no dia seguinte. A escalada em si consiste em
lances de entalamento e chaminés. O lance final é feito em cabo de aço. No
cume, o espaço é limitado e cabem poucas pessoas. Não é muito comum encontrar
grandes grupos escalando, mas há possibilidade. Se for fazer em um dia, comece
bem cedo e tenha certeza de que voltará parte do caminho durante a noite.
Como chegar à Agulha do Diabo
Na trilha para a Pedra do Sino, logo após a Cota 2000, há
uma saída para a esquerda. Essa trilha é conhecida como “Caminho das
Orquídeas”. Siga descendo e vire à direita na bifurcação. Seguirá por um longo
caminho até chegar ao acampamento Paquequer, um pequeno descampado, onde cabem
poucas barracas. Dali, cruzará o rio Paquequer e subirá em direção ao Mirante
do Inferno. Pegar uma saída à esquerda, que te levará ao colo entre o Mirante
do Inferno e o São João. Descerá à direita, até a base da Agulha e subirá um
trecho bem úmido.
Relato da Escalada à Agulha do Diabo
Quase seis anos se passaram desde a minha primeira ida à
Agulha do Diabo. Já estava na hora de voltar nessa espetacular escalada. Assim
como os antigos ensinamentos, algumas escaladas seguem a mesma dinâmica: um vai
com um que já foi e leva outro que ainda não foi... E assim, a experiência vai
se perpetuando. Nos clubes de montanhismo isso ainda é bem forte. E foi desse
jeito que essa escalada foi marcada. Conversando com amigos, um sugeriu fazer a
Agulha do Diabo e como na roda de conversa, eu era o único que já tinha ido,
coube a eu organizar a empreitada. E com o maior prazer. Logo criamos um grupo
no WhatsApp e começamos a organizar os detalhes. Primeiro foi decidir o dia.
Nem todos puderam ir. No final, formamos um grupo de cinco: eu, Michel, Luís,
João e o Thiago. Combinamos de sair às 5h, visto que o horário de abertura do
parque é somente às 7h, mas vale a pena chegar um pouco mais cedo e aguardar na
fila. Seguimos direto e já tinham alguns carros na fila. Assim que deu 7h,
começamos a subir e estacionamos ao lado do Centro de Visitantes para assinar
os termos. Já tinha duas cordadas para subir a Agulha, todas comerciais, algo
que aumentou consideravelmente nos últimos anos. Depois dos trâmites
burocráticos, seguimos para o estacionamento, onde nos preparamos e começamos a
caminhar.
A caminhada
Eram 7 horas e 40 minutos quando iniciamos a caminhada.
Fomos direto até a Barragem e entramos na trilha do Sino. Seguimos subindo num
bom ritmo. Fomos revezando as cordas, assim não ficaria pesado para ninguém.
Demos uma boa esticada, parando somente na entrada da trilha do Paredão
Paraguaio, onde aproveitamos para comer algo rápido. Assim que algumas pessoas
se aproximaram, iniciamos a caminhada para não atrasar. O caminho que era uma
trilha bem discreta, já está bem aberto. Com certeza o volume de pessoas ali
aumentou nos últimos tempos. Apesar de mais íngreme e técnico, corta um caminho
considerável, principalmente para quem vai em direção à Pedra da Cruz e Mirante
do Inferno. Esse é o motivo do aumento do fluxo. Mais acima, passamos pela entrada
para a Pedra da Cruz e continuamos subindo até pegar uma saída à esquerda,
estávamos entrando no “Caminho das Orquídeas”. O nome foi dado por Salomyth,
Minchetti e Thiers, todos montanhistas do CEB, que ao procurarem um novo e mais
fácil acesso à Agulha do Diabo, se depararam com uma pedra de bom tamanho
coberta de musgo, batizada com nome de "Pedra do Tapete", na qual
pendia uma imensidão de orquídeas em flor, daí, resolveram dar o nome do
caminho de “Caminho das Orquídeas”.
Assim que começamos a descer, chegamos a um lajeado e foi
possível se deparar com uma vista fantástica. Estávamos de frente para o
Mirante do Inferno. Ao lado esquerdo, víamos o São João e parte da cidade de
Guapimirim, do lado direito, o São Pedro. Bem mais ao fundo, a ponta da Agulha
do Diabo. Esse seria o nosso primeiro contato com ela. O dia aberto e firme
dava a certeza de que teríamos uma grande escalada. Fizemos algumas fotos e
iniciamos a descida. Era um caminho bem delicado e fiquei impressionado com a
degradação nas bordas do caminho. Alguns trechos ficaram bem escorregadios por
conta da lama formada, mas com cuidado continuamos descendo. Cruzamos um
córrego com bastante lama e foi difícil passar sem molhar o pé. Mas seguimos
firmes até chegarmos ao acampamento Paquequer. Ali, encontramos uma das
cordadas que estavam à nossa frente e aproveitamos para fazer um lanche
reforçado, visto que é um ponto de coleta de água. Descansamos bem e
continuamos nossa caminhada. Voltamos a subir e logo pegamos uma discreta saída
à esquerda e seguimos em direção ao colo entre o Mirante do Inferno e São João.
Foi um trecho na qual não lembrava muito bem, mas segui à frente sem problemas.
Já no colo, ponto que antecede a descida para o “Vale da Geladeira”, tivemos o
segundo contato coma Agulha, esse sim completo. É uma vista de arrepiar.
Difícil de acreditar que em pouco tempo estaríamos naquele cume. Ventava forte,
talvez potencializado pelo canal formado entre as montanhas, com isso não foi
possível ficar muito tempo ali. Tínhamos que voltar a caminhar. O trecho a
seguir era bem delicado, com muita pedra solta.
Assim que todos chegaram, começamos a descer. Em pouco tempo
já estávamos bem abaixo. Num lance o bastão de caminhada do Luís caiu e o
peguei. Fui caminhar com ele e depois de uns três passos, escorreguei e minha
mão esquerda bateu com força no chão, diretamente nos dedos. Foi uma for forte,
mas mexi os dedos e não senti nada fora do lugar, tinha sido só a pancada
mesmo. Na hora, com o sangue quente, não foi um problema, mas no dia seguinte
que o inchaço foi forte. Acho que o bastão me fez ter a falsa sensação de que
estava mais tranquilo e acabei me desconcentrando. Entreguei logo o bastão e
voltei a caminhar mais concentrado. Mais abaixo, voltamos a subir num trecho
bem molhado. Escorria água por todos os lados e não foi fácil, mais uma vez,
percorrer o caminho. Só que agora estávamos subindo. Lembrei que teríamos volta
e subida seria descida, assim como a descida, subida. Mas para que sofrer por
antecipação? De volta à subida, seguimos passando pelos trechos difíceis até
chegar à grutinha, onde tínhamos um lance de chaminé, tendo que passar por um
buraco bem apertado, já um aquecimento para os trechos da escalada. Fomos
passando um por um e dali até a base, foram poucos metros. Lá, a primeira
cordada já estava na via e a segunda, se preparando para subir. Não tinha
espaço para todos no pequeno platô, com isso alguns ficaram mais embaixo.
A escalada
No platô, nos arrumamos e a segunda cordada que estava na
nossa frente ainda demorou um pouco em sair. Estávamos perdendo um tempo
precioso. Assim que eles subiram, nos preparamos seguir. Dividimos nossas
cordadas assim: Eu, Thiago e Luiz e outra era o João Pedro e o Michel. O João
seguiu escalando e o Luís, logo em seguida. A primeira enfiada segue num trecho
usando uma canaleta bem à esquerda, ganhando um bloco. Após o João subir, o
Michel sentiu um puxão forte na corda e ouvimos um barulho. Na hora, nem
percebemos, mas o João tomou uma queda, devido à quebra de um arbusto. O Luís
subiu em seguida, dando segurança para mim e o Thiago. Assim que passamos pelo
João, vimos que ele tinha machucado o dedo. Ele fez o curativo e seguimos na
escalada. Fizemos nossa parada logo após a diagonal. Subi e parei mais acima,
antes de um trecho meio de entalamento. O Luís chegou e tocou essa próxima.
Subiu e ganhou o friso, fazendo um lance até chegar ao platô, onde subimos eu e
o Thiago. Dali seguiu por mais uma horizontal, num trecho exposto até chegar a
um platô, onde seguiu andando até a parada que usamos para o rapel na volta.
Dali para cima, seguimos andando numa trilha, passando por baixo de alguns
blocos, até a base onde fazemos as chaminés.
Organizamos as cordas e voltamos para a escalada. Cada um
foi subindo da sua forma. Dá para ver claramente para onde devemos seguir.
Fomos até ao final do corredor, subindo uma chaminé, passando por um buraco e
ganhando um bloco. O Luís estava à frente e segui por uma horizontal, dando uma
parada num grande bloco entalado, que antecede um lance que dá para artificializar
para chegar ao platô. O Michel passou por mim e foi para junto do Luís que
subiu e montou uma parada bem na borda do platô. Subi em seguida, indo direto
ao platô. Ali organizei novamente a corda para deixar tudo pronto para o
“cavalinho”. Fiz um lanche rápido para entrar no trecho final da escalada.
Ainda aguardamos a cordada da frente por um tempo considerável. A menina que
estava meio travada no lance do cavalinho, quase desistindo por algumas vezes.
Depois de bastante tempo, conseguiu passar. O Luís foi em seguida. Entrou no
cavalinho e seguiu para dentro da chaminé. O Thiago foi o próximo. Entrou com
um pouco de dificuldade, mas passou. Fui o terceiro. Posicionei bem a perna
esquerda dentro da fenda e fui passando rapidamente, sem dar muito tempo.
Quanto mais demoramos, mais vai cansando. Para entrar na chaminé, ganhei um
bico de pedra, mas tive que voltar e mudar a minha mochila de posição. Posicionei-me
novamente no bico de pedra e consegui entrar na base da Chaminé da Unha. É bem
apertado, não dava nem para movimentar os pés. Na posição que eu estava,
fiquei. Só dava para mexer a cabeça lá dentro. O Michel chegou em seguida e se
posicionou mais na entrada da chaminé.
Estava frio, mas pelo menos demos sorte de não estar
ventando lá dentro. Era hora de subir a Chaminé da Unha. Ela começa bem
estreita, mas melhora depois que chegamos num pequeno friso, onde existe uma
segunda laca, simplesmente apoiada nessa maior. Como o Luís havia subido
primeiro, montou a segurança e nós aguardamos até a cordada de cima ir ao cume.
Fui subindo lentamente para dar tempo da cordada subir. Dei uma parada nesse
pequeno platô que divide as lacas que formam a unha. O Michel chegou logo em
seguida. Ficamos ali durante um tempo, pois não tinha espaço para todos no topo
da unha. O Thiago já estava lá e assim que liberou, também subi. Sentei ao lado
do Luiz, enquanto e ainda aguardamos um pouco enquanto o pessoal já terminava o
rapel. Assim que o caminho foi liberado, pudemos começar a entrar no cabo de
aço e começar a fazer cume. O Luís seguiu primeiro. Fui dando segurança e logo
ele chegou. O Michel já estava no topo da Unha conosco, enquanto o João subia.
O sol já havia ido embora e o vento deixa o fim de tarde bem frio. Minha mão
doía e ficar com ela exposta foi duro. Era ficar movimentando, pois ainda tinha
o trecho do cabo de aço para passar e fazer força no cabo com mão gelada, gera
um certo incômodo, mas era subir ou subir. Era aproximadamente de 16 horas e
trinta minutos quando o Luís chegou ao cume. Fui logo em seguida. Já no cume,
pude contemplar toda aquela imensidão. Só de pensar que há pouco tempo atrás
estava olhando lá de baixo. Aproveitei para fazer algumas fotos e assinar o
livro de cume. Aos poucos todos subiram e nos reunimos para a tradicional foto
de cume.
Iniciamos o rapel. Fizemos o primeiro até o topo da Unha e
mais um até o platô do Cavalinho. Com muito cuidado descemos até os grampos
para o terceiro rapel. O chão estava bem escorregadio. Do platô fizemos um até
a base da chaminé e descemos andando até o último rapel. Dali, emendamos duas
cordas e fizemos um até a base. O Michel foi o último e optou por parar e fazer
mais um rapel, visto que como estávamos com duas cordas, elas poderiam agarrar
quando fosse recolhida. Eram 18 horas e 10 minutos quando todos chegaram à
base, a escuridão tomou conta. Foi preciso acender as lanternas. Ali, arrumamos
tudo e aproveitei para comer algo bem rápido. Começamos a descida e fizemos um
rapel curto acima da grutinha, evitando ter que passar por dentro dela. Se já foi
difícil na ida, imagina agora? Já estava bem cansado e com tudo molhado e
escorregadio, descer parece ser pior. Fomos lentamente e logo começamos a subir
em direção ao colo entre o Mirante do Inferno e São João. A subida foi
delicada, havia muita pedra solta e sem visibilidade, todo cuidado era pouco. Às
19 horas e 20 minutos já estávamos na trilha do Mirante do Inferno e 25 minutos
depois, estávamos descansando no Paquequer. Ali pudemos relaxar um pouco. Foi
hora de fazer um lanche reforçado e descansar para o trecho final. Falava uma
subida até a bifurcação da Pedra da Cruz e depois só descida. Havia duas
pessoas que estavam dormindo no Paquequer, iriam fazer a Agulha no dia
seguinte. Uma estratégia diferente. Era hora de voltar a caminhar.
De volta à trilha, subimos o Caminho das Orquídeas e
entramos na trilha que passa na base do Paredão Paraguaio. Agora era só
descida. Era só ligar o piloto automático e deixar levar. O bate papo da ida
deu espaço ao silêncio total, quebrado somente pelo som da natureza. Não
enxergava nada além de uns dois metros a minha frente, bastava apagar a
lanterna que a escuridão era total. Caminhamos relativamente próximos, mesmo
distantes, conseguíamos ver a luz da lanterna do outro. Sempre com sensação de
que o próximo ponto de referência nunca chegava, seguimos descendo e foi um
alívio chegar à Cachoeira do Véu da Noiva. Fiz uma parada rápida, hora de
recuperar um pouco de energia para o trecho final. Era 22 horas e 17 minutos
quando chegamos à Barragem. Dali até o carro foi mais uns 15 minutos. Foi um
alívio chegar. Iniciamos a caminhada às 7 horas e 33 minutos e terminamos 15
horas depois. Um belo teste de resistência. Mas ainda não havia acabado,
faltava a volta. E voltar dirigindo não foi uma tarefa das mais fáceis. Descemos
a serra de Teresópolis e tudo fechado, nem loja de conveniência de Posto de
Gasolina funcionando. Por sorte, achamos um posto perto da entrada de Magé. E
foi um milagre! Foi só entrarmos que a loja fechou a porta. Mas pelo menos
fomos muito bem atendidos, mesmo com os funcionários já querendo ir embora. Foi
comer um lanche e beber o um energético para o ânimo e humor voltarem com
força, ficando bem mais tranquilo chegar em casa. Deu até para separarmos os
equipamentos. Um dia cansativo, mas escalar a Agulha do Diabo é literalmente
assim: do inferno ao céu em pouco tempo!